60 anos do Pelé Branco
Na cabeça dos milhões de técnicos e analistas de futebol brasileiros, o único ponto em comum é o reinado perpétuo de Pelé como o maior jogador de todos os tempos. A partir daí, tudo muda, é um caleidoscópio de opiniões que torna o esporte bretão o oxigênio de uma nação.
Tendo a opinião sobre Pelé como um cordão umbilical que une todos numa mesma família, esses milhões de especialistas divergem em qualquer outro assunto futebolístico, começando pela escolha de quem seria o segundo depois do Rei.
Há os que acham que foi o Garrincha, os que teimam ter sido Maradona, os que juram que foi o Zizinho (aquele que inspirou o próprio Pelé), alguns muitos que querem o Beckenbauer, outros apostam no Di Stefano e no Puskas, e a FIFA diz que foi o Cruijff.
No debate para definir um vice-rei do futebol, a turba não poupa uma briga e muita saliva. Metade do Brasil se divide entre dezenas de candidatos. Aí o leitor pergunta: e a outra metade, não discute, não opina, ignora o ópio de um povo, a religião maior de um país?
E eu respondo: a outra metade, meus amigos, a outra metade é a torcida do Flamengo e mais um “outro tanto”, como diria minha mãe Dona Nenzinha. Nesse universo, a opinião é expressada em uníssono e não tem pirrepes, como “poetariava” o paraibano Zé Limeira.
Porque depois do “negão”, minha gente, só o branquinho Zico, a mais gloriosa representação divinal do futebol brasileiro depois do deus de Três Corações. Não à toa ele foi batizado pela imprensa inglesa de White Pelé, logo após derrotar o “real team” dentro do estádio de Wembley.
Zico não foi somente um herói e ídolo dos rubronegros. Conseguiu a fascinante proeza de ser amado pelos adversários, mesmo estes vendo nele a imagem assustadora do carrasco. Em Zico, os vascaínos, tricolores e botafoguenses sentiram em silêncio a “Síndrome de Estocolmo”.
Imaginem que ele quase despontou no Vasco, quando o Flamengo incorreu no desleixo de não servir lanche ao magrelo garoto de Quintino durante os treinos do infantil. Foi o médico Carlos Manta quem alertou a Gávea sobre uma “proposta alimentar” de São Januário, evitando assim a transferência.
Não há qualquer exagero na proximidade que se faz entre Zico e Pelé. Ambos se assemelham em jogadas e gols que não tem similares pelos quatro cantos do mundo em mais de um século de bola rolando. E aquilo que um não fez, está presente no outro, a locupletação dos gênios.
Pelé reinou, também, no Maracanã até os dias em que debaixo dos céus do Rio de Janeiro começou a brilhar a estrela de Zico. Eles dividiram a história do estádio no período pós Zizinho e Ademir Menezes. O rei negro nos anos 60/70, o príncipe branco nos 70/80.
E se Pelé conseguiu o feito imortal de cravar seu milésimo gol no gramado carioca, foi de Zico a supremacia nas tardes e noites do majestoso estádio, onde ali ele foi mais que um rei, foi um deus que provocou rezas e louvores em todas as torcidas.
Pelé jamais exibiu seu poder divino no mais importante templo de futebol da Europa, o estádio de Wembley. Mas ali, diante dos súditos de Elizabeth, Zico mostrou que o reino não escaparia de uma exposição da arte maior dos seguidores do próprio Pelé.
Louvemos aos deuses que permitiram o glorioso dia em que os dois reis do Brasil jogaram juntos no Maracanã, vestidos com a mesma camisa. Era 6 de abril de 1979 e os dois convocaram os súditos para uma noite solidária pelas vítimas de enchentes em Minas Gerais.
Elegante em todos os gestos, Zico cedeu a camisa 10 do Flamengo para Pelé, a camisa que ele cultuava por amor ao ídolo Dida, o craque alagoano que popularizou o número no Rio de Janeiro dos anos 50 e 60. Uma multidão de 139.953 pessoas encheu o velho estádio Mário Filho.
Do outro lado do campo, o Atlético Mineiro do rei Dario e do craque Toninho Cerezo. Foi uma noite com chuva de gols, com o Flamengo aplicando 5 x 1, sendo três de Zico, chamado na tela do Canal 100 de “novo monstro sagrado do nosso futebol”. O tempo parou para que dois deuses juntassem suas épocas.
O mundo inteiro consagrou o talento inigualável de Zico; em cada continente há os vestígios da sua divindade, há torcedores cultuando as lembranças dos seus gols maravilhosos. E se algum transgressor da História lembrar que Zico nunca ganhou uma Copa, eu contradito com o desaforo definitivo do jornalista Fernando Calazans: “azar da Copa”. (AM)
Quem diria?
Nos tempos da minha meninice, dizia-se em tom de picardia que ninguém iria conhecer um ex-papa ou um ex-viado. O terceiro milênio nem bem começou e já temos um papa aposentado, e o pastor Malafaia dizendo que consegue reorientar homossexuais.
Homossexualismo
“Alguém, afinal, precisa zelar para que preconceitos não invadam e conspurquem o universo de sufixos, prefixos e infixos. A batalha pode ser inglória, mas a causa é justa”. De Hélio Schwartsman, refutando a patrulha gay ao termo do título acima.
Cassação
A decisão de primeira instância tirando o mandato da prefeita Claudia Regina (DEM) agitou Mossoró e boa parte do RN ontem, inclusive a imprensa. É preciso esperar os recursos e principalmente um julgamento de colegiado, como o do TRE em Natal.
Sede vacante
Com o provável afastamento de Claudia Regina, como se comportará o camerlengo de Mossoró, que mesmo sem ter tanta confiança na prefeita se acha o gerente político da cidade oestana? Deve passar o fim de semana consultando os melhores advogados.
Economia
Confirmado o que se desconfiava desde outubro de 2012. O Brasil devolveu à Inglaterra a posição de 6ª Economia do mundo. O crescimento de apenas 0,9% do PIB é fato para os petistas gritarem “Chupa, Cuba, Honduras, Rodésia, Haiti, Sudão, Botswana!”.
Ditadura Castro
A jovem blogueira Rosa Maria Payá, de Cuba, está pedindo pelas redes sociais uma investigação internacional para o acidente automobilístico que matou seu pai, o dissidente Osvaldo Payá, cujo carro foi atingido por outro em alta velocidade.
O criminoso
Segunda-feira, setores do PT local darão pompa a presença de Zé Dirceu na cidade. Além de criminoso condenado por corrupção, não há nada de heroísmo neste senhor, que nos anos 1960 tentou implantar no Brasil uma ditadura comunista como em Cuba.
Cão de aluguel
O símio-militante vocifera nas redes sociais, carregando um saco de maçãs como quem acaba de invadir um supermercado às margens do esconderijo da favela. Se bem que não há quase nenhuma diferença entre o delinquente periférico e o militante inútil.
Rubens Lemos 40
A família do saudoso jornalista Rubens Lemos em Natal está recebendo muitos apoios de velhos amigos que conviveram com ele na militância política e na imprensa. Um livro com depoimentos sobre Rubão marcará os 40 anos do seu retorno do exílio.
Turismo
Dois telões exibirão 150 fotografias de Canindé Soares no 4º Forum de Turismo do RN, a ser realizado nos dias 13 e 14 de março, no Centro de Convenções de Natal. Na abertura do evento, o Coral da Fecomércio cantará músicas de autores potiguares.


