A agenda para 2015 – Walter Gomes

Na catequese para conquistar o voto, o candidato anuncia metas para despertar o eleitor. Embora desconfiado, o cidadão imagina o…

Na catequese para conquistar o voto, o candidato anuncia metas para despertar o eleitor. Embora desconfiado, o cidadão imagina o amanhã se o prometido for confirmado. O que foi dito no palanque eletrônico – o tradicional perdeu espaço – raramente coincide com a agenda real.

Prevê-se que na campanha deste ano a dicotomia seja maior. Isso porque a maioria dos brasileiros, segundo as pesquisas, não percebe os impasses que sublinham a economia. Ora, o índice de desemprego está baixo e há ganho real no salário – à parte, a inflação ascendente, registre-se –, “está tudo bem, então”, como disse ontem o ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT-SC). Não é bem assim.

O maior obstáculo da economia brasileira no governo Rousseff é o desacerto entre a receita tributária e o gasto público. A arrecadação avança 2% ao ano; as despesas crescem 6% no período.

Tal descompasso é mórbido: eleva a taxa de juros e diminui a poupança para escorar o investimento produtivo. Daí, o déficit das contas externas. Esse movimento circular encarece o preço do dinheiro. E o que se faz? Adota-se o câmbio apreciado. Para Bresser Pereira, ministro da Fazenda sob o governo José Sarney, a providência (?) mina a competitividade da indústria “e por aí vai”.

Fernando Bezerra, norte-rio-grandense de Santa Cruz que presidiu a Confederação Nacional da Indústria, foi senador e ministro da Integração Nacional (presidência Fernando Henrique Cardoso), sugere receita para reverter o viés:

“Com o aumento da poupança e da produtividade – do governo e das empresas -, o resto se adequa.”

Início da disputa

Sucessão em Minas Gerais.

Durante o lançamento da candidatura do PT a governador, ontem, na capital, a presidente da República deu o grito de guerra eleitoral.

“Os tucanos vão pro beleléu, chegou a vez de Pimentel”, entoou Dilma Rousseff, acompanhada pelo auditório.

Como Pimenta da Veiga, seu principal adversário, o petista Fernando foi prefeito de Belo Horizonte e ministro de Estado.

- Cinco é o número de partidos da coligação de apoio ao presidenciável Eduardo Campos. Começa pelo PSB e segue com o PPS. Os três outros são nanicos: PHS, PPL e PRP.

- Terça-feira, em São Paulo, lançamento do ‘Novo manual do marketing político’. Autor: Gaudêncio Torquato.

- Nos últimos cinco anos, três brasileiros ganharam o Prêmio Camões, maior troféu oferecido a literários dos países de língua portuguesa. Ferreira Gullar (poesia e crônica), em 2010; Dalton Trevisan (conto), em 2012; e, neste 2014, Alberto da Costa e Silva (história e ensaio).

- Quarta-feira, o plenário da Câmara deve referendar a aprovação dos senadores à indicação de Bruno Dantas para o Tribunal de Contas da União.

- Se dúvida houver, é pequena. Gilberto Kassab pode confirmar, a qualquer momento, a dobradinha dele (vice) com o governador (recandidato) Geraldo Alckmin (PSDB-SP). Kassab, duas vezes prefeito paulistano, é presidente nacional do PSD.

- Joaquim Barbosa organiza as anotações para iniciar a produção de livro memorial. O mineiro tem o que contar, desde Paracatu (MG), onde nasceu, a Brasília, palco irradiador do seu sucesso.

- Interesse eleitoral dos tucanos sobrepõe-se à aliança com o DEM, no Rio de Janeiro. O PSDB abandonou o democrata Cesar Maia. Está fechado o apoio da social-democracia à reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

- Bom fim de semana e até terça-feira. Segunda, você fica na companhia de Joaquim Pinheiro.

- Para refletir: “Venceremos se não tivermos desaprendido a aprender” (Rosa Luxemburgo, filósofa marxista polonesa).

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