Agnelo Alves sobre ser vice de Robinson Faria: “Sigo orientação do meu partido, o PDT”

Articulação do PSD para fechar chapa majoritária inclui o PDT, que pode indicar o vice e o PT, o Senado

Agnelo Alves poderá ser o nome do PDT para compor a chapa como candidato a vice-governador no pleito de outubro. Foto: Divulgação
Agnelo Alves poderá ser o nome do PDT para compor a chapa como candidato a vice-governador no pleito de outubro. Foto: Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política

O deputado estadual Agnelo Alves, uma das maiores expressões políticas do PDT no Rio Grande do Norte, afirmou, nesta manhã, que seguirá a orientação do seu partido, caso venha a ser indicado para compor como candidato a vice-governador do Estado. O nome do irmão do ex-ministro Aluizio Alves foi sugerido como candidato a vice-governador na chapa que teria o presidente estadual do PSD, Robinson Faria, como candidato a governador, e a deputada federal Fátima Bezerra (PT), ao Senado.

“Sigo orientação do meu partido”, disse Agnelo, ao ser instado a se pronunciar a respeito da sugestão feita esta semana pelo deputado estadual José Dias (PSD), um dos principais formuladores do PSD no Rio Grande do Norte. Declarando com modéstia, o pai do prefeito Carlos Eduardo Alves afirmou que a chapa teria “um naipe muito grande de bons candidatos” – sem citar nomes – e que o nome dele para integrar a aliança como vice “talvez seja o menos expressivo”, declarou.

“Acho que Robinson tem um naipe muito grande de bons candidatos. Meu nome talvez seja o menos expressivo. Além do mais, eu sou filiado ao PDT e sigo a orientação do meu partido”, disse Agnelo, que também é tio do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), e do ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho (PMDB).

O PDT teria sinalizado por seu presidente estadual, Carlos Eduardo, que apoiaria a chapa liderada pelo PMDB, que anuncia que terá candidato próprio a governador do Estado. O partido, hoje o mais forte em termos políticos e em número de detentores de mandato no RN – são mais de 50 prefeitos, três centenas de vereadores, cinco deputados estaduais, além de um deputado federal e dois senadores -, porém, ainda não definiu o candidato. Os líderes da agremiação defendem o nome de Fernando Bezerra (PMDB), mas este ainda não confirmou se aceitará ser candidato. Haveria a possibilidade de a sigla lançar ainda, no caso de Bezerra não aceitar, a candidatura de Henrique ao governo.

O apoio de Carlos Eduardo à chapa do PMDB se deveria à possível candidatura de Fernando Bezerra. O empresário se candidataria com o compromisso de, vencendo as eleições, governar por apenas um mandato, apoiando Carlos Eduardo como substituto a partir de 2018. Carlos Eduardo já teria confirmado a Bezerra seu apoio nas eleições deste ano.

Nessa semana, porém, o vice-governador Robinson Faria, que tenta articular uma chapa com o PT no estado, disse que o apoio do PDT à chapa seria “uma questão de coerência” do PDT e do prefeito Carlos Eduardo. O presidente do PSD argumentou que, na campanha passada, Carlos contou com os apoios decisivos do PT e do PSD à sua eleição à Prefeitura de Natal.

Robinson comentou ainda declaração do deputado José Dias, que sugeriu o nome de Agnelo como vice na chapa do pessedista. O pré-candidato do PSD a governador chancelou a sugestão do companheiro de legenda, e afirmou: “Agnelo como companheiro de chapa coroaria essa aliança de três partidos da base de Dilma”.

EXAMES

Agnelo Alves fez algumas ressalvas. Apesar de seguir a orientação do PDT, ele informou que eventual indicação sua como vice. “passa por um bocado de exames”. Na sua visão, é preciso analisar “quem dá a melhor contribuição eleitoral, quem é mais preparado para a eventualidade de dar uma contribuição em caso de necessidade”, como vice-governador. “Não é chegar: ‘eu quero’. Eu não reivindico candidatura”, diz.

De fato, Agnelo foi suplente de senador da República, assumindo o mandato, sem reivindicar. Chegou a ser prefeito de Parnamirim, por dois mandatos, sem pleitear. Assim como governou Natal, nos idos de 1960, também sem pedir. “Deixar para lá. Deixem as coisas rolarem, que os líderes estão cuidando do assunto”, informou.

“Eu acho que sou o menos indicado. Sou muito grato à indicação de José Dias, e ao acolhimento de Robinson, mas este é um assunto que requer maiores cuidados, e espero que seja a escolha pelo melhor norte-rio-grandense”, acrescenta.

 

EXPERIÊNCIA

Na entrevista de José Dias consta um elogio a Agnelo. O parlamentar do PSD ressaltou a “experiência” do pedetista, defendendo sua indicação como vice como fator agregador de maturidade à chapa Robinson governo, Fátima Senado. Mais uma vez Agnelo usa da modéstia, ao se referir a esse trecho da entrevista: “Tem outros que tem mais experiência que eu”.

Provocado a responder se aceita ser vice de qualquer chapa no RN, como indicado pelo PDT, o ex-prefeito parnamirinense disse que não se deve fulanizar o debate. “Objetivamente eu acho que não devemos discutir nomes, mas programas. Vamos dizer uma plataforma do que deve se fazer e ser feito, para salvar o RN que está num rumo de desgraça”.

Segundo Agnelo, a “desgraça” se traduz nas realidades administrativas que apontam o salário do “funcionalismo atrasado”, a falta de investimentos, quando e onde “nenhum tostão, centavo que seja de investimento”, e ainda “nenhum programa de desenvolvimento”. Para ele, a discussão política está centrada apenas em “nomes de beltrano e de sicrano”. E conclui: “Eu não vou colocar o meu nome nisso”.

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