A gripe espanhola no Brasil – Elísio Augusto de Medeiros e Silva, empresário, escritor e membro da AEILIJ (elisio@mercomix.com.br)

A gripe ou influenza, ao lado do tifo, varíola, sarampo, malária, febre amarela, figura entre as mais graves e disseminadas…

A gripe ou influenza, ao lado do tifo, varíola, sarampo, malária, febre amarela, figura entre as mais graves e disseminadas doenças infectocontagiosas que, trazidas pelos invasores, conquistadores e colonizadores europeus, propagaram-se por todo o território brasileiro e dizimaram as populações nativas – como não tinham imunidade à doença, muitas tribos indígenas foram extintas do Brasil.
Segundo Luis Palacín: “O que afirmavam os missionários, com respeito à religião, que os índios eram como um papel em branco onde se poderia escrever qualquer coisa, poderia aplicar-se talvez com maior razão no campo da patologia médica”.
Um dos primeiros registros de epidemias no Brasil data de 1552, quando uma epidemia teria ocorrido em Pernambuco. Por essa mesma época a Bahia também foi atingida pela influenza epidêmica. O Rio de Janeiro e o Espírito Santo vieram a conhecer a moléstia em 1559. Mais de duzentos anos depois, os surtos de gripe continuavam a matar. Em 1786, um surto da doença foi notado por um médico na capitania de São José do Rio Negro.
Nos primeiros meses de 1835, uma nova manifestação epidêmica da moléstia foi observada no Rio de Janeiro, que foi descrita pelos médicos da época como sendo “febre catarral”, e entre os seus sintomas estavam vertigem, dores de cabeça e febre violenta.
O médico Joseph Sigaud constatou que, se a moléstia ultrapassasse uma semana de duração, provavelmente, sobreviriam complicações pneumônicas, o que vitimava principalmente a população infantil atingida. Mais a frente, em 1846, batizada com o nome de patuleia, uma epidemia gripal afligiu novamente o Rio de Janeiro e outras regiões brasileiras. Posteriormente, em 1852, 1862, 1865 e 1867, novas epidemias de gripe foram observadas no Rio de Janeiro.
Em fins do século XIX, 1889-1890, uma onda pandêmica de influenza, que atingiu a Europa, também chegaria ao Brasil. Um navio procedente de Hamburgo atracou em Salvador, trazendo a bordo doentes infectados que foram liberados por alguns dias, período suficiente para que metade da população da cidade ficasse enferma. De Salvador, a doença disseminou-se por todo o País.
Em 1893, Edgar de Cerqueira Falcão aborda sobre a presença da doença no Brasil.
No início do século XX, em 1902, uma nova epidemia de influenza foi registrada no sul do País, em Porto Alegre.
Em setembro de 1918, com o nome de Gripe Espanhola, a doença chegou ao Brasil. Em novembro desse ano, a revista “Máscara” de Porto Alegre publicou a seguinte nota: “Essa enfermidade toma diversos nomes, segundo os lugares, e, pelo horror que todos os países lhe têm, dão-lhe em geral uma origem estrangeira. Assim, na Rússia chamam-na de Febre Siberiana, e na Sibéria de Febre Chinesa. Na França é Catarro Espanhol (ou a Peste da Senhora Espanhola); ao passo que na Espanha foi batizada com o nome de Febre Russa”.
No Brasil, foram registradas aproximadamente 300 mil mortes relacionadas à epidemia. A Gripe Espanhola vitimaria, estimativamente, 20 milhões de pessoas, ou 1,5% de toda população mundial da época. A doença dizimaria mais vítimas do que a Primeira Guerra Mundial e foi, sem dúvida, uma das mais devastadoras pandemias da história.

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