Agentes da PF no Rio Grande do Norte penduram algemas em protesto

Eles querem mostrar para população a insatisfação dos profissionais com a falta de reconhecimento do Governo Federal

O Sindicato dos Servidores do Departamento de Polícia Federal do Rio Grande do Norte (SINPEF/RN) realizou na manhã de hoje, em frente a sede do órgão, o “algemaço”- mobilização nacional dos agentes, escrivães e papiloscopistas que lutam pela regularização de suas categorias e reestruturação das carreiras. Em todo o Brasil, os profissionais realizaram o protesto. Na próxima terça-feira (11), acontecerá a primeira paralisação do ano.

Agentes, escrivães e papiloscopistas “penduraram” as algemas como forma de protesto para

Policiais federais estão insatisfeitos por não receberem nenhum reajuste há mais de sete anos, o equivalente a uma defasagem de 45%. Foto: Wellington Rocha
Policiais federais estão insatisfeitos por não receberem nenhum reajuste há mais de sete anos, o equivalente a uma defasagem de 45%. Foto: Wellington Rocha

. “Hoje estamos realizando esse algemaço em todo Brasil, como uma analogia com os jogadores de futebol que no fim da carreira penduram as chuteiras. Penduramos nossas algemas em protesto porque há sete anos estamos negociando com o governo e até agora nada. Nós lutamos pela reestruturação de carreira, que durante todo esse tempo não recebeu reajuste salarial algum”, afirmou o agente Fernando Araújo.

Segundo o sindicato a defasagem da Polícia Federal chega a 45%. Entre os motivos está a aposentadoria de profissionais além do número de concursos insuficientes para atender a demanda. Ainda segundo os sindicalistas muitos profissionais estão deixando a PF para seguir carreiras mais promissoras. “Hoje está havendo um fenômeno muito sério, há muitos agentes se aposentado, não estão sendo realizados tantos concursos, resultando assim em uma defasagem de 2.000 a 3.000 agentes nessas três categorias. Além disso, muitos estão deixando a PF para seguir carreiras mais promissoras”, disse Fernando.

Desde 2007, tornou-se obrigatório para assumir qualquer cargo da Polícia Federal o nível superior. Mas essas categorias não receberam reajuste salarial de acordo com esse nível. “Hoje é exigido para todos os cargos da polícia federal o nível superior, mas apenas os agentes, escrivães e papiloscopistas, recebem como nível médio. Nas fronteiras as condições são muito precárias, e por conta disso tudo há uma desmotivação generalizada dos profissionais”, relatou.

De acordo com o presidente do Sinpef, José Antônio Aquino, entre os anos de 2007 e 2013 o departamento de estatística do órgão realizou um balanço recente que constatou uma que da 86% no número de operações contra a corrupção deflagradas pela PF a nível nacional. Isso se deu, segundo o sindicalista porque os agentes deixaram de realizar as atribuições de investigação que não estavam previstas pela lei. “Nós não estamos mais trabalhando com isso porque não temos o reconhecimento devido. Então houve essa queda absurda. Apenas 8% dos inquéritos passam a ser denúncia pelo ministério público, um percentual muito baixo. Quando nós trabalhávamos efetivamente toda semana tínhamos uma operação contra corrupção aqui na PF”.

As primeiras paralisações do ano já estão previstas para o a próxima terça-feira (11) e nos dias 23 e 24 deste mês de fevereiro.

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