A União no banco dos réus
Dos 27 governadores de estados, nove faltaram ao debate de ontem, no Congresso, sobre a remontagem do pacto federativo. Entre os ausentes, dois que estão inconformados com a perda de recursos provenientes de royalties do petróleo: Sérgio Cabral, filho, (PMDB-RJ) e Renato Casagrande (PSB-ES).
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Todos os presentes fizeram críticas ao poder central. Reclamaram, sobretudo, da atitude centralizadora da União “ao administrar os bilhões de reais arrecadados pelo Tesouro Nacional”, conforme Antonio Anastasia, tucano mineiro. Os executivos regionais exigem uma partilha que traduza, na plenitude, o significado de República Federativa do Brasil.
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Anfitriões do encontro, os presidentes peemedebistas do Senado (Renan Calheiros, de Alagoas) e da Câmara (Henrique Eduardo Alves, do Rio Grande do Norte) incentivaram os governantes estaduais. Prometeram-lhes solidariedade na pressão sobre o Palácio do Planalto e apoio aos pleitos que dependam de trâmite no Legislativo.
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Embora representasse o maior estado do país, Geraldo Alckmin (PSDB-SP) foi discreto em suas poucas manifestações no palco da reunião e nas respostas às perguntas dos jornalistas. Quem apareceu, vivaz, foi o governador Eduardo Campos (PSB-PE). Disse que os estados, nos últimos três anos, investiram mais que a administração federal.
– Ajudamos a evitar um desastre ainda maior que o pífio 0,9% de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2012. Foi um ano que não deixou saudades –, pontificou Campos, cada vez mais com jeito de quem decidiu concorrer à Presidência da República.
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Teve a marca da dramaticidade – da demagogia, também – o desabafo do governador André Puccinelli (PMDB-MS), italiano de Viareggio (região de Toscana) naturalizado brasileiro:
“A União é a mãe dos estados. Alguns estão esquálidos. Cadê a União, que deveria prover todos de recursos financeiros e não apenas de esperança? Os estados estão morrendo à míngua.”
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Difícil voo solo
Um passe cobiçado pelo valor que tem.
Não foi à toa que Marina Silva (foto) colheu quase 20 milhões de votos nas urnas de 2010.
Insatisfeita no PV, a legenda que lhe amparou quando saiu do PT, a ex-ministra tenta criar o Rede Sustentabilidade, estranho nome do partido pelo qual pretende concorrer no próximo ano.
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Caso falhe a tentativa, há siglas pequenas à disposição de Marina. Médias, também, desde que aceite o segundo lugar na chapa presidencial para compor aliança com um candidato de legenda com maior influência.
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- Veja como são as coisas da política. A presidente da República chama Fernando Collor, que acusava o PT de “bandidagem”, “nosso senador, nosso parceiro”. E o abraça de sorriso aberto.
- Se perder a titularidade do Ministério da Agricultura, Mendes Ribeiro (PMDB-RJ) volta à Câmara. O deputado rejeita a pasta de Assuntos Estratégicos, que lhe seria oferecida.
- Avaliação do Palácio do Planalto: não faz sentido reabrir a discussão (no Legislativo) a respeito da partilha dos royalties do petróleo, sem outra fonte de recursos.
- Contratado pela Confederação Nacional da Indústria, o Ibope realiza pesquisa para avaliar o prestígio da presidente (recandidata) Dilma Rousseff e de seus possíveis desafiantes na eleição do próximo ano.
- Desrespeito ao agricultor nordestino emparedado pela seca: o Banco do Nordeste, do governo federal, cobra dívidas que os inadimplentes não podem pagar.
- O senador Aécio Neves preserva Graça Foster nas críticas à Petrobras. Ele sublinha que a presidente da empresa recebeu “herança maldita”.
- No encontro de hoje com empresários, a presidente da República espera atrair investimentos da ordem de R$ 250 bilhões para o pacote de concessões públicas.
- Barulho na Argentina ouvido no Brasil. A presidente Cristina Kirchner ameaça revogar a concessão dada à mineradora Vale para explorar jazidas de potássio na província de Mendoza.
- Para refletir: “Sempre tive a alma jovem. Minha idade cronológica não combina com a espiritual” (Gal Costa, cantora brasileira).


