1961 – o circo do horror
Era uma tarde de domingo em Niterói. Na edição da terça-feira do Jornal do Brasil, um dos editoriais dizia que crianças e adultos, estes com o que ainda havia de infância neles, saíram de casa em busca de alegria e diversão no Gran Circus Norte-Americano.
Um domingo de dezembro, em que as famílias de todo o Brasil viviam o clima das cartinhas para Papai Noel, que seriam prontamente acatadas em seus pedidos para as crianças cujos pais, naqueles dias, circulavam pelas lojas e bancas de brinquedos.
Havia em torno de 2,5 mil pessoas no espetáculo, uma maioria esmagadora de meninos e meninas acompanhados de pais, avós, tios ou vizinhos. Faltava pouco para o final e a linda trapezista caprichava nos últimos saltos mortais em busca da merecida apoteose.
Exatamente às 15h45, quando Nena – apelido da trapezista Antonietta Stevanovich, com sobrenome dos irmãos proprietários do circo – ensaiava o desfecho do seu número, as chamas surgiram no alto da lona verde e laranja e avançaram com velocidade.
Um pânico generalizado tomou conta do ambiente, gente e bichos buscando saídas para escapar do fogo, gritos lancinantes mais terríveis do que os que do filme “A Pequena Loja dos Horrores”, em cartaz com um jovem coadjuvante chamado Jack Nicholson.
No noticiário da época, narrativas as mais desesperadas possíveis para ilustrar a dimensão do horror que se abateu sob Niterói naquela que foi a maior tragédia da história dos circos em todo o mundo e a maior comoção já sentida em todo o Brasil.
Uma das cenas mais tristes, conta-se, foi a de uma elefoa, amarrada na corrente e atirando água com a tromba nas chamas que avançavam. Um mastro queimando caiu-lhe sobre o dorso e ela disparou abrindo um rasgo na lona por onde escaparam pessoas.
Das versões que surgiram nos dias posteriores, enquanto se contabilizava mais de 500 mortos e outra quantidade igual de feridos, além dos desaparecidos, a que menos foi considerada pela história foi o fogo criminoso do funcionário Dilson Alves, 20 anos.
Conhecido no circo como Dequinha, o rapaz foi acusado do incêndio (ajudado por dois amigos) para vingar uma dívida trabalhista dos irmãos Stevanovich. A versão “oficial” da polícia militar jamais foi levada a sério pela mídia e pelo povo da cidade carioca.
No livro do jornalista Mauro Ventura, “O Espetáculo Mais Triste da Terra” (Companhia das Letras, 2011), é possível construir uma imagem quase precisa das horas de terror e perceber que muito pouca coisa mudou no Brasil desde então. Vide Santa Maria-RS.
Meio século atrás, a cena macabra dos corpos esperando sepulturas e caixões nem parece coisa do passado. Também naqueles dias, um avião da Argentina chegou com tecidos humanos e plasma para tentar salvar a vida dos queimados e asfixiados.
A população de todo o Rio de Janeiro, e do Brasil, mobilizou-se em duas correntes, uma de oração e outra de solidariedade, ajudando no apoio às famílias que buscavam identificar suas crianças mortas e estiradas no gramado do estádio de Caio Martins.
Um grupo de carpinteiros oriundo de várias regiões passou a fabricar caixões em série, enquanto a prefeitura local procurava espaço para tantos sepultamentos. Um professor da PUC, chamado Ivo Pitanguy, ganhou notoriedade na recuperação dos queimados.
Proprietário de uma frota de caminhões, o senhor José Datrino destacou-se entre os muitos solidários se dedicando integralmente no apoio. Cumpria, segundo ele próprio, um pedido divino para ajudar as pessoas. A partir dali, ele seria o “Profeta Gentileza”.
A versão de que “Gentileza” teria enlouquecido por ter perdido toda a família no incêndio foi desmentida com argumentos históricos no livro de Mauro Ventura. Por quatro anos viveu no local da tragédia oferecendo vinho e palavras doces aos passantes.
Num editorial, o Jornal do Brasil de 19/1/61 prestou homenagem aos anjos do povo: “aos que ajudaram e estão ajudando, aos que salvaram e estão salvando, aos que curaram e estão curando, aos humildes heróis que a catástrofe revelou”.
Tanto ontem como agora, o cidadão brasileiro sempre consegue ser maior que o Estado, mais ágil que os governos, por mais legítimas que tenham sido, ontem e agora, as lágrimas derramadas pelos presidentes João Goulart e Dilma Rousseff. (AM)
Fora Renan
Em apenas três dias, multiplicaram em dezenas de milhares as assinaturas do movimento que pede a renúncia do senador Renan Calheiros (PMDB) da candidatura à presidência do Senado. Até senadores do partido concordam com o apelo popular.
Até tu, OAB?
Ex-presidentes do Conselho Federal da OAB pedem que Marcus Vinicius Furtado Coêlho desista da candidatura para presidir a entidade. O MP do Piauí acusa Furtado de ser nomeado, sem concurso, para um cargo jurídico na prefeitura de Antonio Almeida.
Prisões
Faltou apenas uma pergunta no artigo recheado de perguntas da jornalista Eliane Cantanhêde, hoje na Folha: por que até agora não foi preso nenhum servidor público da rede de falhas que autorizou o funcionamento da Boate Kiss? Por que, heim?
Pendenga
As redes sociais esquentaram ontem depois que o desembargador Virgílio Macedo decretou a prisão dos secretários do governo Rosalba Ciarlini. Até quem tem telhado exposto nas barras da Justiça atirou pedras no telhado do TJ. Governismo cega.
Pesquisa
Com dois carnavais, uma Copa das Confederações e uma Copa do Mundo no meio, as eleições de 2014 estão mais que distante do pensamento do povo, apesar dos desejos dos jornalistas políticos e assessores idem. Mas, a Consult botou pesquisa na rua.
Pesquisa II
Em quatro cenários inventados pelo instituto, o ministro Garibaldi, o prefeito Carlos Eduardo, o vice-governador Robinson Faria e a ex-governadora Wilma de Faria lideram na preferência. Em todos os quatro a governador Rosalba Ciarlini é derrotada.
PT e PSD
Afirmação na coluna Painel de Vera Magalhães, na Folha: “Rondônia, Rio Grande do Norte e Bahia serão os primeiros diretórios estaduais do PSD a confirmar apoio à reeleição de Dilma Rousseff em 2014″. Aqui já se fala na chapa Robinson-Fátima.
Copa 14
Depois de mais uma reclamação pública da FIFA com o atraso nas obras da Copa, vou depositar mais uns níqueis nas bolsas de apostas e manter meu prognóstico. Ainda acho que o evento terá seus jogos realizados em dez sedes. Duas ainda podem dançar.
Dívida
Apesar do aval técnico do CREA e jurídico do TCU, uma obra do PAC no porto de Natal, realizada pelo engenheiro civil Marcelo Bezerra Guerreiro, ainda não foi paga pela direção da CODERN, que contratou o profissional e autorizou o serviço.
Falha no Midway
Nem tudo é perfeito no maior espaço de comércio e lazer de Natal, fruto do espírito empreendedor de Nevaldo Rocha. O terceiro piso do Midway Mall ainda não tem serviço wi-fi, coisa comum em qualquer birosca ou loja chique de Recife a Paris.
Fim do carnaval
Os outdoors e cartazes que as prefeituras do interior espalharam por Natal, com a programação do carnaval, é de um mau gosto musical terrível, sem falar que os únicos gêneros que as atrações não tocam são o frevo, o samba e as marchinhas.


