45 anos de uma epopéia – Alex Medeiros

(Crônica publicada originalmente em 20/7/2009) Sôbre fina camada de areia lunar, molda-se uma imprevista escultura: a forma da galocha de…

(Crônica publicada originalmente em 20/7/2009)

Sôbre fina camada de areia lunar, molda-se uma imprevista escultura: a forma da galocha de um astronauta. Com esta frase, com direito ao circunflexo apropriado à gramática da época, o jornalista Zevi Ghivelder iniciou o curto editorial da revista Manchete de 16 de agosto de 1969.

Era a edição especial com as fotos e narrativas da aventura que ficaria marcada como a mais fantástica da humanidade no século XX. A viagem da nave Apollo 11 ao satélite terrestre mexeu com as mentes do mundo, já tão mexidas no caleidoscópio de ideologias em que se transformou aquela década de sonhos.

A Lua deixara de ser um astro brilhante, solto na imensidão do espaço e de interesse apenas dos namorados e dos poetas que voavam em órbita de um parnasianismo sem fim. A morada de São Jorge e de misteriosas guerreiras selenitas virou o centro das atenções, o núcleo da galáxia. A Pedra da Lua ganhou notoriedade de jóias.

O impacto da notícia de um homem andando em solo lunar, a superação do percurso espacial, a cobertura midiática com as imagens da televisão, tudo isso mudou a vida sobre a Terra. A grande foto em duas páginas de Edwin Aldrin instalando um sismógrafo no chão da Lua era a consagração da raça humana.

Éramos os senhores do universo, uma minúscula espécie que conseguiu sair do seu mundo e viajar até outros, além das barreiras físicas e espaciais. A missão Apollo 11 conseguiu ser tema de todas as tribos filosóficas, dos executivos de Nova York aos universitários de Paris, dos militares brasileiros aos hippies de São Francisco.

Científica para uns, filosófica para tantos, bélica para alguns, profética para muitos e lisérgica para outros. Todo mundo tinha um motivo e uma história para narrar em torno da conquista da Lua. Eu, com apenas 10 anos, vivia o clima de ficção com figurinhas de astronautas e os episódios sempre emocionantes da série de TV Perdidos no Espaço.

Entre os dias 20 de julho, quando o módulo da Apollo 11 pousou na Lua, e 18 de agosto, o último dia do Festival Woodstock na cidade de Bethel, em Nova York, a humanidade viveu mais transformações culturais e ideológicas do que todos os anos vividos até aquele período do século XX.

Dali em diante, eu vi a revista Manchete algumas vezes até consegui-la em definitivo para meu acervo de velharias gráficas. Quando passei suas páginas aos vinte e poucos anos, já com uma idéia pré-formada do mundo, foi rápido perceber a diferença de impacto visual em relação à primeira vez, na infância.

São imagens espetaculares, um documento dos mais valiosos em toda a História do homem. Talvez só superadas pelas imagens televisivas, que, dizem, foram perdidas pela NASA. Por mais que existam as teses conspiratórias sobre a farsa cinematográfica montada pelos EUA, a viagem à Lua é um divisor de águas, ou de espaço.

Para as atuais gerações tão íntimas das mais incríveis tecnologias, acostumadas com a informática, o microcosmo dos chips, a ciência tornando real cada vez mais as coisas da ficção literária, talvez não entenda a grandeza e fenomenologia em torno do primeiro pouso de uma nave terráquea na Lua.

Neil Amstrong, o comandante da missão, provavelmente não sacou do improviso para lançar à História o comentário “Um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a humanidade”. Deve ter partido da Terra já com o slogan pronto, fruto do eficiente marketing que enleva a sociedade norte-americana.

Outra frase muito badalada de Armstrong e considerada enigmática durante mais de vinte anos após a alunissagem do módulo e seu pisar sobre os astros, foi “Boa sorte, Mister Gorsky”, um cumprimento ao voltar para a nave que sugeria a existência de um interlocutor com nome russo ou de outra nação do Leste Europeu.

Somente muito depois, quando a Lua já virara até destino turístico, o astronauta revelou o mistério do comentário. Ainda menino, ouviu uma voz feminina, vindo da casa vizinha dos seus pais, dizendo: “sexo oral, só quando o filho do vizinho pisar na Lua”. E naquele momento histórico e solene, lembrou e felicitou o marido da vizinha.

Cinco anos atrás, e quarenta depois do feito de Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins, voltei a folhear a velha revista Manchete. E no mundo atual das imagens digitais, dos megatelescópios revelando galáxias distantes, a emoção das fotos das câmeras Hasselblad, com lentes Zeiss Biogon, é a mesma do passado. Imutável como o prazer do casal Gorsky em cada casal de hoje e do futuro. (AM)

Que ano

Depois da queda da seleção, agora vem aí a subida da recessão e com uma nova goleada de 7 x 1, sendo 7% de inflação e apenas 1% de crescimento da economia brasileira. Os índices de desenvolvimento do governo Dilma similares ao quadro esportivo nacional.

Índices

Boletim Focus, do Banco Central, publicou estimativa de crescimento do PIB em apenas 0,97%, a primeira vez que a expansão da economia ficará abaixo de 1%. Pela oitava semana seguida, os analistas de mercado projetam baixos índices de avanço.

Médicos

A edição número 9 da revista Médicos, do Sinmed Brasília (sindicato da categoria), traz na capa uma foto de Dilma Rousseff solarizada em vermelho e preto e com a manchete “Todos contra Dilma”. É a reação da classe à perseguição do governo do PT.

Odebrecht

O agropecuarista e economista potiguar José Bezerra Junior estava na companhia do empresário Mauricio Odebrecht, no sábado passado, em Salvador, quando chegou a notícia da morte do patriarca da família, Norberto Odebrecht, fundador da construtora.

Odebrecht II

O mundo político e empresarial da Bahia, além de convidados de outros estados, estava reunido no tradicional leilão anual da Odebrecht quando Norberto faleceu, aos 93 anos. José Bezerra Junior havia sido convidado para hospedar-se na fazendo do grupo.

Almoço

O vice-governador Robinson Faria recebeu domingo na sua casa de praia a jornalista Iris Abravanel, mulher do apresentador Silvio Santos e sogra do seu filho Fábio Faria. Com ela, as filhas Rebeca e Renata, acompanhadas dos namorados Guilherme e Caio.

Figurantes

O jornalista Jânio Vidal observou bem numa postagem no Twitter. A maioria dos blogs de política do RN está exagerando em noticiar personagens sem importância no contexto eleitoral. Gente sem referência e sem voto no papel de agente político.

Seleção

A mídia inteira destacando desde sábado o retorno de Dunga ao comando técnico da seleção brasileira. A CBF, no entanto, ainda não emitiu qualquer posicionamento oficial sobre o fato, o que deverá acontecer na terça-feira. O que vier, não significará mudança.

Gols da Copa

A FIFA escolheu o gol de James Rodriguez contra o Uruguai como o mais bonito da Copa do Mundo 2014. E o craque colombiano emplacou outro gol, contra o Japão, como o terceiro mais belo. O de Van Persie contra a Espanha ficou em segundo.

Fã de Ronaldinho

O jogador colombiano Juan Cuadrado, um dos destaques da Copa 14, gostaria de trocar a Fiorentina pelo Barcelona, time que assistia na infância por causa de Ronaldinho Gaúcho, seu ídolo. Se vestir azul grená, vai ser adversário do amigo James Rodriguez.

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