Agnelo Alves confirma insatisfação: “O que vai sobrar para o PDT?”

Pai de Carlos Eduardo, faz coro com pedetistas ao falar da aliança

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Não deve ser fácil administrar tantos grupos e lideranças políticas num palanque só. Afinal, são muitos – e grandes – interesses envolvidos. Por isso, não deve estar sendo mole para o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB). Responsável pela costura de um amplo palanque – alguns apelidam de “acordão”, outros, de “chapão” – com quase 20 legendas – em apoio a sua candidatura e a do deputado federal João Maia (PR) a governador e a vice, respectivamente, assim como à candidatura da vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), ao Senado, o presidente do PMDB potiguar andaria as voltas para debelar insatisfações que começam a surgir entre os partidos pré-coligados.

A mais visível insatisfação, até agora, nasceu da legenda do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, o PDT. Insatisfeitos com o que consideram falta de reciprocidade na divisão das bases eleitorais, lideranças da legenda, especialmente às ligadas à fundação do partido, querem rediscutir o apoio da sigla à chapa majoritária composta por Henrique, João e Wilma. A reclamação acontece porque os pedetistas, na negociação com a chapa majoritária, abriram mão de indicar o candidato a vice-governador, ao Senado e à suplência de senador. Tudo para que o PMDB apoiasse, em troca, o projeto do PDT, que é a eleição de um deputado federal, conjuntamente com a reeleição e/ou ampliação da bancada do partido na Assembleia Legislativa.

Equilibrar os espaços, diante da importância de cada grupo, é a espinhosa missão de Henrique. Conhecido como exímio articulador, alguns ainda não entendem por que ele abriu espaço generoso para o PR. Além de indicar João Maia para vice, os republicanos conseguiram emplacar a candidatura da irmã dele, Zenaide Maia, para deputada federal. “Quer dizer, João Maia entra como vice-governador e quem votar em Henrique estará votando nele. O deputado federal é a irmã dele. O deputado estadual é a mulher. Para senador, a mesma coisa. Wilma também indica os dois suplentes. O que vai sobrar para o PDT na chapa majoritária? É uma pergunta. Alguém tem que responder”, questiona o deputado Agnelo Alves (PDT).

Pai do prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, Agnelo defende que os pedetistas tradicionais sejam ouvidos nas suas insatisfações. Entre os que assumiram publicamente a insatisfação, estão o presidente do PDT em Natal, Kleber Fernandes, e o secretário-geral do partido, Jonny Costa, ambos com histórico no partido anterior à chegada de Carlos e Agnelo. “Quando nós chegamos ao PDT, já existia. Estamos ouvindo os que estão insatisfeitos para chegar a um a conclusão. Nenhum dos que estão insatisfeitos chegou agora. Todos já têm assento no partido, antes de Agnelo e Carlos. Ah, mas dizem, ‘o PDT não tem voto’. Tem. Tanto que ganhou a eleição para prefeito de Natal e de Parnamirim. Então temos que ouvir aqueles que estão descontentes e estão se manifestando”, defendeu Agnelo.

O ex-prefeito de Parnamirim disse, por fim, que, nos próximos dias, uma reunião com membros da legenda acontecerá para discutir a questão com os militantes e dirigentes pedetistas. “Não tive contato com eles ainda. Carlos Eduardo estava viajando. É provável que haja um encontro em breve”, disse, concluindo com um alerta à classe política para estas eleições: “É bom que fique claro para todos que são candidatos: Hoje o partido mais forte do que todos os que estão legalizados é o partido dos que se manifestam”, declarou.

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