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Agentes penitenciários do RN realizam ato público e assinalam “omissão assassina” do Governo Federal

Data: 15 março 2013 - Hora: 18:24 - Por: Carolina Souza
Imagens de agentes mortos violentamente como vítimas do sistema carcerário brasileiro foram expostas em painel. Foto: Heracles Dantas

Imagens de agentes mortos violentamente como vítimas do sistema carcerário brasileiro foram expostas em painel. Foto: Heracles Dantas

Fotografias expostas na Praça Sete de Setembro, em frente à Assembleia Legislativa, roubaram todas as atenções das pessoas que transitavam pelo local. As imagens, representando a realidade vivida por agentes penitenciários em todo o Brasil, chocaram aos olhos da população por demonstrarem situações agressivas: agentes que foram mortos violentamente como vítimas do sistema carcerário brasileiro. O ato público ocorreu paralelamente ao I Fórum de Debates da Segurança Pública e do Sistema Penal do Brasil, realizado na AL nesta sexta-feira.

Além das fortes imagens dos agentes assassinados, a categoria instalou um painel ao lado das fotografias relatando a “teoria da conspiração petista” como uma forma de denunciar publicamente o caos instaurado nas cadeias brasileiras por culpa dos gestores públicos. Em cinco passos, os agentes delataram a formação da teoria: 1º Passo – o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é incumbido de desmoralizar o sistema penal brasileiro e o declara “pior que o inferno, preferindo a morte a ser preso nele, mesmo depois de dez anos de gestão petista”, diz o painel.

No 2º passo, os agentes apontam que, em janeiro deste ano, dois presídios privatizados foram inaugurados, onde o custo de um preso passa de R$ 6 mil para R$ 16 mil. O próximo passo registra que a Presidente da República vetou o Projeto de Lei Complementar PLC 87/11 que autoriza o porte de arma ao pessoal da segurança penitenciária. No 4º passo, o Ministério da Justiça comanda a parceria pública privada de presídios e no 5º surge a medida provisória privatizando segurança pública em presídios 100% privado, “onde o custo dos presos será superior a 160%, enchendo os bolsos dos ‘petralhas’ para financiar campanha política e perpetuar-se no poder”.
O objetivo do ato, segundo o agente penitenciário Márcio Rogério de Oliveira, é mobilizar o Rio Grande do Norte em torno dessa temática que, apesar de sua importância, tem se tornado um grande problema para a sociedade e para os agentes. “O Governo está vetando os nossos direitos e o que vemos é essa realidade demonstrada no painel. Mais de dois mil agentes mortos nesses últimos dez anos. Essas fotos, apesar de muito agressivas, são totalmente reais”.

Para Márcio, essa foi a melhor forma que a categoria encontrou para chamar atenção dos gestores. “O abandono é tão grande que resolvemos chegar a esse ponto de expor em praça pública o risco que corremos diariamente. Ninguém liga para a gente e a situação está cada dia pior. O mínimo que o governo poderia nos dar é o direito ao porte de armas”, afirmou.

Quem passava pela Praça Sete de setembro, naturalmente, parava para analisar o forte conteúdo das imagens. Celestino Martins, 56, apoiou a iniciativa dos agentes, afirmando que toda denúncia é válida. “Se isso serve para denunciar o sistema presidiário, vale à pena. O importante não é a imagem em si, mas a conscientização do que está acontecendo e que muitas pessoas não sabem”.

A dona de casa Antônia Batista Bessa, 42, se mostrou muito chocada com a situação. “São imagens muito fortes. Mas é necessário chegar a esse ponto para ver se as autoridades tomam alguma medida. Apesar de saberem que essas situações acontecem, eles não fazem nada para mudar”, afirmou.

“Eis a realidade nua e crua. Os presídios funcionam como uma verdadeira faculdade do crime”, disse, indignada, a comerciante Socorro Araújo. “Os agentes precisam de condições reais de trabalho para lidar com isso. Mas se o governo investisse de verdade em cada presidiário, dando condições de trabalho e estudo, talvez a realidade não fosse tão cruel”, disse.

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