A agenda municipal

Parece que não há mais só a página dos fatos positivos na agenda que registra o primeiro ano de gestão…

Parece que não há mais só a página dos fatos positivos na agenda que registra o primeiro ano de gestão do prefeito Carlos Eduardo Alves. Ele sabe que na página ao lado estão os débitos de um jogo que nada acrescentou ao trajeto vitorioso que fez nos últimos anos, agora que ele e a ex-governadora Wilma de Faria aderiram ao lado retrógrado da luta. Ele, de novo liderado da família com fortes tons oligárquicos, e ela a consagrar o novo acordão dos poderosos, aquele mesmo que condenou nas ruas.

Carlos e Wilma, nesse sentido, revelam-se até os simbólicos do tipo viciado de renovação que é uma característica própria da política do Rio Grande do Norte. Frutos de velhos troncos oligárquicos e conservadores rompem e retornam a seus núcleos familiares de acordo com a conveniência e não por convicção ideológica. Se a onda é progressista, simulam romper com o passado, mas logo retornam se retornar é lucrativo, cômodo ou vantajoso, sempre em nome da união heroica pela salvação do povo.

A rigor, e os jornais estão ai com a memória em suas páginas, se sabe que o núcleo de força de sua construção de seu fora da família e esta financiou nomes conservadores para derrotá-lo, daí ter assumido o PDT e se aliado ao PT como forma de limpar nódoas familiares. Assim também assumiu a então candidata à prefeita, e depois ao governo, Wilma de Faria, uma aliada do PT contra as forças conservadoras, quando era bom ser assim, em nome do PSB, partido do governador Eduardo Campos.

O que hoje pode ser cômodo, amanhã pode não ser e a conta virá para o prefeito que ainda vive a hora de tocar uma gestão com graves desafios: um sistema de saúde que um ano depois não melhora; um transporte público sob tutela, acintosamente, dos empresários numa gestão que, eleita pelo povo, até hoje não soube enfrentá-los; e a política de relações de trabalho de um partido que se diz trabalhista e é acusado de ser generoso para os cargos comissionados e desumano para com os servidores comuns.

A austeridade da gestão, a julgar pelo calendário das efemérides festivas de alegrias populistas financiadas pelos cofres públicos, não é tanta assim, nem foram pequenos os aumentos concedidos aos cargos comissionados, fato que a greve começa a exibir nos cartazes pelas ruas. Como não foi nem um pouco salutar a pressão que exerceu para não ir ao plenário da Câmara Municipal, ele que, por sua própria tradição de seriedade no trato da coisa pública, nada tem a temer e muitos menos a esconder.

Claro, o prefeito tem cerca 70% de aprovação de sua gestão, mas o percentual nasce muito mais do desastre da gestão anterior do que dos feitos realizados em apenas um ano. E mesmo assim é bom não esquecer que o prestígio popular é um capital altamente volátil. E que se volatiliza facilmente no atrito com os fatos nas diversas camadas que formam a opinião pública, tribunal sumário e inapelável que julga e condena acima de todas as pressões. É assim desde a queda da Bastilha na França de 1789.

 

CRISE? – I

Há uma silenciosa e quem sabe transponível crise nas relações PT-PSD do vice Robinson Faria, mas o PT explica como sendo um desejo não confessável do PSD de deixar a aliança e abandonar os petistas.

ALIÁS – II

Fontes ligadas ao vice-governador garantem que no PMDB não cessou o desejo de conquistar o apoio de Robinson Faria ao chapão. Seria mais um partido e com um forte acervo de votos na região Agreste.

ACERVO – I

O PDT do prefeito Carlos Eduardo administra dois dos três maiores colégios eleitorais do Estado, no caso Natal e Parnamirim, algo em torno de 600 mil votos e pode sair do pleito sem ampliar seu acervo.

ALIÁS – II

Não se pode por na conta das vantagens a reeleição de Agnelo Alves – já é deputado seria reeleito com ou sem aliança com o PDT – e não se pode esquecer que o PDT não hoje um só vereador na Câmara.

CD

Os autores do livro A Bolsa da Família Alves, os jornalista Paulo Augusto e João Eudes, já lançaram também o CD com as 21 faixas que compõem a trilha sonora das ‘sabedorias’ que a reportagem conta.

SAÍDA

É como dizia ontem um henriquista na mesa de um restaurante de Petrópolis: ‘Só uma intervenção da direção nacional evitaria o acordão de Wilma com Henrique. Ela só tem a ganhar e não corre riscos’.

ALIADOS

O alto comando pemedebista ainda não descartou ter como aliados o DEM de José Agripino e o PSDB de Rogério Marinho. São adversários de Dilma, mas seria a saída para mantê-los calados e satisfeitos.

CASCUDO – I

Lançado o ‘Prêmio Câmara Cascudo e a Identidade Nacional’ da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras para estudantes de nível médio e fundamental, anuncia nosso doutor Diógenes da Cunha Lima.

COMISSÃO – II

Também por escolha do presidente da ANL, a comissão conta com Eider Furtado de Mendonça, Ivan Maciel de Andrade e Nelson Patriota. Prêmio será entregue em novembro em solenidade na Academia.

CENA

A cena da convecção que homologou Cláudia Regina candidata a prefeita de Mossoró foi de desolação a julgar pela transmissão das tevês. Cláudia que era ‘o novo’ parece que hoje abandonada pelo DEM.

MILAGRE

Fontes da Polícia Militar consideram milagre se dentro de sessenta dias o Governo conseguir deixar a o efetivo militar bem equipado em viaturas, armas e munição. O estado da PM é de total precariedade.

MEMÓRIAS

O poeta Jarbas Martins está escrevendo suas memórias e já escolheu o título: ‘Estação Angicos’, com sentidos real e metafórico: lugar onde nasceu e da estação de trem a partir da qual descobriu o mundo.

GRÃO

A Pontifícia Universidade de Minas lança ‘O Grão Perfumado’, um estudo de Paulo Sérgio Malheiros dos Santos sobre as conferências e aulas de Mário de Andrade como professor em São Paulo e no Rio.

CALLAS

Dia 13, no palco do Teatro Riachuelo, Midway Mall, o espetáculo Callas, com Silvia Pfeifer e Cassio Reis, direção de Marília Pera. A história de uma mulher frágil, iluminada por Deus em busca do amor.

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