A cor da realidade – Walter Gomes

Mais do que previsível, desenha-se a certeza. A cada pesquisa, confirma-se o segundo turno da eleição para a Presidência da…

Mais do que previsível, desenha-se a certeza. A cada pesquisa, confirma-se o segundo turno da eleição para a Presidência da República. Ora, nem Lula da Silva, engenhoso populista referência de uma época, conseguiu a unção nas urnas da primeira fase. Depois de duas derrotas consecutivas na disputa com Fernando Henrique Cardoso, outro destaque político da Nova (?) República, o petista bateu os tucanos José Serra (2006) e Geraldo Alckmin (2010).

Dilma Rousseff deve ser promovida à etapa decisiva: 26 de outubro. Até lá, porém, a recandidata vai participar de corrida com barreiras. Na pesquisa do Ibope, divulgada nessa quinta-feira, ela recuperou três pontos percentuais se o índice for comparado ao levantamento de abril.

Há, entretanto, dados negativos que não têm sido destacados. Conforme os números de agora, 47% das pessoas entrevistadas aprovam o governo Rousseff, mas 48% reprovam. Além de liderar o quesito ‘rejeição’ e ter perdido, três anos depois da posse, lugar de honra no palco das mudanças, ela acaba de ser informada pelos resultados da sondagem do Ibope que 51% do universo consultado não confiam na presidente do Brasil.

Número é oficial

Governo confirma tendência de alta na inflação.

Mas, nos cálculos do Ministério do Planejamento, o índice será menor que o do ano passado.

A previsão referente a 2014 passou de 5,3% para 5,6%.

Em 2013, fechou na casa dos 5,91%.

Surpresa da hora

Governador tucano de Goiás elogia a presidente da República.

No contraponto aos protestos de sindicalistas e estudantes durante a passagem de Dilma Rousseff por Anápolis, segunda maior cidade do estado, Marconi Perillo (foto) entoou, ontem, loas à visitante.

Ao agradecer a inauguração do trecho da Ferrovia Norte-Sul, que deveria ter ocorrido em 2010, conforme prometera Lula da Silva no seu primeiro mandato, o anfitrião enalteceu a visitante.

Destaque do discurso de Perillo:

“A senhora é uma grande estadista, uma grande republicana. Tem o meu profundo respeito, a minha gratidão e a dos goianos. A senhora é íntegra. Merece, portanto, o meu reconhecimento público.”

‘Pós-escrito': Amplia-se o cenário da reeleição de Marconi Perillo, por dois motivos. Primeiro: desistência do pré-candidato do PMDB, empresário Júnior Friboi; segundo: o principal concorrente agora passa a ser Antônio Gomide. O ex-prefeito de Anápolis concorre sob a bandeira do dividido PT.

– Marina Silva, a vice de Eduardo Campos, comenta a pesquisa do Ibope: “É hora de ouvir e compreender os sentimentos que o povo expressa; de dialogar com a indignação para que seja energia de mudança, antes que se torne repetição da queixa. Enfim, recolher os desejos como um buquê de esperança”.

– Flagrado ‘arranjo’ na contabilidade do Ministério da Fazenda. Para cumprir a meta de superávit primário nas contas públicas deste exercício fiscal, o governo vai usar receitas atípicas.

– Chega às livrarias a última obra do historiador inglês Tony Judy: ‘Pensando o século XX’. O autor mapeia problemas que levaram a sociedade a preocupante estágio político e moral. Páginas: 440. Preço: R$ 49.

– Líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha abre o jogo. A legenda lidera no Rio de Janeiro aliança pluripartidária de apoio a Aécio Neves para o Palácio do Planalto e à reeleição do governador Luiz Fernando Pezão, peemedebista.

– Exangue, a CPI da Petrobras no Senado despede-se sem choro nem vela. Para o lugar do decepcionante colegiado, entra em atividade, como desejava a maioria do Congresso, Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

– Dez congressistas do PMDB avançam no entendimento com o presidenciável Eduardo Campos. Dois senadores já acertaram: Pedro Simon (RS) e Jarbas Vasconcelos (PE). Ricardo Ferraço (ES) está a caminho. Deputados: Alceu Moreira, Darcísio Perondi e Osmar Terra, gaúchos; Fábio Trad e Geraldo Resende, de Mato Grosso do Sul; Danilo Forte (CE) e Raul Henry (PE).

– Para refletir: “Errar é humano. Culpar outra pessoa é política” (Hubert H. Humphrey, político estadunidense).

 

 

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