A receita contra a pachorra – Walter Gomes

Deve vencer a eleição para governador do Rio Grande do Norte o candidato que mostre como vai rever a forma…

Deve vencer a eleição para governador do Rio Grande do Norte o candidato que mostre como vai rever a forma de administrá-lo. Além da competência, será examinada a sua credibilidade para cumprir o programa e a sensibilidade dele para escolher o secretariado que vai participar da reconstrução.

Três vezes prefeita de Mossoró com desempenho entre bom e razoável, Rosalba Ciarlini (DEM) decepcionou na travessia do poder municipal para o estadual. A passagem dela pelo Senado, antes de chegar à chefia compartilhada do Executivo regional, pouco lhe rendeu como aprimoramento político.

A senhora Ciarlini não chegou ao poder potiguar porque governara a segunda mais importante cidade norte-rio-grandense. Ganhou o ‘trono’ porque teve o aval de José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi Alves, filho (PMDB). Ambos foram prefeitos da capital, governadores duas vezes e senadores reeleitos.

Equivocaram-se na opção. Agripino, engenheiro, e Garibaldi, advogado, armaram um novo palanque de sucesso em 2010. Mantiveram a cadeira senatorial e levaram a tiracolo a médica pediatra à governadoria. Herdeiros dos clãs Maia e Alves, eles são aliados agora, mas foram desaforados adversários. Colecionadores de vitórias, os dois perderam, entretanto, um embate nas urnas. Ocorreu quando tentavam a terceira governança. Em 1998, Agripino perdeu para Garibaldi. Em 2006, Wilma de Faria (PSB), hoje vice-prefeita de Natal e postulante ao Senado pela coligação com democratas e peemedebistas, reelegeu-se governadora ao derrotar o vencedor de oito anos antes.

Os prováveis candidatos à sucessão de Rosalba e parceria – Henrique Eduardo Alves (PMDB) e Robinson Faria (PSD) – são eficientes articuladores políticos, mas em gerenciamento público são iniciantes. Presidente da Câmara dos Deputados, onde praticamente tudo depende do ‘aprovo’ da mesa diretora, Henrique foi atabalhoado secretário de Estado. Robinson é um vice-governador que administra apenas o seu esvaziado gabinete.

Acerto de contas

Dilma Rousseff referida pelos principais adversários.

Após dizer que a Presidente “frustrou o Brasil”, Eduardo Campos bate, sem identificar quem, na equipe de auxiliares: “Não se pode colocar bandido no governo.”

Fala de Aécio Neves: “É baixíssimo o padrão ético do governo.”

Lula da Silva (foto), patrono da senhora Rousseff, rebate com uma pregação desatinada:

“Ela vai ser reeleita para a desgraça das elites.”

Mudou o cenário

Agora, com a aceitação do Planalto, avança a CPMI da Petrobras.

Faça-se justiça plena: foi o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), apoiado na maioria pluripartidária da Casa, quem conseguiu a concordância do estado-maior do Executivo.

No Palácio, defendia-se comissão de inquérito composta exclusivamente por senadores, mais fácil de ser administrada.

Embora defendesse a posição do governo, o número um do Senado, Renan Calheiros, peemedebista de Alagoas e ponta de lança do situacionismo no Congresso – ultimamente em grau maior ao de Alves -, não demonstrou contrariedade diante da nova situação.

– Everaldo Pereira, presidenciável do PSC, assume o discurso conservador. Tem 3% das intenções de voto e acredita em 10% entre agosto e setembro.

– Nesta terça-feira, Marco Aurélio Mello (fluminense) passou a José Dias Toffoli (paulista) a presidência do TSE. Gilmar Mendes (mato-grossense) assume a vice da Corte Eleitoral.

– Concordância sem restrições. Será em Brasília a convenção do PSB, para oficializar a chapa Eduardo Campos-Marina Silva ao Planalto. Data a marcar.

– Hoje, Dia da Abolição da Escravatura. A data tem significado que se amplia a cada passagem do tempo.

– Amanhã e depois, XVI Marcha a Brasília. Juntam-se aos prefeitos pelo menos dois aspirantes ao Planalto: Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

– Para refletir: “A arte é uma arma na batalha de ideias” (Amiri Baraka, escritor e poeta estadunidense).

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