A doença do amor
Os que amam demais, Senhor Redator, de um amor sem medidas, agora ganharam um nome e se chamam Hades. Que as mulheres são assim, algumas delas, sempre se soube, e alguns até sabem compreendê-las. Muito mais terrível é a doença do amor quando assalta o coração dos homens. Hoje tem livro no Brasil – ‘Hades, Homens que amam demais’, da psicanalista Taty Ades, pesquisadora do Hospital das Clínicas, de São Paulo, doutora na estranha doença que escraviza por excesso de amor.
Reclamar, não reclamaria. Sei dos perigos do amor em coisas que li e histórias que ouvi, mas confesso que nunca imaginei fosse tão terrível a dependência química do amor. Há uma pastoral dos doentes do amor e há grupos assistidos por movimentos de apoio aos que sofrem. Segundo um texto publicado pela revista Cláudia, de Maria Laura Neves, é a dor do amor. Dos que, diante de um ‘não’ da mulher desejado sofrem um transtorno de alma que acaba sendo impossível viver sem esse amor.
Maria Laura Neves entrevistou um rapaz que para efeito de proteção da identidade, nomeou-se Werther, depois de descobrir que a única mulher que ele ama jamais será sua. Como o verdadeiro, aquele nascido da criação genial de Goethe, um livro de 1774, o Werther brasileiro encontrou no personagem clássico os mesmos tons biográficos que tingem sua própria alma. E ama tanto, declara, mesmo diante de todas as impossibilidades, que para vê-la feliz é capaz de deixá-la livre do assédio.
Ora, Senhor Redator, se na mitologia Hades, senhor dos infernos e do mundo dos mortos, não resiste e rapta a bela Perséfone, nos Hades de hoje, humanos e frágeis, a força do amor é ainda mais invencível. Por isso alguns sonham que um dia o amor será correspondido e se humilham diante das deusas perversas. Um deles, desempregado, acabou cobrado por não ajudar em casa. Outro desistiu. E confessa: cansado de ver sua miséria exposta por ele nos bares. Mas sofre a dor do amor até hoje.
Um dado é real: o avanço do poder econômico das mulheres. Hoje, informa a matéria, 37,4% dos casais são chefiados pela mulher, ‘o dobro de 15 anos atrás’. Pior: os homens, cada dia mais, não conseguem ter relação saudável com mulheres mais inteligentes e ricas, de boa formação intelectual. Os homens não são mais tão machões. Frágeis, confessam queixas amorosas e fracassos, hoje com um mando manso na medida em que não são mais os provedores insubstituíveis na mesa e na cama.
Mas, esses Hades não pagam em vão o preço da dor. Para os psiquiatras e psicanalistas tudo é resultado de uma carência emocional. ‘Em geral esses homens tiveram relações complicadas com a mãe e transferiram o complexo para a vida amorosa. É um vício e eles repetem o padrão’, afirma Taty. Já as Madas, afirma a matéria, não são assim. Se ligam a um só homem numa relação doentia. Eis a alma humana no formidável mundo novo, Senhor Redator. Sempre nova de tão instigante.
PESO – I
Pode ser um erro a estratégia do deputado Henrique Alves de desconhecer e até subestimar denúncias que se acumulam na imprensa nacional. E não adianta tentar desqualificá-las. É preciso enfrentá-las.
PIOR – II
Desta vez a revista IstoÉ seguiu o rastro de fogo da Folha de S. Paulo e lançou uma denúncia com o que classificou de ‘Os negócios suspeitos do deputado Henrique Alves & Cia’. Um tiro pesado forte.
LUTAS -I
Este 2013 é o das grandes disputas das maiores contas publicitárias do mercado local. Do governo, mas também da Prefeitura de Natal, Assembleia Legislativa e prefeituras de Mossoró e Parnamirim.
PRAZO – II
O governo renovou o contrato que vigora desde o início do segundo governo Wilma, no valor total de R$ 23 milhões, mas terá que fazer nova concorrência este ano para o marketing até junho de 2014.
ESPAÇO – I
A Fundação Rampa terá espaço na sede histórica da Rampa quando da instalação do museu. Aliás, é justo. O grupo de pesquisa da Fundação Rampa poderá enriquecê-la com acervos e documentações.
EXPO – II
Ontem, domingo, como presença simbólica, o colecionador Marcos Fernandes exibiu uma pequena parte do seu acervo de aviões do período pré-segunda guerra. Inclusive as réplicas dos dois Zepelins.
JOGO
Os empresários do transporte venceram os quatro anos da gestão Micarla de Sousa sem concorrência das linhas de ônibus, mantendo na prática um cartel que tem desafiado o Ministério Público. É luta.
LIVRO
João Felipe da Trindade lança segundo volume das ‘Notícias Genealógicas do Rio Grande do Norte’, edição da UFRN. Um acervo de documentos e registros históricos reunido em trezentas páginas.
VALEU!
Débora Seabra brilha no Portal G1, da Globo. A Entrevista conta sua experiência como professora de alfabetização na Escola Doméstica. A vitória da inteligência ultrapassando os limites convencionais.
MISSA
O professor Dalton Melo gostou de saber que seu artigo publicado neste JH em agosto de 2002 sobre a missa nos tempos de hoje tem a mesma opinião do bispo de Umuarama transcrito aqui no sábado.
PRESENÇA
O Festival Literário de Parati este ano terá versão internacional, a FlipSide, em Snape Maltings, costa Leste da Inglaterra. Autores e livros brasileiros e as homenagens a Vinícius de Morais e Tom Jobim.
ESTREIA
Será dia 15 a estreia do natalense Alan Severiano – filho de Joaquim e Rejane, do Bazar do Sertão – como novo correspondente da Globo em Nova Iorque, o posto mais cobiçado do jornalismo nacional.
SAUDADE
O empresário José Bezerra Júnior acertou ao escolher Renato e seus blues caps para animar a festa dois seus 60 anos. Sua geração foi aquela que dançou iê-iê-iê nos assustados. Dia 8 na sua fazenda.
PERDA
A morte de Gonzaga Chibinho, professor da UERN e seu ex-reitor, é a perda do pioneiro que fundou em Mossoró um mercado livreiro. Além de ter feito política num eleitorado fechado para natalenses.


