Agricultor de Apodi é obrigado a andar 150 km para ser atendido por um ortopedista

O caso revela, mais uma vez a fragilidade do sistema de saúde no interior do Rio Grande do Norte

Sem ambulância em Apodi, o agricultor teve que seguir de carro próprio. Foto:Divulgação
Sem ambulância em Apodi, o agricultor teve que seguir de carro próprio. Foto:Divulgação

O agricultor Sebastião Oliveira quebrou o braço em Apodi na madrugada deste domingo após sofrer uma queda de moto. Foi encaminhado para o Hospital Regional Hélio Morais Marinho às 4h da manhã e lá foi atendido por uma clínica geral. Sem ortopedista na unidade, tentaram transferi-lo para o Hospital Regional Tarcísio Maia (Mossoró), mas disseram que não recebiam porque não tinham mais leitos disponíveis.

Então, Sebastião Oliveira foi transferido para o município de Pau dos Ferros. Sem ambulância, foi de carro próprio. Lá, o ortopedista Ivonésio Queiroz confirmou a fratura, mas disse que não tinha como operar, a não ser que fosse particular (provavelmente em sua clínica). O problema é faltam de estrutura e equipamento no Hospital do Estado.

Sem soluções em Pau dos Ferros, Sebastião foi mandado de volta para casa (em Apodi) e na madrugada desta terça-feira, deve ser encaminhado para o Hospital Regional de Currais Novos, há 200 km de Apodi, para tentar uma vaga. Há uma possibilidade negativa ainda de não ter anestesiologista.

O caso revela, mais uma vez a fragilidade do sistema de saúde no interior do Rio Grande do Norte. Pacientes como Sebastião Oliveira ficam à mercê da falência dos hospitais regionais que continuam desaparelhados. Quando não faltam médicos especialistas, faltam equipamentos e estrutura. Esta situação que se repete em Apodi, Pau dos Ferros, Caraúbas, Caicó, Currais Novos e outras hospitais regionais mostra que a situação da saúde no RN anda não consegue avançar e o povo é quem paga, às vezes com sua própria vida.

Então, Sebastião Oliveira foi transferido para o município de Pau dos Ferros. Sem ambulância, foi de carro próprio. O problema é que, segundo o ortopedista Ivonésio Queiroz, o paciente será atendido no Hospital Regional Cleodon Carlos, mas lá também não terá como operá-lo – caso seja preciso – por falta de estrutura e equipamentos.

Em contato com a Secretaria Estadual de Educação, a informação era que o paciente deveria ter passado pela Central de Regulação. Porém, a unidade de Apodi não tem acesso a este serviço. A Secretaria encontrou vaga para ele no Deoclécio Marques, em Parnamirim, a 380 km de Pau dos Ferros. Mas agora, precisará do diagnóstico do médico ortopedista.

O caso revela, mais uma vez a fragilidade do sistema de saúde no interior do Rio Grande do Norte. Pacientes como Sebastião Oliveira ficam à mercê da falência dos hospitais regionais que continuam desaparelhados. Quando não faltam médicos especialistas, faltam equipamentos e estrutura. Esta situação que se repete em Apodi, Pau dos Ferros, Caraúbas, Caicó, Currais Novos e outras hospitais regionais mostra que a situação da saúde no RN anda não consegue avançar e o povo é quem paga, às vezes com sua própria vida.

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