Agricultores do RN defendem reforma política urgente no Brasil

Fetarn se unirá aos movimentos sociais de todo o país para promover plebiscito popular sobre o assunto

Representantes dos trabalhadores rurais se reuniram na manhã de hoje para debater uma série de temas polêmicos, entre eles as eleições deste ano. Foto: José Aldenir
Representantes dos trabalhadores rurais se reuniram na manhã de hoje para debater uma série de temas polêmicos, entre eles as eleições deste ano. Foto: José Aldenir

Carolina Souza

Acw.souza@gmail.com

 

Dirigentes sindicais ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Norte (Fetarn) estiveram reunidos na manhã de hoje (27) em Natal durante a realização de um conselho deliberativo extraordinário. Representantes de todo o Estado participaram de discussões sobre a necessidade de reforma estatutária e outros temas de interesse dos trabalhadores, como a seca e a necessidade de reforma política no Brasil

“Amanhã temos uma data pré-agendada para audiência com a governadora Rosalba Ciarlini, onde iremos rediscutir com o Governo do Estado algumas de nossas demandas pleiteadas pelos 164 sindicatos no RN ligados à nossa Federação”, destacou Manoel Cardoso da Costa, presidente da Fetarn.

Diante do grande problema de seca que os agricultores vêm enfrentando ao longo dos últimos três anos, a Fetarn acredita que as dificuldades de acesso à água para produção e consumo humano, por exemplo, possam ser minimizadas caso os Estados e a população venha a cobrar mais fortemente por uma reforma política que beneficie os trabalhadores rurais.

“Estamos defendendo a criação de ações de convivência com a situação da seca, como a liberação para construção de novas adutoras, poços tubulares e reorganização do sistema de abastecimento aos municípios. Temos sistemas espalhados em áreas rurais do RN e de outros estados do Nordeste que já foram feitos há algum tempo, mas não chegaram a ser instalados devido a burocracia da máquina pública”, afirmou Manoel.

Durante a reunião do conselho deliberativo, a Fetarn apresentou a proposta de um plebiscito nacional por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político. Durante a ocasião, o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Juraci Moreira Souto, reforçou a importância de mobilizar a população em torno do plebiscito.

A proposta do Plebiscito surgiu ainda em 2013, após as manifestações de junho em que milhares de jovens, estudantes e trabalhadores de todo o país foram às ruas denunciar o modelo político atual e reivindicar uma profunda reforma no sistema, que garanta participação popular e aprofunde a democracia direta.

A defesa de uma Constituinte “exclusiva” e “soberana” justifica-se pela realidade atual do Congresso Nacional, em que a maioria dos parlamentares não têm o desejo de promover qualquer mudança no sistema político. Por isso, o Plebiscito propõe a eleição de uma Assembleia Constituinte formada por pessoas que não possuem cargos legislativos, com a finalidade única de construir uma proposta de reforma política.

“O plebiscito é um recurso utilizado quando o país se propõe a fazer grandes mudanças estruturais. O que está posto para que seja feito agora é a reforma política de nosso sistema”, explicou Juraci Moreira. O plebiscito deverá ser realizado em todo o país, entre os dias 1 e 7 de setembro.

“Queremos que o brasileiro vá às urnas dizer se quer ou não que se instale no Brasil uma Constituinte específica para fazer a reforma política. Dependendo do resultado desse plebiscito, faremos uma grande luta, junto a todos os movimentos sociais, para que se faça uma grande reforma política no país”, disse o diretor da Contag.

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