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Adolescentes são responsáveis por 40% dos assaltos a ônibus

Data: 05 março 2013 - Hora: 15:48 - Por: Portal JH

A ausência de políticas públicas voltadas para a juventude e para os adolescentes que tenham cometido ato infracional é apontada pelo juiz da Vara da Infância, Homero Lechner, como uma das consequencias da entrada, cada vez maior, de jovens no mundo do crime. Ele revelou ontem que 40% dos assaltos contra ônibus registrados em Natal são cometidos por adolescentes. Somente nos dois primeiros meses de 2013, foram contabilizados mais de cem ocorrências desta natureza na cidade.

Lechner explicou que o perfil dos atos infracionais mudou ao longo dos últimos dez anos e que a entrada de drogas cada vez mais pesadas e com maior poder viciante reforçou essa transformação. Antes, os adolescentes estavam envolvidos em crimes de menor poder ofensivo, como furtos simples, brigas com lesões corporais leves e tráfico de maconha, essencialmente.

“Hoje, principalmente depois do crack, o perfil dos atos infracionais está mais agressivo e destrutivo. Um estudo preliminar feito pelas Varas da Infância e Juventude revelou que cerca de 60% dos homicídios e latrocínios (roubo seguido de morte), por exemplo, ocorrem com a participação de jovens com menos de 21 anos. E também nos assaltos a ônibus, que chegam a 40% de participação”, explicou o magistrado.

Homero Lechner disse que Natal foi a capital de estado que registrou o maior crescimento de homicídios contra crianças e adolescentes entre os anos de 2000 e 2010, com quase 900%, conforme o Mapa da Violência 2012, desenvolvido pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador de estudos sobre a violência da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e divulgado pelo Instituto Sangari.

“Natal já é a 10ª Capital mais violenta do país, com maior índice de criminalidade, que é impulsionada também pela sensação de impunidade que os criminosos sentem aqui. E uma das consequencias disso tudo é a falta de políticas públicas voltadas para a prevenção e para o combate aos crimes, sobretudo aos atos infracionais praticados por adolescentes, que são as principais vítimas e também estão envolvidas nas autorias dos atos”, explicou.

O tráfico de drogas é a principal porta de entrada dos adolescentes para o mundo do crime. Para Lechner, seja por falta de políticas públicas de geração de emprego e renda ou de prevenção e combate aos entorpecentes, eles estão mais vulneráveis ao aliciamento por parte dos traficantes, que sabem que a punição para os jovens não é severa.

A ausência de estrutura física e administrativa das unidades de internação para adolescentes que tenham cometido ato infracional no Estado e, sobretudo, em Natal, também contribuem para a marginalização dos jovens. E muitos dos que cometem esses atos acabam sendo liberados por falta de vagas.

“Isso é um problema grave no Estado, descomprometido com essa questão tão importante, que revela a situação de falência total do sistema de medidas socioeducativas. Por causa disso, somente podemos internar os adolescentes em ato infracional caso apareça alguma vaga aberta, o que é difícil”, afirmou o juiz da Vara da Infância e Juventude.

Conforme informações do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado (Sintro/RN), a maioria dos crimes acontece nos finais de semana, geralmente depois das 18h e em áreas com alto índice de criminalidade. Itinerários como os bairros da zona Oeste, Leste e Norte são os que possuem maior número de reclamações de motoristas e cobradores, que relatam medo e apreensão durante todo o horário de expediente.

Em janeiro deste ano, foram 30 assaltos registrados contra ônibus urbanos em Natal, ou seja, quase um por dia. E a situação vem piorando diariamente. Somente nos 20 primeiros dias de fevereiro, já foram contabilizados 48 abordagens aos veículos de linha e 19 contra os alternativos que também circulam na capital, o que significa uma média de 3,35 assaltos por dia, neste mês.

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