Acusado de pedofilia, prefeito de Coari, no Amazonas, se entrega à polícia

Denúncias de abuso sexual de menores começaram a aparecer em escutas telefônicas durante investigações sobre esquema de desvio de recursos públicos

O prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro (PRP), é acusado de exploração sexual de crianças e adolescentes. Foto:Divulgação
O prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro (PRP), é acusado de exploração sexual de crianças e adolescentes. Foto:Divulgação

O prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro (PRP), se entregou à polícia neste sábado (8), de acordo com informações da imprensa local. Ele é acusado de formação de quadrilha e de abusar sexualmente de meninas menores de idade. O pedido de prisão de Pinheiro, e de mais cinco pessoas, foi expedido na sexta (7) pelo desembargador Djalma Martins da Costa, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

Em reportagem transmitida em janeiro pelo programa Fantástico, da Rede Globo, mulheres afirmaram terem sido abusadas sexualmente pelo prefeito. Uma das vítimas afirma que foi estuprada quando era criança, e que agora sua filha de 11 anos é assediada por Pinheiro.

A denúncia mais recente diz respeito a uma menina de 13 anos que teria sido obrigada pela mãe a manter relações íntimas com Pinheiro na noite de Ano Novo, em troca de um pagamento de R$ 2 mil. O valor seria pago a cada menina virgem que fosse levada ao prefeito.

A prisão atendeu a um pedido do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). Segundo o procurador-geral de Justiça, Francisco Cruz, a prisão preventiva do prefeito e dos outros suspeitos é necessária para “garantir a ordem pública, evitar que novas vítimas sejam molestadas e que testemunhas sejam ameaçadas”.

Ainda segundo o procurador-geral, a denúncia resultou em um documento de 48 páginas, “fruto de um trabalho minucioso” elaborado a partir das investigações iniciadas em julho de 2013. “Entendemos que o que estamos fazendo é o melhor para a sociedade. Existem elementos concretos para a ação penal e, a partir de agora, cabe ao Tribunal de Justiça dar prosseguimento ao caso”, acrescentou Cruz.

Entenda o caso

O prefeito é réu em pelo menos 70 processos que tramitam na Justiça do Amazonas. Apesar da gravidade de algumas das acusações, os processos estão parados à espera de julgamento, suscitando a hipótese dele estar sendo beneficiado por juízes. Em 2006, a Polícia Federal passou a investigá-lo devido a indícios de desvio de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

As denúncias de pedofilia começaram a aparecer no decurso dessas investigações em escutas telefônicas judicialmente autorizadas. As investigações culminaram na chamada Operação Vorax, cujo relatório foi divulgado em 2008. Desse relatório resultou a prisão de Pinheiro, em 2009. Em agosto de 2013, Pinheiro chegou a prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, da Câmara dos Deputados.

Fonte:IG

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