Abandonadas, praças de Ponta Negra viram local de uso de drogas e assaltos

Uma das maiores praças de Ponta Negra, a Varela Barca já perdeu quase todos os assentos dos bancos de madeira e pontos de iluminação térrea

Fotos: Wellington Rocha
Fotos: Wellington Rocha

Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Cheias de lixo, mato e restos de metralha e poda, as praças de Ponta Negra são hoje o retrato do abandono e pontos de encontros para moradores de ruas e usuários de drogas, que atacam pedestres. A situação é tão crítica que algumas delas não possuem sequer iluminação pública, o que facilita a ação dos bandidos. Inconformados, muitos moradores fazem os serviços por conta própria.

Uma das maiores praças de Ponta Negra, a Varela Barca já perdeu quase todos os assentos dos bancos de madeira e pontos de iluminação térrea, que foram roubados ou danificados por vândalos. Segundo a comerciante Bernadete Brito, o local também é usado por muitos usuários de drogas e os assaltos na região são constantes, principalmente à noite. “É um lugar bonito, mas muito perigoso. Apesar disso, ainda tem alguns moradores que usam a quadra de esportes, mas sempre em grupo”, disse.

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Os assaltos são comuns também no espaço conhecido também como da caixa d’água pequena, na Rua Praia Rio do Fogo, onde uma mulher teve o veículo roubado às 11h30 da manhã, quando chegava para visitar os pais, há cerca de três meses. O pai da vítima, Ruben Rocha, disse que quase todos os moradores da área já foram atacados ou tiveram seus imóveis invadidos e que o excesso de mato no local e a falta de poda das árvores contribuem para a ação dos criminosos.

“Menos da metade dos postes possuem lâmpadas e a escuridão, somada ao matagal alto e lixos, são os principais problemas que enfrentamos aqui. Quando tem gente da prefeitura aqui, eles só limpam o mato embaixo das árvores, o que não adianta quase nada. Vários moradores, cansados de esperar uma atitude, pagam do próprio bolso para evitar problemas maiores” desabafou Rocha.

Quando não pagam, eles mesmos colocam a mão na massa e tiram o mato e lixo das praças, como um morador da mesma praça, que não quis se identificar. “Eu faço porque gosto, por prazer, mas também porque, se não fizer, ninguém faz. Capino o mato, pinto o tronco das árvores e planto mudas de plantas frutíferas, tudo para ter mais segurança e também um lugar bonito e limpo próximo à minha residência”, disse.

O excesso de mato também pode ser visto nas praças da pista de bicicross e na situada na Rua Praia de Muriú, que também são usadas por usuários de drogas e bandidos. Na última, uma estudante foi atacada e por pouco não sofreu violência sexual. “Se não fossem os funcionários da oficina, o tarado tinha conseguido o que queria. Aí tem uma calçadinha para caminhada, mas o mato já tomou conta de tudo, não dá nem para ver o piso”, falou a aposentada Tereza da Costa.

Semsur promete limpeza das praças

A praça do bairro que possui um aspecto mais agradável e seguro é a do Alagamar, onde estão os restos da estátua Anjo Azul, que recebeu pinturas feitas por artistas locais. Lá, o mato foi capinado recentemente pelas equipes da Semsur, que se comprometeu em incluir as demais praças reclamadas no cronograma de manutenção da secretaria. A expectativa é que até a próxima semana, os trabalhos comecem a ser feitos nos equipamentos.

De acordo com informações da Semsur, a limpeza das mais de 260 praças existentes em Natal é feita de forma constante por cerca de 137 funcionários, sendo apenas 30 jardineiros efetivos. As equipes trabalham de acordo com a previsão do tempo, já que durante o período de chuvas o mato cresce mais rápido e as últimas chuvas atrapalharam a limpeza dos equipamentos. A Semsur informou que irá enviar equipes de manutenção aos equipamentos até a próxima semana.

“É o que queremos, que a manutenção seja feita periodicamente, para que não tenhamos medo de passear ou caminhar por aqui. Do jeito que está, fica impossível pensar em sair de casa para andar numa praça dessa, porque a qualquer momento podemos ser assaltados ou nos machucar com o excesso de lixo, entulho e mato”, desabafou a aposentada Francisca Gomes.

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