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Agentes penitenciários impedem a fuga de pelo menos 27 detentos do CDP da Ribeira

Data: 03 janeiro 2013 - Hora: 14:12 - Por: Alessandra Bernardo

Após escutar o barulho das escavações, os agentes penitenciários acionaram a Polícia Militar, que descobriu o plano de fuga, após realizar uma revista minuciosa na cela. Foto: Wellington Rocha

Vinte e sete presos de uma cela do Centro de Detenção Provisória (CDP) da Ribeira, na zona Leste de Natal, tentaram fugir na madrugada de hoje, após abrirem dois buracos em uma parede. No entanto, eles foram impedidos pelos agentes penitenciários de plantão, que acionaram o reforço do 1º Batalhão da Polícia Militar após perceberem a movimentação suspeita.

Segundo o diretor do CDP da Ribeira, Flávio Batista, três detentos assumiram terem sido os responsáveis pelos buracos e devem ser transferidos ainda esta semana para outra unidade prisional. Eles usaram peças de ferro dos ventiladores presentes na cela para escavarem a parede, que possui um reforço na parte externa nas celas, justamente para dificultar possíveis fugas.

Flávio disse que os ventiladores são permitidos nas celas por causa do intenso calor típico da época e que os presos se aproveitaram deste benefício para armarem seu plano de fuga. Para isso, eles desmontam os eletrodomésticos e usam o eixo (que faz a hélice girar) para abrir os buracos. Somente na cela um, onde aconteceu a tentativa de evasão, tinha cinco aparelhos.

“Eles desmontam os ventiladores para usar o eixo para abrir os buracos, já que essa peça serve como broca para furar as paredes. É um processo lento, já que há vistorias diárias nas celas, mas infelizmente, diante do número reduzido de agentes e policiais que temos na unidade, é humanamente impossível impedir esses tipos de ações, que passam despercebidos em algumas ocasiões”, explicou o diretor.

Por volta das 4h de hoje, os plantonistas escutaram um barulho característico e, diante da possibilidade de fuga, ligaram pedindo reforço ao 1º Batalhão, para averiguar o que estava acontecendo na cela. Quando eles chegaram lá, perceberam a movimentação e conseguiram impedir a fuga em massa, já que, apesar de apenas três terem assumido, sabemos que os outros também iriam sair se pudessem.

Dos 27 detentos da cela, três assumiram a autoria dos buracos: Jonas da Silva Gomes, sentenciado a cinco anos e quatro meses por roubo; Pedro Roberto da Costa, acusado de roubo e Alderi da Silva Pereira, preso por porte ilegal de arma. Eles serão transferidos para outra unidade, para as devidas sanções.

Hoje pela manhã, foi feita uma revista na unidade e os plantonistas encontraram cinco ventiladores desmontados e três cachimbos improvisados para o fumo de pequenas pedras de crack, dentro da cela, que passará o dia aberta para reparos. Já os detentos que estavam nela e que não conseguiram fugir foram distribuídos nas outras celas até o fim do fechamento dos buracos.

ÚLTIMA FUGA NA UNIDADE OCORREU EM FEVEREIRO PASSADO

Flávio Batista afirmou também que na hora da tentativa de fuga, havia apenas dois agentes penitenciários e dois policiais militares de plantão, para tomar conta de 108 detentos que estão hoje no CDP da Ribeira. A unidade, que tem capacidade para 60 homens, está funcionando de forma precária, mas ainda assim, ainda é a mais segura da Região Metropolitana, conforme Flávio Batista.

“A última fuga consumada aqui aconteceu em fevereiro passado, quando 19 presos conseguiram se evadir, já a última tentativa ocorreu no dia 7 de outubro, quando foi abortada pelos agentes. Assim, podemos até dizer que é uma unidade segura, mas que, infelizmente, sofre com os mesmos problemas dos demais CDPs, ou seja, superlotação, efetivo pequeno de agentes e precariedade nas instalações”, disse.

Na unidade, os 108 presos se dividem em nove celas, sendo quatro coletivas, com capacidade para 20 pessoas cada. No entanto, as celas individuais comportam entre quatro e cinco detentos e somente na coletiva onde aconteceu a tentativa de fuga, havia sete a mais que a capacidade. Outra, do mesmo tamanho, abriga 33 homens.

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