Afastamento de Rosalba Ciarlini é comemorado pela classe trabalhista

Sindicatos confirmam o mau uso da máquina pública pela governadora e avaliam decisão do TRE

Simone: “Apesar da decisão, não temos nenhuma confiança que o cenário irá mudar”. Foto: Heracles Dantas
Simone: “Apesar da decisão, não temos nenhuma confiança que o cenário irá mudar”. Foto: Heracles Dantas

Carolina Souza
acw.souza@gmail.com

Se a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em afastar a governadora Rosalba Ciarlini do cargo de líder do Executivo foi recebida negativamente por alguns personagens políticos, a mesma notícia foi recebida pela classe trabalhista em tom de vitória. Os sindicatos que chegaram a impetrar um pedido de impeachment junto a Assembleia Legislativa, posteriormente sem sucesso, enxergaram a novidade como uma grande conquista para a população e para os servidores públicos.

Para o sindicato dos profissionais em Saúde Pública, Sindsaúde, a decisão do Tribunal vem “coroar” o processo do impeachment. “Infelizmente a Assembleia Legislativa não condicionou esse cenário antes, mas o TRE fez justiça. O nosso pedido de impeachment estava relacionado a improbidades administrativas por parte do governo Rosalba Ciarlini, mas também relatávamos o mau uso da máquina pública em prol da campanha municipal em Mossoró”, destaca Simone Dutra, coordenadora geral do sindicato.

“Achamos corretíssima a avaliação do Tribunal Eleitoral, mas agora pedimos o apoio da população. É importante que as pessoas pressionem para que Rosalba seja afastada definitivamente. Os trabalhadores não aguentam mais esse governo”, disse Dutra. “Apesar da decisão do afastamento, não temos nenhuma confiança que o cenário político-administrativo irá mudar com o vice-governador [Robson Faria]. Entretanto, o caos instaurado em nosso Estado requer esse afastamento. Recebemos essa notícia com muito bom agrado”.

Os profissionais da Educação também avaliam que a decisão do afastamento de Rosalba Ciarlini do Governo do Estado chegou tarde.  “A nossa expectativa era que isso já tivesse acontecido, partindo de outras motivações. O fato do desempenho econômico do Estado ter crescido, com diversos repasses da União, nos leva a questionar a transparência no emprego do erário público. O governo não investe aquilo que vem sendo dito”, afirma Fátima Cardoso, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte/RN).

“Agora esperamos que os inúmeros recursos a serem impetrados pelo Governo não venham frustrar as expectativas da sociedade, a exemplo do que vem acontecendo com a prefeita de Mossoró [Cláudia Regina], do mesmo partido de Rosalba. A sociedade precisa acreditar que existe justiça para dar força aos instrumentos de luta”, afirmou.

“Pior do que está não pode ficar”

A declaração é do presidente do Sindicato dos Policiais Civis do RN (Sinpol), Djair Oliveira. Questionado pela reportagem sobre como a categoria recebeu a notícia do afastamento de Rosalba tarde de ontem, ele foi enfático. “Nós temos uma governadora que maltrata o servidor público. Como vocês acham que recebemos isso? Os servidores estão muito felizes. Finalmente, que a justiça possa ser feita”, disse.

“Rosalba foi a governadora que mais maltratou o servidor público. Se o afastamento for realmente concretizado, pior do que está não pode ficar. Embora a gente saiba que o governo entrará com recursos para reverter esse quadro, esperamos que o nosso próximo governador possa olhar para o servidores com bons olhos. Esperamos por dias melhores e com menos criminalidade nas ruas por falta de investimento na categoria”, afirmou Djair Oliveira.

O Sindicato dos Servidores da Administração Indireta no RN (Sinai) também apresentou suas impressões sobre a novidade que pode mudar o cenário político-administrativo do Estado. “Nós não nos surpreendemos. A gestão de Rosalba é desastrosa. Uma hora ou outra iriam reconhecer isso. Nós não sabemos muitos detalhes sobre a relação dela durante a campanha em Mossoró, mas temos conhecimento de inúmeros problemas que configuram sua péssima administração”, destacou Santino Arruda, presidente do Sinai-RN.

“Evidentemente nós queríamos que ela tivesse sido afastada pela pressão popular, pela força dos movimentos sociais. Seria mais interessante. Infelizmente isso não foi possível, mas podemos agradecer pela Justiça Eleitoral estar fazendo o seu papel”, disse Santino.

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