2014 e o futuro
Talvez o futuro não esteja em 2014. Quem sabe, até lá o governo acerta o passo e põe a mão em quase dois bilhões de reais – somados os 580 milhões de dólares do Banco Mundial e agora os mais de 600 milhões de reais do Banco do Brasil, e reconstrua a própria imagem. Nesta hipótese, e por suposto, se erguerá, qual Fênix, das próprias cinzas, para renovar o mandato. Mas, 2014 vai abrir um novo ciclo e dentro dele uma sucessão familiar, entre primos, para a renovação do grupo Alves no poder estadual.
Não é difícil imaginar: se o prefeito Carlos Eduardo Alves concluir a sua nova administração consagrado, e tiver chances reais, com o aporte de Natal ao lado, poderá disputar o governo em 2018, a primeira eleição de governador depois de 2016. Ele sabe que até lá, se o governo não fracassar antes, pode encontrar a candidatura Walter Alves posta no pódio. Eleito, Walter assumiria a posição natural de líder da família até pelo peso de conquistar o governo num momento de renovação das gerações.
Essa futurologia pode parecer louca, como toda projeção que tenta antecipar o futuro, mas tem sua lógica. Do ponto onde estamos até a eleição de um novo Alves para o governo, em 2014 ou 2018, como seja, há uma certeza garantida pela física: dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Ou seja: o jogo a partir de agora mesmo que desmentido pelos dois lados será todo jogado em função do futuro. As eleições de 2012 estão já no passado inerte, inservível para a nova estratégia.
Pela ordem de precedência ou de antiguidade, o candidato seria o hoje prefeito Carlos Eduardo Alves com a experiência de duas gestões executivas na capital e alguns mandatos de deputado contra só dois mandatos, até lá, do deputado Walter Alves. Mas, em política, não há ordem de preferência e antiguidade não conquista posto. As circunstâncias definem os destinos, com ou sem escolha pessoal, e em função do tempo. Perdê-las – as circunstâncias favoráveis e a noção de tempo – é perder o rumo.
Neste momento, o grupo Alves aparenta manter uma divisão de núcleos e mesmo sob a suspeita de que se dividem habilmente – assim é mais conveniente ocupar espaço no governo e na oposição – não abrirão mão do poder se amanhã for inevitável assumir a disputa entre eles. Nunca é muito lembrar que um dia Ana Catarina aceitou disputar a prefeitura de Natal com Henrique, irmão gêmeo. É verdade que a serpente engoliu os dois, alimentada da frieza estratégica do então ex-governador Tarcísio Maia.
Uma coisa não pode ser desmentida, nem por conveniência de momento: aquele que primeiro conquistar o governo – Carlos ou Walter – será o nome mais destinado a assumir a nova etapa política do grupo Alves. Por isso, um vai vigiar discretamente os passos do outro, posto que o jogo do futuro já não será jogado apenas por Henrique e Garibaldi. Walter parece unir o lado político e eleitoral forte da família Alves, mas o tempo não é aliado incondicional de ninguém. É preciso vivê-lo a cada novo dia.
AVISO
Prefeito de juízo com a cabeça no lugar certo não pode esquecer que hoje o Tribunal de Contas dispõe do Sistema Integrado de Auditoria Informatizada. Para monitorar, com rigor, os orçamentos públicos.
SUGESTÃO
A prefeitura não precisa adivinhar as marés altas. Basta consultar os avisos da Marinha. A maré que devorou o outro pedaço do calçadão de Ponta Negra, de 3.0, estava no aviso da Capitania dos Portos.
ASSIM
A governadora aprovou R$ 20 milhões em emendas no Orçamento Geral da União para a cultura. Mas é bom relembrar que seu governo não liberou cerca de R$ 10 milhões do Fundo Estadual de Cultura.
COMO?
A Prefeitura de Cerro Corá, a julgar pelo que suspeita o corpo técnico do Tribunal de Contas, gastou cerca de R$ 6,5 milhões com festas carnavalescas? Então já tivemos agora até quadrilha de Papangus?
DÚVIDA
O TCE sugere não gastar com carnaval só prefeitura que enfrenta a seca, mas concorda que no caso de falência dos serviços essenciais, como Natal? É abrir os cofres e derramar gastos com as serpentinas?
HISTÓRIA
Carreata pelas ruas de Natal saindo da Rampa marcará os setenta anos do encontro de Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt. Foi dia 28 de janeiro de 1943, mas o cortejo será dia 26, com saída 10h da manhã.
PENICOS
Por falar nos ricos penicos de louça citados por Graciliano na conversa com Cascudo e o historiador Ivoncísio Medeiros mandou o site do museu de penicos, da Espanha. Para as bundas luxuosíssimas.
PERIGO – I
Cada dia mais forte o bombardeio sobre a candidatura de Henrique Alves a presidente da Câmara. Os sete ministros de Dilma Rousseff caíram com denúncia de revistas e jornais, sem o Ministério Público.
CENA – II
Laurita Arruda Câmara transcreveu o texto desta coluna sobre a importância da chegada de Henrique Alves à presidência da Câmara. Dona de um território livre, ela não temeu preservar o texto na íntegra.
LEITURA – III
Ney Lopes fez a leitura correta do artigo sobre a importância para o RN de ter o presidente da Câmara Federal. Por isso transcreveu e elogiou no seu blog. O texto não isenta Henrique, mas não é injusto.
ALIÁS – IV
Desconhecer o peso dos nomes que tivemos no passado, na política e na cultura, desde o governo de Afonso Pena até o cardeal Eugênio Sales, é coisa para quem tem um bestunto no lugar de uma cabeça.
SINAL – V
O Jornal de Fato, de Mossoró, tem sido de um rigor jornalístico impecável na cobertura das denúncias envolvendo o deputado Henrique Alves. Tão impecável que já tem henriquista sem entender o rigor.
INFLAÇÃO
Na bolsa das intrigas alguns políticos começam a temer uma inflação galopante no valor do silêncio. Segundo as últimas cotações do mercado boca calada já vale três milhões e meio. Pode ser em imóvel de luxo, dinheiro ou nas duas moedas.
POESIA
Do poeta Carlos Gurgel soprando com ironia o bolor poético que sufoca cidade com seus poetas ditos oficiais e mascando seus versos cansados: o pedinte / estira a mão / e o político / acaba com a nação’.


