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A Kind of Miller

Data: 04 janeiro 2013 - Hora: 11:26 - Por: Conrado Carlos

Em 2011, São Paulo teve o prazer de receber um dos gênios do jazz: o contrabaixista, compositor e produtor Marcus Miller, um sujeito que foi durante um bom tempo, o titular da banda de Miles Davis. Durante o BMW Jazz Festival, evento que teve a cobertura d’O Jornal de Hoje, ele foi um dos nomes mais aguardados – e não decepcionou, fazendo em um show histórico. Superstar em um instrumento difícil, muitas vezes um mero coadjuvante na formação de banda, tocou na íntegra o álbum “Tutu”, clássico do próprio Miles, gravado à época (1986), com Miller no baixo.

Agora, o nova-iorquino de 53 anos nos brinda com Renaissance, décimo quinto disco na etapa solo de uma carreira que se estenda por dezenas de trabalhos – foram seis com Davis, quatorze com David Sanborn e até uma vez com os Bee Gees. Das treze faixas, sobram homenagens para astros pop como The Jackson Five (“I’ll Be There”), Janelle Monáe (“Tightrope”) e a Ivan Lins (“Setembro”, imortalizada pelas bandas de lá na voz de Quince Jones). A técnica apura de tapas e slaps conduz o suingue e a cadência do multi-instrumentista que também já tocou com Herbie Hancock, Eric Clapton e foi integrante da banda do programa Saturday Night Live nos anos 1970.

Um dos principais nomes do jazz moderno, Marcus Miller convocou jovens músicos, como os trompetistas Sean Jones e Maurice Brown, o saxofonista alto Alex Han, o baterista Louis Cato, os guitarristas Adam Agati e Adam Rogers, e o tecladista Kris Bowers, para uma união entre clássica e inovadora com os veteranos Federico Gonzalez Peña eBobby Sparks. O disco vale o quanto cobra, com temas emotivos, sincopados, funkeados. Nesse profundo registro, o baixista estabelece um novo marco em sua obra. Para aficionados ou curiosos, “Renaissance” é puro encantamento.

 

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