“Acham que sou rica pois sou avó do filho do Mick Jagger? Preciso trabalhar”

Atriz relembra carreira, admite ter traído Jece Valadão, com quem foi casada por 14 anos, e fala sobre a vontade de voltar à TV aos 65 anos: "Mas vou fazer umas plásticas antes"

Vera Gimenez com o neto LUcas Jagger. Foto: Divulgação
Vera Gimenez com o neto LUcas Jagger. Foto: Divulgação

Ter nascido em São Paulo é só um detalhe na vida de Vera Gimenez há mais de 40 anos. A atriz, que mora no Rio de Janeiro desde 1971, não passa muito mais de uma semana na capital paulista quando visita a filha, Luciana Gimenez, e os netos, Lucas Jagger, de 15 anos, filho da apresentadora com Mick Jagger, e Lorenzo, de 3, do casamento dela com Marcelo de Carvalho.

“É uma cidade muito violenta, tem muito trânsito, não sei mais circular por aqui. Quando venho fico o dia inteiro dentro do apartamento em função deles. Hoje, brinquei com o Lorenzo, ele é um garoto acima da média, parece ser mais velho do que é. E o Lucas, nossa, como cresceu! Já está calçando 43, acredita?”, conta Vera, que se hospeda em um dos quartos do apartamento de Luciana, em um condomínio de luxo na zona sul da cidade.

Aos 65 anos, Vera surge vestida de preto e usando um colar de bijuteria, porém exuberante – “que me custou R$ 400″ – para receber a reportagem pouco tempo antes de voltar ao Rio.

Verborrágica e bem-humorada, ela não se guia pelas perguntas na conversa – mas fala com muita lucidez sobre os assuntos – , diz o que quer, mostra uma foto no celular ou reclama de um fã atrevido do Facebook. “Esse cara publicou um trabalho dele na minha página pessoal. Aí falei: ‘Faça o favor de nunca mais colocar isso na minha página’. O cara me respondeu dizendo que fui mal educada. Eu? Foi o cara que postou na minha página, quem é mal educado? Mas é geral, não é só na po**a do Facebook que as pessoas estão assim. Ninguém aguenta ouvir verdades”, reclama.

Assim segue o bate-papo e Vera também não poupa críticas sobre “atores jovens sem talento”, tampouco evita os palavrões ao relembrar a trajetória na televisão e no cinema, onde foi considerada uma das musas da pornochanchada.

“Quando você é jovem, o interesse do mercado é que você é uma jovem buc***, entendeu? Então, você tem grandes possibilidades, seja para uma senhora ou para um senhor. Depois que você fica mais velha, perde essa possibilidade e ninguém mais fica interessado em você nesse sentido. Você tem que ter feito grandes contatos para se dar bem depois que a beleza passa”, analisa, lamentando não ter entendido isso a tempo.

Plásticas e neto milionário

Afastada da TV desde 2010, quando atuou no remake da novela “Ti-Ti-Ti”, da Globo, ela comenta que planeja voltar a atuar. “Tenho que fazer uma divulgação minha por aí porque estou afastada, mas vou fazer umas plásticas antes. Fiz meu peito três vezes, fiz olho, agora quero abdômen e pescoço”, comenta ela, que enfrentou um câncer nos seios na década de 1990. “Acham que fiquei milionária, sou rica e não preciso atuar pois sou avó do filho do Mick Jagger? Nada a ver, entendeu? Ao contrário, quero e preciso trabalhar”.

Vera ainda fala sobre os casamentos, as traições de Jece Valadão – que ela também admite ter traído durante os quase 14 anos juntos – , e afirma querer continuar solteira. “Tive um namorado por quatro anos, mas é difícil encontrar alguém para conciliar com a vida livre que levo há tanto tempo”. Confira trechos da entrevista abaixo:

Por que você está afastada da TV?

Vera Gimenez: Tive um problema sério: fui fazer uma faculdade de psicologia, na década de 1980, e larguei minha profissão mesmo. Quando fui voltar, os espaços já estavam ocupados. Se dissesse: me esforcei, ralei o c* nas ostras, estaria mentindo. Não fiz isso, deixei pra lá.

Mas você voltou a atuar na Globo depois disso.

Vera Gimenez: Sim, voltei a ser funcionária da TV Globo, na década de 1990, mas fui mandada embora assim que o Lucas nasceu, sabia? Em 1999. Foi como se dissessem assim: “Olha, querida, agora você não precisa mais da TV Globo, não precisa de nada. Olha, beijinho”. Sofro esse tipo de preconceito, acredite se quiser. A Luciana acha que não. Me desiludi muito, demais. Aliás, a década de 1990 foi toda muito difícil para mim: perdi uma empregada que estava há 14 anos comigo, perdi meu pai, meu marido, meu peito para o câncer e meu emprego na Globo.

Sente falta de espaço para voltar a atuar?

Vera Gimenez: Atuar a gente atua a qualquer hora (Vera para de responder e começa a imitar os tiques nervosos do personagem louco interpretado por Paulinho Vilhena em “Império”), en-ten-deu? O ator não consegue deixar de atuar. Posso não estar representando, mas estou sempre atuando com os amigos, fazendo uma piada. Agora, adoraria voltar a trabalhar, fazer uma peça, uma novela. Vou fazer um curta-metragem aqui em São Paulo com a Patricia Vilela. Trabalhei com ela no SBT. O curta não tem dinheiro, mas não estou nem aí, não estou preocupada, entendeu?

Você parece ter um comportamento muito intenso, fala o que pensa, isso interfere nas relações de trabalho? Acha que as portas se fecharam por causa disso?

Vera Gimenez: Não, no trabalho procuro não ser assim. Dentro da televisão não vou fazer isso, tenho que entrar lá calada e sair calada, com meu texto decorado, meu cabelo feito, maquiagem pronta e acabou. Não dá pra ter temperamento, ali você está trabalhando.

Como são seus dias no Rio atualmente, o que você faz?

Vera Gimenez: Porra nenhuma (risos). Bom, cuido da casa, mora um monte de gente comigo: minha irmã, meu sobrinho e o Marco Antonio (Gimenez, ator), além de dois cachorros e três gatos. Faço ginástica, fico 3h30 na academia, leio jornal, assisto novela…

Quais novelas?

Vera Gimenez: Estou gostando muito dessa “Império”. Gosto muito do Alexandre Nero e da Lilia Cabral. Nossa, ela é maravilhosa e ele está dando um show. Quem me irrita um pouco é a personagem da Drica Moraes, ela é do mal, quer ver o circo pegar fogo e conheço bem esse tipo de pessoa. O romance do protagonista com a ninfeta (Marina Ruy Barbosa) não está funcionando, não me toca. O papel da Suzy Rêgo, desculpa, não existe mulher igual a ela. Conheço gente que foi casada com gay, sabia que o cara era gay, mas nunca foi tão escancarado, ninguém segura a onda desse jeito, não acho verídico. Aliás, uma bela surpresa é o Klébber Toledo. Na outra novela ele era péssimo. Ele deve ter feito cursos porque melhorou muito. Sou muito chata, não acho que tem tantos atores bons.

Quem são os bons?

Vera Gimenez: Tem o Cauã Reymond, mas vai chegar uma hora que ninguém vai aguentar mais porque só dá ele. Tem também o Mateus Solano, o Bruno Gagliasso, a Deborah Secco. Fiz um seriado da Globo e a Deborah fazia minha filha, ela tinha uns 12 anos e interpretou com uma violência, fiquei impressionada com ela. Cheguei e falei: “Oi, garota, você quer continuar nessa carreira?” Ela disse: “Eu vou continuar”. Não é talento, é alguma coisa pessoal interior, que é algo dela, de dentro dela. Ela é muito intensa. A Isis Valverde também, ela me passa a impressão de ter um puta tesão de estar fazendo aquilo.

Como se tornou atriz?

Vera Gimenez: Nunca pensei em ser atriz, rolou. O Valter Avancini viu um comercial de talco que fiz e ele me quis na novela “Os Fantoches”, da Excelsior. Eu tinha uns 19, 20 anos e fazia uma cartomante. Como o tempo passa, né? Agora tem poucos papéis para atrizes da minha idade.

Papéis de avó, tem…

Vera Gimenez: Claro, não vejo problema, sou avó. Tem atriz que não gosta. Olha, vou te contar uma coisa: quando era jovem – isso nunca esqueci – , teve uma novela na Bandeirantes, “Sabor de Mel”, que me chamaram para ser mãe da Françoise Forton, e eu falei: “Aí não dá”, entendeu? Ela é mais jovem do que eu, sim, mas só uns 8 anos. Foi a mesma cagada dessa última novela do Manoel Carlos, essa incoerência das idades. Natália do Valle mãe da Julia Lemmertz. A Natália tem a minha idade, mas está muito bem, com uma boa plástica, não passava por mãe da outra, né?

Quando considera que foi o auge da sua carreira? Você fez muito sucesso como a vilã Paula da novela “Anjo Mau”…

Vera Gimenez: Não considero auge nenhum. Quando você faz muito sucesso, a inveja é muito grande, é uma cagada! A inveja acaba com as pessoas. Você não pode estar vibrando na mesma diapasão. Acontece que, às vezes, você abaixa tua vibração e, o que acontece? Eu te conto. Voltando de uma viagem sofri um acidente com o ônibus e levei 150 pontos no rosto (veja na galeria). Estava voltando de uma filmagem, gravando a novela e filmando um longa na mesma época, e um ônibus bateu no nosso carro. Voltei a filmar uns 20 dias depois e o Cassiano Gabus Mendes (autor da novela) inventou uma viagem da personagem e, depois, voltei para a novela. Na minha casa recebi vários telefonemas de homens falando: “Bem feito, tomara que você fique com a cara toda marcada”. Inveja de homem também é uma merda.

De homem?

Vera Gimenez: Sim, quando um homem tem um objeto de desejo e não consegue o que quer, entendeu? Não cito nomes.

Você era casada com o Jece Valadão nessa época…

Vera Gimenez: Era, e várias vezes os homens me ameaçaram porque não queria sair com eles. Ao mesmo tempo, algumas pessoas tinham medo da imagem do Jece.

Algumas pessoas comentavam que ele era violento…

Vera Gimenez: Nada. Gostava muito dele, ele era um cara muito fácil de conviver, não era uma pessoa que criasse problema no dia a dia. Tem marido que reclama da comida, da camisa, ele não enchia o saco. Foram quase 14 anos de casamento. Na realidade, sou solteira, nunca quis casar no papel. (Vera viveu com João Morad, pai de Luciana Gimenez, com Jece, com quem teve o ator Marco Antonio Gimenez, e com Renê Batista, que morreu na década de 1990).

Você contou que ele te traía com frequência.

Vera Gimenez: Sim. Quando eu descobria que tinha sido traída era uma cagada, criava mil problemas, caía a casa. Mas eu acabava traindo também, a gente entra no esquema.

Você foi uma das mulheres mais lindas do País…

Vera Gimenez: Se me perguntassem: é bom ser bonita? Eu diria: “Se pudesse escolher, escolheria menos beleza e mais inteligência emocional. Porque a beleza abre uma porta que fecha rápido. Vejo gente que não é tão bonita e se dá muito melhor que eu. E ainda não tem problema quando envelhece.

Que tipo de problema?

Vera Gimenez: O problema é o seguinte, você escuta o tempo todo: “Oh, como você era linda”. Era! Acho tão desagradável. Todo mundo envelhece, quem não envelhece morre. Quando era mais jovem ficava bastante incomodada, minha sensação era de que as pessoas não me viam, viam só o exterior. Mas acho que na época também não tinha noção de que era muito bonita. Era modelo da Casa Vogue, e tenho um amigo que diz que ficava com a cara colada no vidro da vitrine para me ver desfilar.

Você passou o legado da beleza para a Luciana, mas ela tem noção de que é um mulherão…

Vera Gimenez: Ah, ela tem, ela sabe. Mas a Luciana também tem essa inteligência emocional que me falta. Ela não fala tudo que pensa, eu falo. E aí, às vezes dá merda. É dela, ela é diferente. O Marco Antonio também, ninguém fala mal dele, todo mundo acha ele o máximo. Ele tem uma inteligência emocional muito grande.

Se a beleza foi um problema, ser considerada umas das musas da pornochanchada também foi?

Vera Gimenez: Olha, não gosto desse rótulo de que fiz pornochanchada. Fiz dois filmes, “Lua de Mel e Amendoim” e “Filha de Madame Bettina”, o resto, não era. Fico revoltada.

Foi por causa dessa exposição que você foi fazer faculdade e abandonou a carreira artística naquele momento?

Vera Gimenez: É, foi maluquice mesmo. Cheguei a fazer análise por nove anos seguidos, cinco vezes por semana. Hoje em dia ninguém mais faz isso porque ninguém tem tempo sobrando, o tempo está passando muito rápido para as pessoas e por isso elas estão doidas assim. A Luciana está fazendo duas vezes por semana, o que já é um milagre.

Por que escolheu cursar Psicologia?

Vera Gimenez: Em toda mulher, quando chega perto dos 30 anos, dá uma coisa: “o que estou fazendo no mundo?” Quer dizer, não sei se acontece para todas, mas para mim foi como com a Lidia Brondi. Ela largou tudo, profissão artística, novelas, foi embora para ser psicóloga e trabalha com isso até hoje.

Você chegou a atender em consultório?

Vera Gimenez: Atendi por dois anos na clínica do meu último marido, que era psiquiatra. Eu era excelente, mas parei porque me chamaram para fazer a novela “Cananga do Japão”, na Manchete. Nessa época, fiquei contratada um ano e resolveram na véspera da minha primeira gravação que não queria que eu fizesse mais, foi uma cagada.

Muitos atores reclamam da falta de profissionalismo ou do amadorismo das emissoras na comparação com a Globo…

Vera Gimenez: A Globo é boa, filha da p***, melhor lugar para trabalhar. Já trabalhei no SBT onde fui tratada superbem, mas a gente fica meio perdida. Quem foi criada na TV Globo, fica perdido. Tem a história do meu amigo Alexandre Barilari, a gente estava fazendo a novela ‘Cristal’, no SBT. Aí ele chegou na frente da figurinista do SBT e perguntou: ‘querida, qual a cartela de cores do meu personagem?’ A cara dela (risos). Nunca mais esqueci. A Globo é tão profissional que o personagem tem o guarda-roupa com cartela de cores, características físicas e psicológicas.

Então, não pensa em aceitar convites de outras emissoras?

Vera Gimenez: Ah, não é bem assim. Estou interessada nas séries bíblicas da Record, por exemplo. Aliás, assisti a “José do Egito” e achei maravilhoso, superprodução. Sou católica mas não tenho problema com isso. Li muito a Bíblia, estudei seis anos no Colégio Batista Brasileiro, conheço bem a Bíblia, de segunda a sábado, todo dia tinha leitura.

Fonte: IG

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