“A História dos Amantes” estará em cartaz nesse fim de semana no TAM

Trata-se do primeiro texto e direção do ator Marcelo Serrado; medos e inseguranças do homem moderno estão em pauta

Conr6

Conrado Carlos

Editor de Cultura

Você entra no site do Teatro Alberto Maranhão (www.teatroalbertomaranhao.rn.gov.br) para saber o que está em cartaz. A simplória home informa três eventos realizados duas, três semanas atrás. No link Programação – Espetáculos, nada de fotos ou adereços. Fundo preto para uma fonte básica, que informa em três linhas conteúdo, preço, data e horário das peças, shows e demais atrações. Falha grave diante da concorrência. Somente no final da página sabemos que sábado e domingo (21h e 19h, respectivamente), uma das comédias de maior sucesso no país será apresentada em Natal. Primeiro texto e direção do ator Marcelo Serrado, A História dos Amantes vai fundo na intimidade dos tormentos masculinos através do humor e da música. Sem a chancela de ser um musical, a peça é sonorizada por uma seleção elaborada pelo próprio autor. “Todas as músicas foram escolhas minhas pois tinha a ver com o fio narrativo da peça”, respondeu Marcelo, via e-mail, de Cannes, na França, onde participa do famoso festival.

Usar o sorriso como forma de refutar medos e inseguranças diante da crescente autoconfiança que acomete mulheres pode ser uma boa saída. Escalados para os papéis dos três marmanjos, bem como da banda feminina da encenação, os atores Anderson di Rizzi, Daniel Rocha e Hugo Bonemer oferecem com seus personagens Zé, Hugo e Luiz vivências pessoais dolorosas para machos feridos. Tudo a partir de um bar em que tocam com a banda que formaram. As histórias, contadas com humor e despretensão, são alinhavadas pelos temas musicais interpretados ao vivo. Com Daniel no violino, Hugo no violão e Anderson com o carron, o trio passa por um repertório que vai de Cazuza a Beatles (mas tem Chitãozinho e Xororó). Além disso, tem participações especiais na locução em off de Françoise Forton, que faz a mãe de um dos amigos, e do já saudoso José Wilker, morto dia 05 de abril, que logo no início do espetáculo contextualiza a história. “Um grande cara, amigo e artista!”, diz Marcelo.

A narrativa parte dos primórdios da humanidade, com o homem falando do sexo oposto e que, desde os mais remotos tempos, já disputava as mulheres – a partir daí, tudo gira em torno do amor, da traição, da cumplicidade. “Vários atores escrevem como Marcos Caruso, Fabio Porchat, Miguel Falabella. No meu caso foi natural isso acontecer, sempre tive essa vontade mais faltava coragem e agora ela veio”. Na tela da Rede Globo desde a segunda metade dos anos 1980, Marcelo tem 46 anos de idade e levou cerca de 365 dias em todo processo de concepção de A História dos Amantes (entre roteiro, escolha do elenco, ensaios e montagem final). Hoje a peça percorre o Brasil, sempre com grande sucesso de público. Ainda que mudar de função tenha seus prazeres e percalços, ele garante conviver bem com possíveis críticas (um ator de escreve e dirige é visto com desconfianças, em seus primeiros atos). “Vários atores escrevem como Marcos Caruso, Fabio Porchat, Miguel Falabella”.

Apesar de ser “uma visão masculina” das relações, as mulheres são destacadas na peça. Amores, rompimentos e personagens engraçados permearam a carreira de Marcelo Serrado tanto na televisão, como na vida pessoal. Se Gabriel Garcia Marques dizia que seus histórias eram mentiras criadas por sua mente fértil, parte significativa dos autores confirma a ligação umbilical com o exposto. Marcelo adota o meio termo. “Um pouco sempre tem [assuntos autobiográficos]. porém fui mais no cotidiano das relações e nas loucuras das estórias de amor que vi, que ouvi e que inventei”.

Compartilhar:
    Publicidade