Acusados em escândalos lideram disputa ao governo ou Senado em 6 estados

Corrida deste ano tem nomes como Cássio Cunha Lima (PSDB), cassado em 2009 por compra de votos

Marconi Perillo (PSDB), candidato ao governo de Goiás . Foto: Divulgação
Marconi Perillo (PSDB), candidato ao governo de Goiás . Foto: Divulgação

Políticos que tiveram seus nomes envolvidos em escândalos como os do mensalão, Anões do Orçamento, Operação Monte Carlo ou mesmo aqueles que foram cassados ou presos por corrupção eleitoral lideram pesquisas de intenção de voto para o governo estadual ou ao Senado em seis Estados: Acre, Pará, Distrito Federal, Bahia, Paraíba e Goiás.A situação mais emblemática ocorre no Distrito Federal. O ex-governador José Roberto Arruda (PR), preso em 2010 após determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por envolvimento no escândalo chamado Mensalão do DEM, lidera a corrida ao governo do Distrito Federal (GDF). De acordo com o último levantamento Ibope, Arruda tem 37% das intenções de votos. O atual governador Agnelo Queiroz (PT) e Rodrigo Rollemberg (PSB) dividem a segunda colocação com 16% das intenções de voto cada.

Por ter sido preso em 2010 e acusado do crime de improbidade administrativa, Arruda foi impedido de concorrer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mas ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e continua em campanha normalmente. “É meu direito de concorrer e tudo que aconteceu em 2010 eu tenho provado que foi apenas um golpe para me tirar do poder”, afirmou Arruda.

Na Paraíba, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), cassado em 2009, quando era governador do Estado, também lidera a disputa ao governo do Estado. Em 2009, ele foi cassado por compra de votos nas eleições de 2006.

Pela denúncia do Ministério Público Eleitoral (MPE), Cunha Lima teria distribuído cheques, valendo-se de um programa assistencial criado no ano das eleições, sem execução prévia orçamentária, o que é proibido.

Mesmo condenado, Cunha Lima não foi atingido pela Lei da Ficha Limpa, apesar de ter sido impugnado tanto em 2010, quanto neste ano pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2010, ele conseguiu manter sua candidatura alegando que a lei da Ficha Limpa, aprovada naquele ano, não poderia entrar em vigor a menos de um ano das eleições.

Já em 2014, ao ser impugnado pelo MPE, Cunha Lima argumentou em julgamento no TRE da Paraíba, que poderia concorrer porque a inelegibilidade de oito anos, fruto de sua condenação, começaria a valer a partir das eleições de 2006 e não partir da data de sua condenação em 2009. Os juízes do TRE acataram esse argumento e liberaram a candidatura.

Hoje, Cunha Lima não somente lidera as pesquisas de intenções de voto ao governo do Estado da Paraíba, como pode vencer no primeiro turno. Conforme levantamento Ibope divulgado na última segunda-feira (01), ele tem 47% das intenções de voto. Os seus outros cinco concorrentes, juntos, somam 38%. A reportagem não conseguiu contato com Cunha Lima.

No Pará, o candidato ao senador Paulo Rocha, acusado, porém absolvido, de envolvimento no escândalo do mensalão, também lidera as pesquisas em seu Estado, mas na disputa ao Senado. Ele tem atualmente, conforme levantamento Ibope, 23% das intenções de voto. Mas ele está em uma disputa acirrada com o tucano Mário Couto, que tem 17% das intenções de voto.

Na época do mensalão, Rocha era o líder do PT na Câmara dos Deputados e foi acusado de ter sacado R$ 620 mil das contas de Marcos Valério, operador do esquema. Ele foi processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2012, mas foi inocentado. Dos dez ministros, cinco entenderam que ele não sabia da origem ilícita dos recursos. Com o placar do julgamento empatado, Rocha foi inocentado pelo princípio jurídico do “in dubio pro reo” (na dúvida, o réu é sempre o beneficiado).

Outros candidatos envolvidos em grandes escândalos e que lideram pesquisas semelhantes são Tião Viana (PT), que pode vencer as eleições ao governo do Estado do Acre em primeiro turno; Geddel Vieira Lima (PMDB), lidera as pesquisas ao Senado na Bahia, e Marconi Perillo (PSDB), que é o favorito na disputa pelo governo estadual em Goiás.

Viana esteve envolvido no escândalo dos Atos Secretos do Senado e foi flagrado pagando uma conta de telefone para a filha de R$ 14 mil, com recursos do Senado. Vieira Lima foi arrolado no escândalo dos Anões do Orçamento, o primeiro investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e Perillo, citado durante as investigações da Operação Monte Carlo, desencadeada pela Polícia Federal em 2012 e que desarticulou um esquema de corrupção comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira. Perillo foi citado como sendo um dos beneficiários do esquema. A reportagem tentou contato com Perillo, Viana, Rocha e Vieira Lima para comentar seus envolvimentos em escândalos, mas também não obteve retorno.

O doutor em Ciências Sociais e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marco Antônio Teixeira afirma que o componente ético ainda é apenas um fator no processo de escolha do eleitor. Ele também pondera que políticos envolvidos em grandes escândalos tendem a ter maiores índices de rejeição, embora isso ainda não seja determinante para uma eventual derrota nas urnas.

“A rejeição a essas figuras não é pequena. Ao mesmo tempo em que eles têm um grande apelo eleitoral, eles têm uma grande repulsa. Há o caso (do ex-governador Paulo) Maluf em São Paulo, em que se criou até o chamado ‘índice Maluf de rejeição’, quando o candidato tem mais de 30% de rejeição. Mas políticos como esses acabam sendo bem votados, porque têm o eleitorado que considera muito mais os feitos em gestão e os benefícios que levaram para ele”, disse o professor. “Os únicos capazes de impedirem isso (que políticos condenados concorram) são a Justiça e o próprio voto. Agora, poderia ser muito pior se não fosse a lei da Ficha Limpa”, finalizou.

Fonte: IG

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