A SEPARAÇÃO DO MATUTO
Olá, minha gente! Antes de entrar no causo de hoje, que deveria ter sido o de sábado passado, mas eu “caguei na rabichola” e mandei a matéria equivocadamente; quero pedir-lhes, desculpas pela “cagada de pato” que dei semana passada; e licença para homenagear a musa dos meus versos e minha insecável fonte de inspiração; minha namorada, mulher, companheira, mãe, amante e mais uma ruma de coisa boa; minha Adele, que hoje está aniversariando; mas quem está de parabéns sou eu, por tê-la ao meu lado… Minha fia: Você é o amanhincê,/ após noite tenebrosa./ O só briando de nôvo,/ in prena menhã chuvosa;/ na macieiz do viludo,/ da pétala de uma rosa… Te amo!
Pronto! Agora, “ramo surrí”, né ?! Intonce; lái vai mecha!
O matuto é um ser humano tão desprovido de maldade no seu coração, de uma pureza tão cristalina, que consegue arranjar motivo para sorrir até das suas próprias dificuldades, que muitas vezes se acumulam em Pg, progressão geométrica (valei-me meu querido Professor João Faustino, de quem tenho muito orgulho em ter sido aluno…). Pois é, minha gente! Esse “leriado” é a porta de entrada do nosso causo de hoje. Nuis tempo de antigamente, quando soutian inda era “califon” e King Kong ainda era um “sonhíin”; homens e mulheres, nos seus casamentos, eram de uma seriedade muitas vezes até “machucante”… Falar em sexo na frente dos filhos; nem pensar… Um simples beijo na boca, era motivo suficiente para a obrigatoriedade de um casamento. Uma “lapimbochadazinha de leve”; nem em sonho; podia dar até em morte. O rapaz, quando roubava uma moça. “era moça mêrmo”; tinha cabaço in todos uis buraco do côipo; só num tinha nuis zóio, pruquê chorava p’ru quaiqué bestêra… E tem mais, assim que roubava a dita, cuja, referida (como diria o saudosíssimo Cel. Ludrugero); o rapaz guardava-a na casa de uma família de sua confiança, enquanto resolvia a questão com a família da pretensa noiva. Da casa daquela família, a moça só saia para o cartório ou para a igreja… Pois bem, conta a sabedoria do Zé Povo, que um casal criado nesses padrões de comportamento, brigou e resolveu se separar. O homem, se era “grosso qui só papé de inrrolá prego; a muié dizia; sai da frente qui eu quero passá”… E do jeito que era complicado o casamento, era complicado se descasar também; tinha que ter a assistência jurídica por cima de pau e pedra… E esse casal, de poucas posses, procurou um “advogado sem formação universitária, ou seja, um rábula” para ver se conseguia ficar livre, um do outro… E esse advogado que foi procurado, era tipo meu querido e saudoso amigo Ramiro Pereira da Silva, de Lages-RN; o Ramiro Capitão; cuja irreverência chegou nele e parou. E foram direto ao interrogatório de praxe, quando o rábula se dirigiu aos dois:
- Por que vocês estão querendo se separar ? Não tem jeito de fazerem as pazes não ?
A mulher foi quem respondeu primeiro:
- De jeito e qualidade; esse véio, dispôi duis setenta, só qué vivê puros putêro de bêra de istrada; fora de casa é um leão; dento de casa é um rato numa casa de ferrage; num come naaaada…
- E você, meu amigo o que tem a me dizer ?
- É isso mêrmo; ela num tá mintindo não.
- Então vocês estão dispostos a se separarem mesmo ?
- Tamo; e logo.
- O que é que vocês tem para ser dividido ?
O homem gritou logo:
- Eu num tenho porra ninhuma; só a vida aperriada junto dessa muié…
- E a senhora, tem alguma coisa?
- Munto mais pió; eu só tenho disgosto e má lembrança do tempo qui passei cum esse peste.
Então, o rábula, depois de pensar um pouco, disparou:
- A questão é muito tola;
Aqui mesmo eu lhes desquito.
Fique você com sua rola.
E você, com seu priquito!…


