“No Aécio Neves não voto com certeza”, diz dono de perfil @aecio

Músico confundido com candidato à presidência nas redes sociais afirma que aceitaria R$ 50 mil para vender perfil

Candidato tem opção de comprar o perfil por R$ 50 mil. Foto: Divulgação
Candidato tem opção de comprar o perfil por R$ 50 mil. Foto: Divulgação

Há exatamente um mês, no dia 9 de junho, Aécio de Souza recebeu uma curiosa mensagem do PSDB em seu perfil no Twitter: “convocação de @Aecio Neves para Convenção Nacional do partido.” Não foi a primeira vez. Xará do ex-governador de Minas Gerais, Souza viu no último ano sua página @aecio ser invadida por uma série de mensagens nas quais era confundido com o político, especialmente desde a confirmação de Neves como candidato do PSDB à presidência da República nas eleições deste ano, em convenção realizada no mês passado. Perturbou, irritou. Ainda é uma chatice. Mas, após compreender melhor a situação, o jovem resolveu ser espirituoso e fazer graça com ela. “No começo, na verdade, até achei legal, porque antigamente todo mundo confundia meu nome e repentinamente aprenderam a escrevê-lo. Desde criança eu me apresentava e me perguntavam: ‘O quê? Edson?’”, se diverte o bem-humorado Souza, 33 anos, músico e proprietário de um estúdio na zona oeste de São Paulo que há dois meses criou o Tumblr “Eu não sou Aécio Neves”, onde posta as curiosas confusões pelas quais tem passado devido ao nome famoso. “Posso garantir que em em comum só temos o Aécio, porque com certeza eu jamais votaria nele. Nem só pelas ideias que não batem, mas o cara nem me conhece e já está me enchendo há meses.”

Aécio de Souza: irritação gerada por confusão foi transformada por ele em página de piadas. Foto: Divulgação
Aécio de Souza: irritação gerada por confusão foi transformada por ele em página de piadas. Foto: Divulgação

As piadas sobre a coincidência há tempos fazem parte do cotidiano de Souza. Dono de um nome incomum, o mesmo de seu pai, quando ainda era criança soube da existência de um político mineiro chamado Aécio. Logo vieram os gracejos em padarias e bancas de jornal da vizinhança onde morava. “Não é uma coisa nova para mim, afinal o cara é mais famoso do que eu”, diz. O perfil @aecio é mantido por ele desde 2008, sempre com grande atividade de postagens, entre video-clipes de rock pesado e comentários sobre o cotidiano. De alguns meses para cá, no entanto, as brincadeiras de rua evoluíram para além do círculo de amizades. Logo, se transformaram em confusão real e em um pequeno incômodo para o jovem. “Eu até respondia no começo explicando que não era quem pensavam, mas insistiam e fui me irritando. Aí passei a xingar. Mas ainda assim as coisas não mudaram”, recorda ele. “Então resolvi zoar! Hoje, respondo para cada pessoa de acordo com a sua abordagem. O engraçado é que essas pessoas tentam falar de política e não se dão sequer ao trabalho de checar o mínimo para saber que não sou ele.” O engano costuma ocorrer quando o usuário que pretende citar ou contatar o presidenciável marca seu nome com o tradicional símbolo de arroba (@) na frente e se esquece de colocar o sobrenome grudado ao lado – tornando a marcação apenas @Aécio. Assim, não só o PSDB, mas marqueteiros, empresários e especialmente internautas comuns, na tentativa de elogiar ou atacar o político, acabam destacando a pessoa errada. E é esse emaranhado de confusões que compõe, por meio de print screens das mensagens, o Tumblr, cujo acesso vem crescendo a cada dia à medida em que as eleições se aproximam. “O intuito não era ganhar projeção, mas, sim, fazer piada com uma galera que estava se mostrando idiota por postar sem pesquisar”, salienta Souza, cuja média de postagens diária em redes como Facebook, Twitter e Instagram ultrapassa uma dezena. “Sempre fiz pagininhas de brincadeira, então nunca imaginei que esta específica fosse atingir tanta gente. Tudo bem. Dou risada, a vida em si ficou mais engraçada.” Ainda assim, mesmo com as gargalhadas que passou a compartilhar com conhecidos e amigos, a fama repentina o desagradou em alguns pontos. Por exemplo, no fato de que cada mensagem supostamente endereçada ao político ser repassada para outras dezenas de pessoas com cópia para ele, levando o aparelho celular do jovem a enganá-lo com apitos de mensagens que imagina serem importantes. “É uma coisa que só tem piorado. Pode até ser legal pela projeção que ganho com meu trabalho, divulgando o meu estúdio. Mas se tornou rotina para mim ficar deletando posts e mais posts”, lamenta. Desta forma, Aécio – o de Souza, não o Neves – propõe uma solução inventiva para o candidato, que poderia ser útil tanto a ele quanto ao “rival” durante as eleições: a venda de seu “domínio” no Twitter. “Eu uso internet há muito tempo e cheguei primeiro, sempre usando o @aecio. Então facilitaria muito a minha vida se ele se chamasse apenas Jorge”, ri Souza. “Mas claro que tudo é negociável. Se quiserem desesperadamente usar o @aecio, R$ 50 mil resolveria a minha vida. Vai que ele lê esta matéria e se empolga.” Fonte: IG

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