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A solidão de Van Gogh

Data: 03 janeiro 2013 - Hora: 18:00 - Por: Vicente Serejo

Todo olhar sobre Van Gogh é uma aventura. Como a biografia que chega ao Brasil, tradução de Denise Bottmann. Nasceu depois de demorados caminhos e foi além de pequenas descobertas. Como a de que a sua morte não foi suicídio, mas bala perdida, no estômago, de uma arma disparada por um garoto que brincava de caubói. Ainda viveu dois dias de delírio até fechar os olhos nos braços de Théo, seu único irmão. Sua morte foi talvez mais um quadro nas asas negras dos seus corvos sobre os trigais.

O livro – 1.144 páginas – lançado no Brasil pela Companhia das Letras é o resultado de uma pesquisa de dois jornalistas, Gregory White Smith e Steven Naifeh. E, talvez por isso, tenha sido um raio de luz sobre velhas e sombrias dúvidas que pairavam sobre a vida do grande pintor holandês que fez de Paris e da França a pátria da sua solidão e do seu desespero que marcaram sua vida. Vivo, não vendeu um quadro. Morto, é um dos maiores pintores do mundo batendo recordes nos leilões de arte.

Duas vezes Rejane cruzou os caminhos do mundo de avião, trem e metrô, e foi bater no Museu de Amsterdã em busca de ver de perto os três quadros d’Os Comedores de Batata. E ali, diante da cena sombria dos carvoeiros miseráveis de Van Gogh, acompanhei seu choro emocionado e feliz. As lágrimas grossas e lentas descendo dos olhos. Estava diante, finalmente, de uma das obras de arte que desejou a vida inteira olhar de perto. E ficou ali, uma hora, como se a vida tivesse parado para sempre.

Alguns anos depois, a convite de Ana Cláudia, sua sobrinha, filha de Otomar e Déa, que mora em Avignon, às margens do Ródano, fomos conhecer St. Remy de Provence. Deixamos o carro no estacionamento e fomos a pé pelo caminho que leva ao hospital onde Van Gogh viveu internado quinze meses. Seus quadros estavam ali, em reproduções diante de cada paisagem real que pintou. As oliveiras de galhos retorcidos e plátanos velhos como os séculos, urdindo o tempo, segundo a segundo.

Mas antes que chegássemos ao antigo hospital, onde viveu na solidão de um quarto com seu único janelão aberto para um campo de parreiras, lá estava ele. De bronze. Em tamanho real. Levando uma braçada de girassóis, como se caminhasse de volta a Paris. Subimos, visitamos seu quarto – uma banheira de madeira tosca e um lavatório. Nada sugeria uma presença viva. Só a desesperada solidão em tudo que estava ali. No silêncio morto de todas as coisas. Nenhum quadro, um só traço, uma cor.

Nem aqueles quadros todos que vimos outra vez ao longo da caminhada de volta, tinham vida. Repetiam as mesmas cenas reais que estavam diante deles e que um dia inspiraram Van Gogh e a sua alma triste. Árvores caladas. Cobertas de um silêncio morto, mesmo diante de um sol macio que se derramava, alegre e luminoso. Aqui e ali restava pobre e tímido, o lilás das alfazemas. Quem sabe era ele mesmo que estava ali. Com seu olhar de bronze a olhar a primavera que renascia entre os trigais.

 

VERDE
Enquanto em Natal, com a ex-prefeita Micarla de Sousa, o Partido Verde apodreceu sem amadurecer, em Mossoró ocupa quatro cargos na mesa da Câmara. E é bem posto junto à prefeita Cláudia Regina.

DESTAQUE
A vida antes da glória na quase paixão por Tony Curtis faz Marylin Monroe brilhar tantos anos depois na capa da revista Seleções. Como se a sua beleza eterna resistisse ao esquecimento do olhar humano.

LEITURA – I
Imperdível – vale o lugar comum – a leitura do livro de Frederico Pernambucano de Melo – ‘Benjamin Abrahão – entre anjos e demônios’. O fotógrafo que registrou Lampião, Padre Cícero e todos os beatos.

DETALHE – II
Na rica iconografia do volume, uma foto histórica registra, ao lado de Benjamin Abrahão, os irmãos Carlos e Amador Lamas. Seriam os mesmos que viveram em Natal, onde casaram e tiveram filhos?

FONTES – III
Dois nomes estão entre as fontes de Frederico Pernambucano de Melo como duas referências sobre a vaquejada nordestina: Câmara Cascudo e Oswaldo Lamartine. Pelas informações e descrições exatas.

ABACAXI – I
Título da matéria da terceira página do Jornal de Fato sobre a ameaça de rompimento do PMDB com o governo no ano que começa: ‘Rosalba começará 2013 tendo que descascar abacaxi chamado PMDB’.

CRÍTICAS – II
No texto, a matéria admite o que em Natal vem sendo ouvido das principais fontes pemedebistas nos corredores da Assembléia: críticas pesadas contra ineficiência do governo nos 167 municípios do RN.

TÁTICA
Tem deputado oposicionista apostando que é tática do governo manter o discurso de crise também em 2013 como forma de reprimir, preventivamente, a pressão de algumas categorias por aumento salarial.

EMENDAS
É tanto que nas últimas horas de 2012 o governo cumpriu o compromisso de liberar as várias emendas parlamentares que estavam arquivadas. Até aquelas destinadas à Arquidiocese para cursos e ação social.

PERIGO
É como dizia ontem uma velha raposa diante da notícia do contrato de oitocentos e tantos mil reais da nova empresa de coleta de lixo: ‘Contrato emergencial é rápido, mas vicia. Melhor é a concorrência’.

URGÊNCIA
A assessoria do governo impressionada com o aumento dos casos de urgência no Walfredo Gurgel. Não há novidade em períodos festivos prolongados. Grave é o hospital não poder atender bem a todos.

FIART
Será entre 18 e 27 deste janeiro, no Centro de Convenções de Ponta Negra, a 18ª Feira Internacional de Artesanato – Fiart. Com a presença de vários países. É pena que o nosso artesanato ande tão pobre.

REIS
Como o Dia de Santos Reis cairá no domingo os shoppings manterão seus horários de funcionamento nas praças da alimentação. Lojas só tarde e noite, esta até 21h. O comércio tradicional fecha as portas.

ONDE?
Por onde cavalgam os garbosos cavalos da guarda montada da nossa gloriosa Polícia Militar com seus cavaleiros destemidos e fortes? Por acaso deixaram as suas baias e foram trotar no balneário de Tibau?

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