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Abelão, o padrão

Data: 05 março 2013 - Hora: 18:02 - Por: Rubens Lemos Filho

Abelão comandou a Barreira do Inferno, a defesa quase intransponível do Vasco na memorável campanha do carioca   1977. Mazaropi, Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio. Era o xerife, o Abelão. Foram 1.800 minutos sem tomar gols, recorde mundial.

Abelão determinava e, exceto Mazarópi e Marco Antônio, seus companheiros de botinadas sequer escovavam os dentes em dias de clássico.

Além de pancadaria, o mau hálito dos falecidos Orlando Lelé e Geraldo e do gigante Abelão espantavam gente de qualidade: Zico, Adílio  e Cláudio Adão no Flamengo, Rivelino, Doval e Zezé no Fluminense, Gil, Paulo César e Dé no Botafogo.

O Vasco arrasou em 1977, mas Abelão é pouco lembrado diante do timaço a partir do meio-campo: Zé Mário, Zanata e Dirceu; Wilsinho, Roberto Dinamite e Ramón.

Em 1978, Abelão perdeu o duelo de cabeça para Rondinelli, saltando atrasado, e o Vasco foi vice pela primeira vez , de uma série quase interminável. Só voltou a vencer em 1982, gol de Marquinho, um anãozinho, desviando de cabeça entre os gigantes do Mengo.

Abelão era proibido pelo técnico Orlando Fantoni, o adorável Titio Fantoni, de manter contatos mais longos e íntimos com a bola.

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A ordem do treinador era rebatê-la em confusões na velha zona do agrião e, na saída de bola, repassá-la imediatamente a Zé Mário ou a Zanata, criadores do time, para que organizassem os lançamentos a Roberto Dinamite no auge da forma. E a Ramón, foguete cortando da ponta para o meio.

Abelão jogou no Vasco até 1978 e foi capital na perda de dois títulos. Em 1976, quando chegou do Fluminense, foi superado, também nas alturas, pelo argentino Doval na vitória tricolor no penúltimo minuto da prorrogação decisiva do Carioca.

Abelão foi à Copa da Argentina na reserva do grande Oscar. Abelão entrou num amistoso preparatório contra a Inglaterra em Wembley(1×1) e esfolou as canelas hábeis de Kevin Keegan, um dos principais astros da história do English Team. As arquibancadas chamaram Abelão de animal.

Abelão foi ao Mundial com Polozi, Chicão, outro truculento, que tomou o lugar do craque Falcão, com  Edinho improvisado na lateral-esquerda com Marinho Chagas de fora por birra do Capitãio Cláudio Coutinho, que o barrou e a Paulo César Caju, por rebeldia.

Seria demais esperar de Abelão conceitos diferentes do seu estilo de beque de roça. De espanador de bola sem qualidade. No Cruzeiro, levou baile de Reinaldo, o semideus do Atlético(MG) e sofreu barbaridade na péssima fase do Botafogo(RJ) da primeira metade dos anos 1980. Encerrou no Goytacaz de Campos.

Abel Braga, para os padrões atuais e terríveis do futebol brasileiro é um dos técnicos ideais. Sofríveis  jogadores mandam nas pranchetas. Felipão trincava ossos no interior do Rio Grande do Sul e no CSA(AL).

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Vanderley Luxemburgo foi um lateral medíocre do Flamengo. Joel Santana nem precisava escrever muito. Natal foi hóspede de sua brutalidade pelo América de Natal de 1976 a 1979. Hoje, ele mal cita o clube potiguar.

Abel, o Abelão, está na crista da onda, termo da moda nos idos em que bafejava no rosto dos adversários. É o campeão brasileiro, é idolatrado no Internacional, cortejado por árabes e nunca imaginaria perder a semifinal da Taça Guanabara para o fraquinho Vasco de seu reserva Gaúcho. O cara ter sido reserva de Abelão sintetiza o quanto jogava.

Abelão, depois da derrota, deu um esporro público no garoto Dakson, do Vasco, por ter dado um toque de letra entre três marcadores quando o jogo estava 3×2 e pertinho de terminar. Dakson usou um recurso morto no Brasil, o do jeitinho malandro, da artimanha peladeira, do artifício paralisante dos habilidosos.

Abelão xingou o menino que entrou e – em poucos minutos – arrebentou o seu time junto com o Romário genérico. Dakson deveria ser condecorado.  A sua jogada não foi humilhante.
Estava cercado e tocou bonito, por saber fazer. Diferente daquelas mogangas de Neymar, que dribla e redribla quando deveria prosseguir ao ataque. Neymar, mesmo quando quisesse ser produtivo, talvez fosse rejeitado por Abelão.

Abelão e seus contemporâneos, fazem Telê Santana tremer em seu túmulo. Por ele e a cambada de treinadores retranqueiros, é preciso volantizar o país. Volantizar é encher o campo de trombadores sem intimidade com a bola, trogloditas como aqueles do futebol americano.

Por Abelão, estariam banidos do futebol Pelé, Garrincha, Romário, Denner, Rivelino, Zizinho, Zico, Sócrates,  Messi, Maradona, Geovani, Bebeto, Mauricinho, Reinaldo, Baggio, George Best. Todos dribladores e malabaristas imortais. Abelão deve ser perdoado. Ele é o padrão. Do Brasil destruído na arte em quatro linhas.

Júnior
Ex-atleta. Até lutou, tentou, mas não conseguiu nada no ABC. Prova de incompetência  e falta de conhecimento básico  trazer  o veterano. Contra o Potiguar, alguns dos seus lances beiraram o esdrúxulo. A bola lhe deu um lençol na pequena área quando ele tentou cabecear. Muita crueldade. Com Júnior e a torcida.

Espanto nenhum
Esperava Ceará e Fortaleza na final. Mas causou espanto a presença de ASA e Campinense dedicindo a Copa do Nordeste. Normal. O futebol da região não tem nenhum time acima da média. ASA e Campinense merecem respeito.

Adversários
É hábito se comentar mais as derrotas de ABC e de América do que os méritos dos vitoriosos. Potiguar e Corintians não venceram Real Madrid e Barcelona. Superaram times comuns, que só a delirante “isenção” de parte da mídia quer tornar competitivos.

Amanhã
Os ditos grandes de Natal não podem nem pensar em empate amanhã. O ABC enfrenta em casa o Santa Cruz, campeão da Copa RN e também precisando recuperar o ponto perdido contra o Alecrim. Em Mossoró, o América joga tudo contra o Baraúnas.

Cascata
Nenhuma desculpa para a atitude de Cascata após a substituição contra o Corintians. Só reclamou pelo rádio  porque o técnico era Alexandre Irineu, brevíssimo e não Roberto Fernandes. Ou Givanildo.

Bruno
O Boa Esporte demonstrou interesse e fechou pré-contrato com o goleiro Bruno, ex-Flamengo em julgamento  pela morte da namorada Eliza Samúdio. Seria uma jogada macabra de marketing.

Cleiton
O Alecrim traz Cleiton, um volante experiente e com boa qualidade para a reta final. O Alecrim se reforça em campo porque na segurança, nem o Presidente Obama é tão protegido.

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