A chance perdida
No conjunto, a governadora Rosalba Ciarlini completou dois anos. Mas, foi nos seis meses de vigência do decreto de calamidade pública na saúde a sua maior chance perdida para reconquistar a confiança da opinião pública e retomar um diálogo saudável junto à sua própria categoria que chega aos oito meses de um movimento grevista em estado de conflito e abandono. Agravado por um censo que pretende punir os profissionais da saúde, num esgotamento desastroso do ponto de vista político.
Na saúde, a rigor, o governo erra desde o primeiro dia. A médica Rosalba Ciarlini, no período de sua campanha como candidata, já sabia da gravidade que o então governador Iberê Ferreira tentou amenizar ao criar às pressas o hospital Ruy Pereira. Sabia tanto, por ser médica e visitado algumas vezes o Walfredo Gurgel que soube usar o quadro de desgaste, aprofundando a ineficiência adversária. Ao assumir, estranhamente, passou a subestimar a gravidade que denunciara de forma contundente.
Pior: passou a remendar esse tempo todo com retalhos paliativos um quadro gravíssimo a ponto de decretar, de próprio punho, o estado de calamidade. Cuidou de tudo do ponto de vista do marketing: fez da assinatura do decreto um espetáculo propagandístico e articulou uma bem urdida manifestação de apoio das principais entidades responsáveis pela defesa da cidadania, como o Ministério Público e a OAB, confinando em seu próprio gabinete uma força de qualidade que deveria ficar ao lado sociedade.
Seis meses depois, soçobram no convés do navio governamental o próprio governo e todas as entidades que emprestaram nome e tradição, mesmo sob o protesto inútil desta coluna, contra quem se ergueu uma intolerância amadora e emocional dos que, flagrados no erro primário, alegavam como jurisprudência o mesmo erro cometido pelos outros signatários de um governismo inconseqüente. A hoje decepção coletiva poderia acontecer, mas não precisaria ser com um grave silêncio de omissão.
Dispensado pelo estado de calamidade das formalidades legais para adquirir os medicamentos e equipamentos, e remunerar contratos emergenciais, afinal o objetivo era prestar assistência de saúde, a opinião pública assistiu faltar tudo. Enquanto o governo mergulhava na campanha política de Mossoró, sua fortaleza eleitoral, e lá despejava milhões para a reforma do estádio de futebol, teatro e construção da estrada para o balneário de Tibau, num escancarado aparelhamento eleitoreiro de um Estado doente.
Agora, quando não há mais como tapar o sol da opinião pública com a peneira das desculpas, o governo anuncia o fim do estado de calamidade diante de uma calamidade pior. Perdulário, consumiu dois anos sem cumprir seu dever. Médica, a governadora sabe que tem hoje uma saúde em estado de absoluta convulsão e descontrole. E dos mais experientes aos mais novos urgentistas, todos estão sob o efeito de uma nova caça às bruxas, ardilosa e inútil. Com o mal vencendo o bem. E sendo festejado.
PROVA – I
O texto desta coluna sobre a calamidade na saúde estava escrito quando chegou a notícia do bloqueio de mais de 990 mil reais decidido pela Justiça para abastecer os hospitais que cuidam da emergência.
EFEITO – II
O fato mostra a má gestão do governo, para não chamar de má fé, e demonstra que há dinheiro para comprar remédio e não deixar o povo morrendo nos corredores dos hospitais. Estamos diante do caos.
ALIÁS – III
Numa coisa o governo tem tido todo esmero: em manter o caos que promove na saúde na grande pauta do Jornal Nacional. Durante a calamidade apareceu três vezes e todas, convenhamos, em grande estilo.
CRIME
O trânsito da Bernardo Vieira é tão caótico que já entrou na fase de provocar tragédias e mortes. É uma das piores ideias já implantadas no Brasil. O novo prefeito bem que já poderia corrigir seu grave erro.
DESTAQUE
Um ensaio de Paulo Araújo sobre o mundo dos anônimos na Assembleia Legislativa e outro com as imagens da casa que pertenceu a Tavares de Lyra ilustram a revista da AL na edição anual de 2012.
BISPO
Padre Limacedo Francisco da Silva é um dos nomes a bispo de Caicó. É mestre e doutor em Teologia, hoje pároco em Paudalho, diocese de Nazaré da Mata. Com excelente formação intelectual. É negro.
LEITURA
A professora Isaura Rosado, secretária de cultura, está convencida de que o governo vai soltar nas ruas cerca de 500 agentes de leitura nas suas bicicletas levando livros a quem desejar. Que eles apareçam.
PRESENÇA – I
Frederico Pernambucano cita Octacílio Alecrim no seu ensaio biográfico sobre ‘Benjamin Abrahão: entre anjos e cangaceiros’, quando visitou o padre Cícero Romão Batista para o Diário de Pernambuco.
IRONIA – II
A viagem de Octacílio foi em fevereiro de 1933, ele ainda aluno da Faculdade de Direito do Recife, e tem título irônico, pouco comum naqueles anos de grande fanatismo: ‘O desencanto de Macunaíma’.
DETALHE – III
Ao visitar o padre, venerado pelo povo como santo e vigiado pelo olhar desconfiado de Roma, ele observa: ‘Francamente, com um turco e uma vitrola, não há messias que possa ser levado a sério …”.
CARTA
De Débora, filha de Robério e Margarida, a carta que fez dirigida à secretária Isaura Rosado apelando para a Secretaria de Cultura manter o Centro Experimental de Formação e Pesquisa Teatral. Leiam:
Natal (RN), 13 de Novembro 2012.
Cara Professora Isaura,
No jornal Tribuna do Norte, de 13/11/2012, tem uma matéria que fala do espaço do Centro Experimental de Formação e Pesquisa Teatral. A matéria diz que vão usar o espaço do Centro para guardar 100 mil livros da Biblioteca Câmara Cascudo, onde vai começar uma reforma.
Estamos tristes com essa notícia, porque até hoje, nós que fizemos oficina no Centro Experimental, ficamos esperando que ele voltasse a funcionar no mesmo lugar, ou em outro local.
Faz três anos que o Centro Experimental está fechado, que nós ficamos sem oficinas de teatro. Fomos prejudicados e ficamos sem fazer nada para mudar essa situação, pois quem pode fazer é o Governo, que até agora, não reabriu o Centro Experimental, que prepara atores e atrizes da nossa cidade de Natal e do Estado do Rio Grande do Norte. Nosso estado precisa formar atores e atrizes para se apresentar fazer boas produções teatrais. Para isso, precisa ter oficinas de teatro em Centros Experimentais.
Pedimos que a senhora, como Secretária de Cultura, veja com a Governadora, jeitos de reabrir o Centro Experimental e assim dar oportunidades para as pessoas que querem estudar para ser atores e atrizes.
Ficamos esperando a sua resposta sobre o assunto.
Atenciosamente,
a) Débora Araújo Seabra de Moura
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