Abastecer com gasolina continua mais vantajos que usar etanol

Com queda na produção de cana-de-açúcar, combustível derivado da planta fica mais caro

A seca do início do ano atingiu fortemente a produção de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul do país. Foto: Divulgação
A seca do início do ano atingiu fortemente a produção de cana-de-açúcar na Região Centro-Sul do país. Foto: Divulgação

A queda na produção de cana-de-açúcar vai tornar o etanol ainda menos vantajoso para os motoristas. Com a oferta reduzida, o combustível ficará mais caro, fazendo da gasolina a melhor opção. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a moagem da safra 2014/15 da Região Centro-Sul do país deve ficar entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas abaixo da safra anterior, em função da seca que afetou canaviais no início deste ano.

Em 2013/14, a safra de cana da região ficou em 596,9 milhões de toneladas. A estimativa oficial mais recente da entidade para 2014/15, divulgada em abril, foi de uma moagem de 580 milhões de toneladas. Diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues afirma que a grande redução vai ocorrer no estado de São Paulo, na produtividade agrícola. Segundo ele, deve haver uma quebra de 15%. O executivo ressaltou que se trata de uma revisão preliminar e que a Unica deverá divulgar nova estimativa oficial em breve, sem data definida.

Professor de Finanças do Ibmec-RJ e da Fundação Dom Cabral, Gilberto Braga explica que a queda na produção de cana influencia na produção do etanol. “Já não era vantajoso abastecer com esse combustível e vai continuar assim. Para que o preço caísse, era preciso que houvesse normalização da safra, com crescimento da oferta”, explica o especialista.

De acordo com ele, só é vantajoso usar o etanol se o preço for 70% mais baixo que o da gasolina, o que não tem acontecido. “Com a produção em baixa, a possibilidade de alívio desapareceu”, diz.
Antonio de Padua ressalta, no entanto, que a concentração de açúcar na cana colhida não deve ser muito prejudicada. Segundo ele, a taxa açúcar total recuperável (ATR) por tonelada de cana colhida deve crescer 1kg ante 2013/14, quando atingiu 133,3 kg. Na estimativa de abril, a entidade previu um crescimento de quase 2kg de ATR por tonelada.

“Está maior (a concentração de ATR) que no ano passado, porque as usinas aproveitaram o momento mais propício para fazer açúcar”, disse o executivo, ressaltando que o clima mais seco nas últimas semanas ajudou na concentração de açúcar nos canaviais.

A maior concentração não deverá, porém, compensar o menor volume de matéria-prima disponível. “Não significa dizer que vai ter mais produção de açúcar. Na verdade, a produção deve ser inferior à do ciclo anterior”, disse o diretor da entidade.

Para ele, a produção de açúcar em 2014/15 no Centro-Sul deve ficar entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas abaixo do ciclo anterior, que foi de 34,3 milhões de toneladas. A projeção de abril divulgada pela Unica é de que a produção do adoçante na atual safra na região atinja 32,5 milhões de toneladas. Padua informou ainda que a colheita no Centro-Sul já avançou para 60% da área estimada.

Mesmo com a queda na produção de açúcar, Gilberto Braga acredita que não haverá alteração no preço do açúcar refinado, usado no dia a dia dos brasileiros. “O preço não vai subir, mas também não vai baixar. É bastante provável que o governo force estoques, para que o preço tenha menos flutuação e não cause impactos na inflação”, avalia.

No último domingo, cerca de 15 mil toneladas de açúcar foram destruídas em São Paulo. Elas estavam estocadas no armazém que pegou fogo no porto de Santos, litoral paulista, informou ontem a Cosan, controladora da Rumo Logística, que opera os terminais portuários. A empresa explicou que o fogo ocorreu no armazém X, do Terminal 19. O local tinha capacidade para 18 mil toneladas. A capacidade total de estocagem da Rumo em Santos é de 500 mil toneladas.
Cana é usada em combustível para abastecer aviões

A GOL Linhas Aéreas usou pela primeira vez na semana passada biocombustível à base de cana-de-açúcar produzida no Brasil em um voo internacional. A experiência foi feita em parceria com a Amyris, empresa do segmento de combustíveis e químicos renováveis.

Segundo a companhia aérea, o abastecimento usou uma mistura com 10% do combustível renovável a partir da cana-de-açúcar — produzido pela Amyris em Brotas, interior de São Paulo — e 90% de combustível fóssil para operar o voo G3 7725, entre Orlando, nos Estados Unidos, e Santo Domingo, na República Dominicana, que depois seguiu para o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A expectativa é fazer outros voos com esse tipo de combustível ainda este ano.

Diretor Técnico Operacional da GOL, Pedro Scorza explica que a empresa, em conjunto com demais parceiros, está trabalhando para alcançar o marco de 1% de combustível renovável na frota da GOL em 2016. “Este ano operamos o primeiro voo do Aeroporto Tancredo Neves, em Confins (MG), abastecido com biocombustível, e concluímos 200 voos verdes iniciados na Copa do Mundo”, disse.

Em nota, a companhia aérea informou que o uso de combustível renovável pode reduzir em mais de 80% as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, quando comparado aos combustíveis derivados de petróleo atualmente usados para o abastecimento de aeronaves.

Fonte: IG

Compartilhar: