Acusada de planejar a morte do pai é condenada a 17 anos de prisão

Érika Passarelli afirmou ser inocente ao ser interrogada

Érika Passarelli chorou durante o júri e disse que é inocente. Foto:Divulgação
Érika Passarelli chorou durante o júri e disse que é inocente. Foto:Divulgação

A ex-estudante de direito Érika Passarelli,acusada de planejar a morte do próprio pai em 2010, foi condenada a 17 anos de prisão em regime inicialmente fechado. A sentença foi lida pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves às 2h49 desta terça-feira (11).

Durante o júri, iniciado na manhã dessa segunda-feira (10), em Itabirito, na Grande BH, foram ouvidos o corretor de seguros Marcelo de Souza Almeida e o amigo da família da ré Carlos Manuel Rosa. Os dois falaram muito sobre o relacionamento de Érika com o pai, Mário José Teixeira Filho, de 50 anos.

Já depois de intervalo para o almoço, o julgamento foi retomado com a oitiva do médico Fernando Drumond Teixeira, atual companheiro da mãe da acusada. Em sua fala aos advogados de defesa, ele falou sobre o perfil da vítima e sobre as suas relações familiares. Afirmou também que a acusada era a filha preferida da vítima e que, após a sua morte, a ré apresentou um quadro depressivo. A testemunha ainda afirmou aos jurados que a família tem boas condições financeiras e que a ré não precisava do dinheiro que seria pago pelo seguro de vida, contratado por Filho.

A estratégia da defesa foi apresentar a vítima como uma pessoa envolvida em vários crimes, presa diversas vezes e respondendo a inúmeros processos. Das 16h50 às 17h05, o Ministério Público iniciou suas perguntas à testemunha Fernando Drumond Teixeira. O promotor Cristian Lúcio da Silva perguntou, entre outras coisas, se a testemunha considerava a enteada como uma filha, ao que ele respondeu afirmativamente, e se tinha conhecimento de que ela respondeu a diversos processos pelo crime de estelionato, fato que ele afirmou desconhecer. Em seguida, foi iniciada a leitura de peças anexadas ao processo. Ao todo, foram apresentados os laudos de necropsia, impressões digitais e de exumação do corpo do pai da acusada, além dos depoimentos da ex-empregada da ré, Dayana Aparecida de Jesus, e do cabeleireiro Marco Antônio Souza Nogueira, com quem a acusada teve um envolvimento amoroso.

Interrogatório

O interrogatório da ex-estudante  começou às 18h50 e ela se recusou a responder às perguntas feitas pelo promotor. Às 19h20, a defesa iniciou suas perguntas. A ré se apresentou como inocente de todas as acusações e afirmou que não poderia receber o prêmio de um dos seguros, uma vez que a data de vigência de uma das apólices era posterior à data da morte da vítima. Além disso, ela afirmou que recebia cerca de R$ 18 mil mensais de várias fontes de renda e não tinha dívidas. Érika disse ainda que teve computadores, celular e GPS apreendidos sem que nenhuma prova de seu envolvimento no crime tenha sido encontrada.

Ainda durante interrogatório, a ré falou sobre o tempo em que ficou foragida e que esteve no Rio de Janeiro, onde foi presa em uma casa de prostituição. Ela detalhou o funcionamento do local e disse que não se prostituiu, já que dava diversas desculpas para não fazer programas com os clientes.

O interrogatório foi encerrado às 22h10 e, após um intervalo de dez minutos, começaram os debates.

Debates

Em sua fala, o promotor falou que a ré é manipuladora e que quer levar os jurados a erro. Ele lembrou que o Conselho de Sentença, formado por quatro homens e três mulheres, não estava julgando uma mãe de dois filhos, mas uma acusada pelo homicídio do próprio pai.

O caso

O corpo de Mario José Teixeira Filho, de 50 anos, foi encontrado em uma estrada na região de Itabirito em agosto de 2010. Érika nega envolvimento no crime e já declarou que se dava bem com o pai. No entanto, testemunhas relatam que os dois tinham constantes discussões por causa de dinheiro. Além da morte, Érika foi acusada de aplicar vários golpes contra lojas em Belo Horizonte. Ela ficou foragida e foi recapturada em março de 2012.

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