Show do PC Caju

Nostradamus está dobrando a esquina. Estou prestes a concordar com o jogador mais mascarado e pernóstico da história do futebol…

Nostradamus está dobrando a esquina. Estou prestes a concordar com o jogador mais mascarado e pernóstico da história do futebol brasileiro: Paulo Cézar Caju, craque de bola, cheio de ginga de samba e jazz e esnobe até o último drible seco.

PC Show, astro tricampeão em 1970 e homem que tirou suas canelinhas nobres das divididas quatro anos depois ao ser vendido em plena Copa do Mundo ao futebol francês, país do qual fala perfeitamente o idioma e permanece idolatrado pela sua confraria de louraças da psicodélica Saint-Tropez. PC que foi banido da triste seleção de 1978. Ele, Paulo Roberto Falcão e Marinho Chagas.

Monsieur PC era um garoto pobre e feio, peladeiro e genial. Criado pelo velho técnico carioca Marinho Rodrigues. Chamava a atenção pela elegância no porte de lorde e na passada ritmada, adequando o ritmo do jogo ao seu humor da hora.

Esnobava em carrões, pintava o cabelo, usava macacões, tamancões, participava de desfiles de moda em trajes berrantes na alta sociedade carioca, chocante, bicho, o PC fazia e acontecia nos tempos da Jovem Guarda e do Tropicalismo.

O PC do grande Botafogo bicampeão de 1967 e 1968, máquina comandada por Gérson no meio-campo acompanhado por Afonsinho ou Carlos Roberto, municiando um ataque implacável com Rogério na ponta-direita, aberto e driblando, Jairzinho, furacão Black Power em avant première do que seria no México, o trombador Roberto Miranda.

E ele, PC, com a mãozinha torta, do jeito que ficavam seus marcadores, versátil como ponta-esquerda nato ou recuando para vir de trás armando o jogo. PC fazia o falso ponta com charme, sem o jogo burocrata de Zagallo, Dirceu e Zinho.

Tricampeão no escrete de Pelé, Tostão, Gerson, Rivellino e Jairzinho, PC tornou-se insuportável. No ano seguinte, ainda pelo Botafogo, ameaçou não disputar a decisão do Campeonato Carioca caso o clube não lhe desse aumento. Conseguiu. Na final contra o Fluminense, tentou humilhar os tricolores fazendo embaixadinhas delirantes no ex-Maracanã lotado.

O Botafogo perdeu o título ganho na provocação jogando pelo empate num gol polêmico. Lula marcou depois que o lateral Marco Antônio subiu com o goleiro Ubirajara, que largou a bola. Botafoguenses juram que Ubirajara foi empurrado. Os campeões garantem que o lance foi normal.

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Depois da presepada e da derrota, PC foi vendido ao Flamengo. Campeão em 1972, veio a Natal e, sacana segundo a lenda , jogou no vaso sanitário do Hotel dos Reis Magos, a camisa de Alberi, o ídolo do ABC e nota 10 em campo no duelo contra os rubronegros no melhor desempenho individual da história do Estádio Castelão (Machadão).

Assim PC Caju viveu, rodando pela Máquina Tricolor bicampeã carioca, esbanjando categoria, pelo Vasco, onde, segundo ele, não suportou o “desagradável” Eurico Miranda. Outra passagem notável pelo Botafogo, enganação no Corinthians e molejo no Grêmio, onde saiu enfaixado campeão mundial em 1983, formando dupla mascaradona com outro virtuoso, Mário Sérgio Pontes de Paiva.

PC parou, caiu no redemoinho das drogas, foi resgatado graças ao apoio decisivo do amigo ex-centroavante Cláudio Adão, lançou livro, mas ninguém muda de peçonha. Em 2010, angariou o ódio natalense soltando venenos que doeram na alma alvinegra em pleno apogeu do título brasileiro da Série C.

Comentando pela Rede Brasil, detonou o nível dos jogos: “Porra, ninguém vê jogada legal, tabela, um/dois, caneta, muito fraco”. Sucupirescamente, alguns radicais queriam deixar PC nas manchetes de novo concedendo-lhe o título de Persona Non Grata em Natal. “Uns bregas”, deve ter debochado.

Agora PC Caju reaparece, insatisfeito com a seleção brasileira, a esta altura, já convocada para a Copa do Mundo de 2014. Deu entrevista ao Portal Uol e, admito, foi uma delícia. De malícia e rebolado fundamentais. PC afinou a corneta e detonou o time de Felipão e Parreira:

“O Brasil sempre foi reconhecido pela arte, pelo swing, pelo brilho e não temos mais isso. O time em si é brincadeira. Coisa feia, é um anti-jogo que não dá prazer, só querem encher o time de volante e colocar jogador alto. A especialidade é bola aérea. Não dá. Cadê a técnica, o passe, a jogada bonita? É um bando de brucutu em campo, com a bunda no chão só dando carrinho.” Imagine aí o biquinho de PC injuriado com o padrão de “pegada” tão adorado pela turma de microfones e Ipads.

Estou reconciliado com Paulo Cezar Caju. Valeu PC. É tudo o que penso, também. PC torcerá pela Alemanha, Espanha e Argentina na Copa do Mundo. Eu quero a vitória do bom futebol, pela arte. O Brasil ganhando ou não, pouco importa.

A fúria do maldito não poupou nem mesmo Neymar. Atenção, tietes desvairadas: “O Neymar tem swing, mas precisa utilizar melhor isso. Ele trava muito o jogo lá no Barcelona, é muito individualista, parando um time de toque de bola.” PC abriu a boca (pela primeira vez) direto no gol.

Show.

Saldo

Max, a pedra que se ergue nas dificuldades americanas, selou o 3×0 e garantiu um saldo excelente para a classificação na Copa do Brasil.

Mais ofensivo

O ABC venceu o América, ok, mas o esquema com quatro volantes em casa é fechado além das regras de segurança máxima. Hoje contra o Atlético de Goiás, o técnico Zé Teodoro faria melhor começando com um meia. Que seja Xuxa, sem ritmo no último jogo, ou Rogerinho. O carioca Octávio parece esfriar na geladeira do técnico.

Dar o bote

Qualquer torcedor de primeiro jogo entendeu que Zé Teodoro é técnico de contra-ataque. Fecha o time e dá o bote no adversário. É uma tese desde que o adversário não surpreenda e faça um gol, o que dificulta a chegada da bola no ataque. Com um homem mais criativo, melhora, também, a vida dos atacantes, em especial a de Dênis Marques.

Série D

O artilheiro do Campeonato Estadual pelo Globo, Ricardo Lopes, chamado de craque por alguns, disputará a Série D do Brasileirão. Alto nível.

Convocações

Já foram muito mais emocionantes. Quando havia excesso. Hoje, qualquer surpresa não foge ao nivelamento. Por baixo. Raul, Djalma Dias, Ipojucã, Heleno, Dirceu Lopes, Dorval, Canhoteiro, Toninho Guerreiro, Quarentinha, Almir, Andrade, Pita, Geovani, Adílio e Mário Sérgio nunca disputaram Copa. Imperdoável.

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