Agência de Aviação informa hoje qual será o reforço de novos voos

Medida visa atender a demanda das sedes da Copa

Natal está entre as três capitais brasileiras que podem receber os maiores reforços de voos para a Copa do Mundo. Foto: Wellington Rocha
Natal está entre as três capitais brasileiras que podem receber os maiores reforços de voos para a Copa do Mundo. Foto: Wellington Rocha

Marcelo Hollanda
hollandajornalista@gmail.com

Está prevista para hoje (15) a divulgação pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) as autorizações para atender os pleitos das companhias aéreas, que solicitaram no começo do ano 1.523 voos regulares extras para atender a demanda da Copa do Mundo, no período de seis de junho a 20 de julho. É a partir desta liberação que as empresas poderão iniciar a venda dos bilhetes. O melhor momento para comprar passagens para esses voos será justamente na hora em que os bilhetes entrarem no sistema de venda das empresas.

Natal é a terceira capital sede da Copa em número de assentos solicitados, já que dois dos aeroportos beneficiados estão no estado de São Paulo. Pela ordem são eles Cuiabá (48%), Campinas (41,6%), Guarulhos (36,5%), Natal (27,5%), Fortaleza (17,8%), Salvador (14%), Recife (13%) e Galeão (13%).

Levantamento preliminar da agência sobre os pedidos mostra que as cinco rotas que mais receberão reforço de voos são as de Brasília para Guarulhos, que recentemente desonerou seu ICMS sobre o querosene de aviação; do Rio de Janeiro para Buenos Aires, do Rio de Janeiro para Campinas, de Fortaleza para Guarulhos e de Salvador para Guarulhos.
Segundo a Anac, a intenção é atender todos os pedidos das empresas, desde que haja capacidade nos aeroportos. Para Natal isso não deve ser problema, pois o novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante será entregue ao público em abril próximo com capacidade para receber 6 milhões de passageiros/ano.

As solicitações de reforço de linhas das companhias aéreas se concentram em rotas de maior demanda principalmente na primeira fase do Mundial. Com o desenrolar do campeonato, novas demandas poderão surgir. Para permitir que os voos sejam direcionados para onde houver mais demanda, a Anac atendeu ao pedido das companhias aéreas para flexibilizar as regras de cancelamentos.

Excepcionalmente durante a Copa, as companhias poderão alterar voos com 24 horas de antecedência. Mas elas continuam obrigadas a comunicar os passageiros sobre as mudanças e a prestar assistência de acordo com a resolução nº. 141, que estabelece os direitos dos passageiros em caso de atrasos e cancelamentos.

A partir desta quinta-feira (16), as empresas também poderão solicitar autorizações para realizar voos fretados. E em 24 de junho de 2014 será aberto o prazo para solicitação de voos fretados para a fase eliminatória.

A operação aérea da Copa leva em conta a movimentação de voos em 25 aeroportos, sendo 12 nas cidades-sede e outros 13 localizados em aeroportos até 200 quilômetros de distância dessas cidades. Será montado ainda um centro de controle e coordenação, com participação de companhias aéreas e de representantes de órgãos públicos ligados às operações aéreas e aeroportuárias.

QUEROSENE DE AVIAÇÃO

Enquanto isso, o Governo do Estado simplesmente ignorou as solicitações do trade turístico de Natal, da operadora turística CVC e do próprio consórcio Inframerica, que constrói e vai operar o novo terminal.

Eles reivindicam a desoneração a alíquota de ICMS sobre o querosene de aviação, que atualmente é de 17%, para 12%, como forma de baratear os custos das companhias aéreas e trazer de volta mais de três mil voos perdidos. Isso custaria ao Estado R$ 12 milhões por ano de receita que deixaria de entrar nos cofres públicos.

De 9.128 pousos registrados entre janeiro a outubro de 2012, desceram no Augusto Severo no mesmo período do ano passado 7.676. Já os voos internacionais caíram de 204 para 181. No total, o RN perdeu nada menos do que 1.500 voos por ano.

O grande argumento usado para os que defendem a desoneração do QAV é o retorno de passageiros na esteira da volta dos voos. Em Brasília deu certo com a volta de 56 voos perdidos.

No Ceará, o governo pretende anunciar em breve não apenas a desoneração do querosene como também de uma série de insumos usados pelas companhias como forma de melhorar o ambiente competitivo das empresas e, por conseguinte, aumentando o fluxo de aeronaves e pessoas para o estado.

O consultor Ari Carrion, que participu no fim do ano passado debateu o tema em uma audiência pública na Assembleia Legislativa, lembrou que, independentemente de eventos importantes como a Copa, a desoneração do QAV é vital para aumentar a atração de pessoas ao destino durante todo o ano. O querosene tem um peso de 45% sobre o valor da passagem aérea, daí a razão das passagens para Natal serem tão caras.

Baseado em números recentes, por conta dessas políticas, Aracaju atraiu este ano mais 1.800 voos; Maceió 603; Recife 265; Salvador 596; Teresina 318 e João Pessoa 10. Fortaleza, que perdeu 191 voos este ano, deve reverter isso com o anúncio em breve de um pacote de medidas com estímulo para empresas aéreas.

Quando aqui esteve, Ari Carrion lembrou a última vez em que esteve na cidade e necessitou de um voo de volta para São Paulo. “Como não deu para embarcar às 14 horas, só consegui um voo para às 23 horas que chegaria às 9 da manhã. Para não dormir num banco do aeroporto, optei por outro só às 6 da manhã do dia seguinte”.

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