A bestialogia do poder – Walter Alves

Em fevereiro deste ano, O PT realizou o seu V Congresso Nacional. No convite à militância, a legenda afirmava que…

Em fevereiro deste ano, O PT realizou o seu V Congresso Nacional. No convite à militância, a legenda afirmava que o governo central é alvo de campanha para desconstruí-lo. Havia uma referência a Lula da Silva. Citava “a tentativa da oposição” de incluir o ex-presidente na classificação ‘incapaz’ e ‘corrupto’. Na carta-circular, o comando partidário teve o desplante de comparar a estratégia dos opositores de hoje à utilizada para “desmoralizar e derrubar” Getúlio Vargas, suicida de 1954, e João Goulart, deposto 10 anos depois. Nada a ver os fatos de ontem com a situação de hoje, mas registre-se.

Agora, três meses depois, o petismo identifica uma realidade de óptica invertida: o “momento difícil dos adversários” da sigla que está há quase 12 anos no comando da República Surrealista dos Trópicos. Diz que a crise na oposição é determinada pelas derrotas consecutivas nas urnas e alimentada por falta (?) de propostas alternativas que possam modificar o cenário que lhe é desfavorável.

O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão – deputado estadual em São Paulo -, exagera no enquadramento. Cidadão de boas leituras e homem público bem informado, Falcão surpreende no descaminho de suas observações. Insiste em dizer – talvez aja assim na tentativa de revigorar o ânimo do púbico interno -que “as siglas de oposição estão sendo substituídas pelos meios de comunicação” e, também, por “corporações ou grupos incrustados em setores do aparelho estatal.” Trata-se do avesso de quem analisa sem engajamento e que, por isso, enxerga os erros dos agentes do poder e os equívocos da oposição.

Pós-escrito: Falcão opera para fortalecer os vínculos da plural coligação partidária, cujo desígnio é reeleger a presidente Dilma Rousseff. No primeiro turno inexiste dúvida: não acontecerá. No segundo, é cedo para avaliar.

Um gesto gentil

Governador de Santa Catarina esteve, ontem, no Palácio do Planalto.

Raimundo Colombo (foto), favorito a renovar o mandato, relatou a visita:

“Disse a Dilma que há lugar no meu palanque para ela falar aos catarinenses, quando lhe aprouver. A presidente da República ajudou a minha administração. E eu sou grato.”

Histórico adversário do PT regional, Colombo, um dos recriadores do PSD, é originário do PFL (o DEM de agora). No estado, a maioria de seu partido apoia o projeto eleitoral de Eduardo Campos (PSB).

Um dos entusiastas da candidatura de Campos é Jorge Bornhausen, ex-senador e ex-governador que foi um dos mais importantes presidentes nacionais do Partido da Frente Liberal.

- Renan Calheiros informou à senhora Rousseff que a reunião da executiva nacional do PMDB “foi positiva” para a aliança eleitoral de seu partido com o PT. Ou o senador-presidente do Congresso Nacional não entendeu o que foi conversado, bastante improvável, ou quis afagar a interlocutora, bem possível.

- A CUT (Central Única dos Trabalhadores) vai colocar suas bandeiras nas avenidas de Brasília. Objetivo: fortalecer o projeto de reeleição do governador Agnelo Queiroz (PT).

- O PMDB divide-se em quatro grupos, referentemente ao pleito federal. Um (a cúpula e seus seguidores) permanece ao lado da petista Dilma. O segundo fica com o tucano Aécio e o terceiro apoia o socialista Eduardo. O quarto bloco, com numerosos aficionados, aguarda os índices das próximas pesquisas de intenção de voto.

- Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), candidato ao governo da República, está em Curitiba para falar dos seus planos. Amanhã, a convite de associações sindicais e entidades estudantis, o senador visita Florianópolis.

- Interessante o livro que chega ao leitor brasileiro: ‘O mundo é plano – Uma breve história do século XXI’. Thomas L. Friedman assina a obra de 480 páginas. Preço: R$ 43. Loren, jornalista estadunidense, fala do período da ascensão dos países emergentes. Para ele, fase distinta da que chama “velha globalização”, quando havia benefício econômico “apenas para os que detinham privilégios”.

- Dois deputados federais acrianos concorrem ao Senado. Pelo PCdoB, Perpétua Almeida; pelo PP, Gladson Cameli. Disputa tende ao radicalismo.

- Freio no consumo. As vendas no varejo têm o maior recuo desde março de 2003. Há, portanto, 11 anos. Levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Além da inflação indomável e dos juros em alta, o brasileiro se assusta com as dívidas.

- Para refletir: “Nada é tão admirável na política quanto uma memória curta” (John Kenneth Galbraith, economista canadense).

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