Agripino desmente Rosalba e afirma que não vai participar da eleição em Mossoró

Pesquisa interna do DEM aponta que Cláudia Regina, sozinha, é mais forte do que Larissa Rosado

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Ciro Marques

Repórter de Política

A ex-prefeita Cláudia Regina, do DEM, tem dois caminhos a escolher. O primeiro é esquecer a governadora Rosalba Ciarlini, correligionária dela no DEM, para ter chance de ser novamente eleita prefeita de Mossoró. A segunda, ficar ao lado da maior apoiadora e perde a disputa. E quem disse isso? O presidente nacional do Democratas, o senador potiguar José Agripino, baseado em pesquisas feitas pela sigla em Mossoró.

A informação está publicada no blog da jornalista Thaisa Galvão e é uma resposta a entrevista concedida pela governadora afirmando que José Agripino estará sim na campanha de Mossoró – e ela também – apoiando a candidatura de Cláudia Regina, mesmo que ela parece totalmente inviável no aspecto político.

“Temos uma pesquisa qualitativa que mostra que, se Cláudia Regina for uma candidata independente, ela tem chance. Agora se ela se amparar em alguém, for candidata de A ou de B, ela se iguala a Larissa”, disse o senador, afirmando que o partido oferecerá toda estrutura de logística e apoio jurídico, dentro das limitações da lei, mas ele não irá a Mossoró.

É importante lembrar que foi, justamente, a presença dos líderes do DEM que prejudicaram a campanha eleitoral de Cláudia Regina ano passado. Isso porque a interferência de Rosalba Ciarlini no pleito foi considerada uso da máquina pública estadual e, consequentemente, abuso de poder político. Resultado: Cláudia Regina acabou cassada 12 vezes, afastada da prefeitura e tornou-se inelegível por oito anos, baseado na Lei da Ficha Limpa.

“Estamos ajustados nisso, eu e Cláudia. Minha contribuição para a campanha de Mossoró é essa. Porque a pesquisa mostra que a candidata tem que ser ela. Só ela”, acrescentou José Agripino, que na última campanha usou os recursos financeiros do partido para destinar milhões a campanha de Cláudia Regina. Na verdade, o DEM gastou mais na disputa eleitoral em Mossoró do que em outras capitais do Nordeste, como Fortaleza. Foi mais de R$ 1 milhão despejados em 2012.

“Todo mundo sabe que Cláudia é uma pessoa afável, séria, bem avaliada, mas se ela resolver ser a candidata de A, B ou C, ela será igual a Larissa”, acrescentou o senador e presidente nacional do DEM. Vale lembrar que ausente na convenção realizada pelo DEM na semana passada, que definiu o nome de Cláudia Regina candidata, José Agripino deu força as especulações – agora confirmadas – de que não participaria da campanha.

Rosalba Ciarlini, no entanto, tentou negar tal hipótese – e negar também que o partido estivesse rachado – e afirmou que Agripino participaria sim do pleito suplementar. “O senador vai estar na campanha. Não se preocupem que ele vai estar. Ele não foi para convenção porque foi cartorial. Ele tinha outros compromissos. Mas ele vai estar na campanha”, declarou a governadora.

Prefeita cassada Cláudia Regina tem 72 horas para conseguir permissão na Justiça e ser candidata

Bastante popular em Mossoró, a ex-prefeita pode até ainda ser viável eleitoralmente. Contudo, é fato que vai enfrentar na próxima semana uma verdade batalha para provar que ainda tem viabilidade jurídica. Uma batalha, inclusive, que deverá durar até, no máximo, três dias, prazo que começou a contar tão logo a democrata solicitou o pedido de registro de candidatura, na quase noite desta sexta-feira.

Sorridente e sempre simpática com todos ao seu redor, Cláudia Regina compareceu ao Tribunal Regional Eleitoral mossoroense por volta das 17h, ao lado do candidato a vice-prefeito, Canindé Maia, e de alguns assessores. Protocolou o registro e recebeu, quase que instantaneamente, o pedido de explicações sobre a eventual impugnação.

Como foi a causadora da eleição suplementar, a prefeita não precisou nem mesmo que o Ministério Público Eleitoral (MPE) ou alguma coligação adversária fizesse o pedido. O próprio juiz da 33ª zona eleitoral, Herval Sampaio, apresentou o processo.

“Vislumbrando a possibilidade de indeferimento de plano do presente pedido de registro de candidatura, na forma preconizada no artigo 47 da resolução TSE número 23.373/2011, intime-se a requerente para, querendo, exercer, no prazo de 72 horas, o devido contraditório, influenciando este juízo no que tange à eventual decisão de reconhecimento de ausência de condição de elegibilidade ou de incidência de causa de inelegibilidade”, afirmou Herval Sampaio no despacho dado na noite de sexta-feira.

A situação de Cláudia Regina, realmente, não é nada fácil. Cassada 12 vezes na Justiça Eleitoral, ela tem que reverter todas as decisão contrárias ou suspendê-las por meio de liminar para ter condição de elegibilidade novamente. Como dificilmente terá tempo habil para isso, ela deverá buscar um remédio jurídico que a permita ser candidata, como liminar no Tribunal Superior Eleitoral ou mandado de segurança.

LARISSA E SILVEIRINHA

Porém, é bem verdade que a situação de Cláudia Regina não é a única que aspira cuidados na eleição suplementar de Mossoró. Segundo o promotor eleitoral Fabio Thé, o Ministério Público Eleitoral (MPE) também analisa as situações de Larissa Rosado, do PSB, e do prefeito interino Francisco José Júnior, o Silveirinha, do PSD.

Larissa teve o registro eleitoral cassado na última eleição, de 2012, e estaria, por isso, inelegível por oito anos. Silveirinha precisaria se descompatibilizar da Prefeitura de Mossoró para ser candidato, o que não ocorreu. “Estamos observando as condições e deveremos entrar com pedidos na próxima semana, mas a situação de Cláudia Regina é mais delicada do ponto de vista jurídico”, afirmou Thé.

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