Ouro e eternidade

Futebol só tem graça quando emociona. A cerimônia de premiação do Bola de Ouro, do melhor jogador do mundo no…

Futebol só tem graça quando emociona. A cerimônia de premiação do Bola de Ouro, do melhor jogador do mundo no ano passado abriu as comportas da sensibilidade em dois instantes.

Quando entregaram o troféu à representação carnal de Pelé, o melhor acima de todos os tempos, galáxias, verdades, metáforas, sofismas e despeitos, a bola bateu palma com suas mãozinhas rechonchudas e invisíveis.

Aos 73 anos, a figura terrena do que nunca foi terráqueo, domina todos os cenários por onde pisa. As imagens de arquivo de 1958 comoveram na repetição enésima e inédita do  gol após o chapéu no zagueiro sueco e o sem-pulo numa decisão.  Não passava de  uma criança, 17 anos, leitora de revistas do Mandrake, dominando o planeta.

A Fifa entregou a Edson Arantes  o único mimo que faltava a Pelé. Justo, muito justo. Sacanagem foi ter mostrado a Copa de 1962 sem mencionar Garrincha, que a venceu para o Brasil. A Fifa também conseguiu a proeza de exibir um vídeo do Mundial de 1994 sem um gol de Romário, o  dono daquele time e denunciador das corrupções do futebol. Feio.

Cristiano Ronaldo foi anunciado o vencedor. E desabou. Ele mereceu por 2013. Seu grande ano. De afirmação como craque, carimbado pela exibição magnífica contra a Suécia no jogo da repescagem das Eliminatórias. Ele foi tudo de um jogador completo naquela partida em que marcou os três gols e conduziu seus companheiros como líder.

Cristiano Ronaldo, é preciso repetir, foi o melhor de um ano, como um dia Ronaldinho Gaúcho também chegou a ser.  O gênio mundial do futebol de hoje chama-se Lionel Messi e o poder intangível da supremacia histórica pertence e sempre será de Pelé.

De Pelé. Ainda  que o ótimo Diego Maradona esperneie e demonstre sua inveja patológica do Rei. Ontem,  deve ter berrado, vestido com a camisa de Fidel Castro: “Eu  quero, eu quero o troféu de Pelé!”.

Sempre exibicionista em suas aparições públicas, Cristiano Ronaldo deu o outro arremate de humanidade ao tom sempre cosmético desse tipo de evento. Surpreendeu. Ao discursar, ou quase, soluçando, não representava o estereótipo do super-homem da estética.

Homenageou, chorando,  dois mortos recentes:  Eusébio, a Pantera Negra de Portugal, maior craque do além-mar e Nelson Mandela, a resistência em martírio pela liberdade. Cristiano Ronaldo mostrou que o ouro de um troféu é menos reluzente que a grandeza de um sentimento natural de respeito e gratidão pelos que edificam a eternidade.

 

Radiosa
Fernanda Lima, Fernanda Linda, tomou pra si todas as atenções do Prêmio Bola de Ouro da Fifa. Radiosa como o sol da meia-noite.

Festival de contratações
Elogiei o ABC ao renovar com o técnico Roberto Fernandes. É ele, até agora, a referência do clube. O ABC, surpreendendo até o mais radical, está inchando seu elenco de apostas e jogadores desconhecidos trazidos por empresários. Já são mais de 15 contratados e nenhum com grande histórico.

A velha pergunta
O preço de quatro medianos não vale o de um jogador testado e comprovado? De um camisa 10 pronto, de um centroavante artilheiro? A matemática é exata. Tenho convicção de que o presidente em exercício José Wilson Gomes Neto irá dar um freio nesse festival de novidades que são apenas expectativas. O clube pode pagar caro no futuro.

Em campo
ABC e Alecrim se enfrentam amanhã no Ninho do Periquito em São Gonçalo do Amarante. O clássico ABC x Alecrim sempre teve um charme especial. Principalmente quando o América pediu licenciamento da Federação após o campeonato de 1959 voltando apenas em 1966, tudo para dedicar esforços e recursos para a construção de sua sede, a famosa Babilônia Rubra na avenida Rodrigues Alves.

O clássico
Na primeira metade da década de 1960, o clássico da cidade passou a ser ABC x Alecrim, com o Verdão formando grandes times que tinham jogadores do porte deu um Berilo Castro na defesa, de um Miltinho, de um Zezé, de um Galdino, Oziel. Time bicampeão em 1963 e 1964. Guerra de futebol ,paz e torcida vibrante no velho Estádio Juvenal Lamartine.
Última decisão

A última decisão entre ABC x Alecrim vai completar 28 anos em agosto. Foi em 1986, no bicampeonato alecrinense no Castelão, com empate por 0x0. De lá pra cá, o Alecrim passou a ser mero coadjuvante, sem assustar nem ABC ou América, com lampejos como a razoável campanha na Série C de 2010.

Amanhã
Dois times que ainda não empolgaram. O Alecrim empatou com o Globo, o campeão da segunda divisão que veio querendo atrapalhar os grandes.. O ABC empatou com o Palmeira de Goianinha e os comentários tornam-se dispensáveis. Pela tradição, vale a pena assistir.

Norberto
Norberto foi um excelente jogador no América e ninguém duvida. Mas daí a ser motivo para que criem um grupo de “viúvas”em torno dele é exagero. O América já vendeu ou deixou de ter Hélcio Jacaré, Marinho Apolônio, Silva, Garcia, Aluisio, Souza, Dedé de Dora, Ailton, Véscio. Sem nenhum demérito, muito maiores que Norberto. É limpar as lágrimas e procurar outro. Mas não qualquer outro.

Vitória
O foco americano é a estreia na Copa do Nordeste, domingo no Barradão em Salvador contra o Vitória. O rubro-negro baiano já está com o time-base praticamente escalado pelo técnico Ney Franco Wilson; Ayrton, Lucas Zen, Dão e Mansur; Cáceres, Escudero e Juan; Marquinhos, Pedro Oldoni e William.

Vai bem
Bati um longo papo com o ex-presidente do América, Jussier Santos, grande amizade herdada de Rubens Lemos, pai. Jussier foi um grande cartola, motivador, vencedor e solidário como poucos seres humanos em Natal. Ele está satisfeito com a fase interna do América. Para ele, o clube, “vai, bem, tem tudo para se sair bem em 2014″.

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