“Agripino sempre abandona os seus aliados: primeiro foi Micarla e, agora, Rosalba”

Petista diz que “estilo agripinista” faz mais uma vítima: depois de abandonar Micarla, chegou a vez de Rosalba

Foto: Marlio Forte
Foto: Marlio Forte

Alex Viana

Repórter de Política

A cassação da candidatura à reeleição da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), pelo próprio partido da governadora, é vista como mais um capítulo da novela do acordão, segundo a opinião do deputado estadual Fernando Mineiro (PT). Ele classificou a posição do DEM, contrária à candidatura de Rosalba, de fazer parte do estilo do presidente estadual e nacional do DEM, o ex-governador e atual senador da República, José Agripino Maia.

Segundo Mineiro, o DEM abandona sua criação, a governadora Rosalba, da mesma forma como abandonou a ex-prefeita de Natal Micarla de Sousa. O petista afirma que o objetivo do DEM é participar do palanque do pré-candidato do PMDB a governador, deputado federal e atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves.

“Primeiro faz parte do estilo agripinista. Abandonar os seus aliados. Fez isso com Micarla, fez isso com Rosalba. Mas é uma questão interna do DEM. Eles é que sabem. O que está claro é que, desde o início, o DEM vai para o palanque da acomodação e da conveniência. Do blocão, do acordão. Esse é o movimento que estão fazendo”, disse Mineiro, ao avaliar o resultado da reunião do DEM nesta segunda.

Por 55 votos a 10 – com duas abstenções e uma ausência -, venceu no diretório do DEM a proposta de priorizar as candidaturas proporcionais (deputados estaduais e federais) em detrimento das majoritárias (governador e senador). A consulta serviu de base ao DEM, para que o partido dê encaminhamento na convenção, no dia 15 de junho.

Ainda segundo Fernando Mineiro, com a posição, o único governador do DEM no Brasil está sendo impedido de ser candidato. “É como se dissesse para a sociedade que o DEM não tem nada a ver com isso (governo). A sociedade sabe que o DEM participou do governo, dos cargos, e a sociedade vai julgar esse tipo de política”, declarou o petista.

Conforme Mineiro, a retirada da candidatura de Rosalba parece algo planejado pelo próprio partido, que estaria combinado. “No dia do rompimento do PMDB com Rosalba, a página 3 do jornal dos Alves trazia matéria do rompimento, já a página 4 dizia que a relação de Agripino com Henrique estava muito bem. Já estava combinado”, declarou.

Por isso, o petista conclui que a cassação da candidatura à reeleição de Rosalba – ou, como ele prefere: o impeachment eleitoral dela – seria “mais um ato da novela do acordão”, disse. “O ato final vai ser a derrota”. “Fizeram o impeachment eleitoral da Rosalba e espero que a Assembleia faça impeachment político e administrativo”, concluiu.

Sandra: “Decisão do DEM mostra isolamento de Rosalba e insatisfação dos correligionários”

A decisão do DEM do Rio Grande do Norte em relação à governadora Rosalba Ciarlini (DEM) repercutiu na classe política potiguar. Para a deputada federal Sandra Rosado (PSB), adversária política da governadora, sobretudo na cidade de Mossoró e região Oeste, principal base política, a decisão do DEM mostra o isolamento político da governadora. “Se os correligionários estão insatisfeitos, imagine a população do Estado”, comparou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), disse que se deve respeitar a decisão do DEM. Segundo ele, qualquer que venha a ser a posição do partido, é preciso respeitar. “Sempre respeitar decisões partidárias. Em qualquer direção. Democracia tem essas coisas boas, o respeito”, afirmou.

Sandra Rosado lembra que a decisão do DEM ainda não é definitiva, cabendo recurso da governadora. “Não sou do DEM. Mas, a princípio, as decisões dos partidos são feitas pelos próprios partidos. Acredito inclusive que foi apenas um indicativo, porque, na verdade, só na convenção partidária. Até lá, é opinião de quem está de fora. Pelo que tenho lido, a governadora tem o direito de recorrer. Mas isso é uma questão jurídica. A política eu desconheço qual vão tomar”.

Segundo Sandra Rosado, a decisão de rejeitar a candidatura à reeleição da governadora Rosalba Ciarlini, protagonizada pelo DEM, é nova, mas “demonstra certamente que houve um isolamento e que a forma de governar não satisfez nem mesmo aos correligionários, imagine à população do RN”. Ainda segundo a parlamentar, “demonstra mais ainda o desacerto, não só administrativo, como político”.

COLIGAÇÕES

Sobre a possibilidade de coligação com o DEM para estas eleições, Sandra Rosado afirmou ver com naturalidade. “Vejo com naturalidade as coligações partidárias”, frisou. “Fala mal de coligação ampla quem não tem condição de fazê-la”, disse. “É a união em defesa do RN”.

A união a que se referiu a parlamentar diz respeito à aliança em torno das pré-candidaturas do deputado federal Henrique Alves a governador, tendo o deputado federal João Maia (PR), como vice e a vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria (PSB), como candidata ao Senado.

Sandra evitou comentar se aceita a participação do DEM nesta aliança, já que ela é do PSB, partido de Wilma, e deverá ser candidata à reeleição à Câmara Federal. Sobre a participação do DEM na coligação majoritária, declarou: “Certamente a decisão partirá das pessoas que estão nas majoritárias. Não fui chamada para ser ouvida, e aguardo, apenas. Com naturalidade”, disse. “Para estabelecer uma forte aliança, tem que se buscar apoiamentos políticos”, finalizou.

Walter Alves: “Rosalba, pelo que a gente sabe, está inelegível”

Líder do maior partido na Assembleia Legislativa, o PMDB, com cinco deputados, o deputado estadual Walter Alves (PMDB) disse que a posição do diretório do DEM, nesta segunda-feira, já era esperada. Ele afirmou que a governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que teve a possibilidade de se candidatar à reeleição derrotada internamento no DEM, está inelegível devido processo de abuso de poder econômico e político durante a eleição de 2012 para prefeito de Mossoró.

“Era o esperado. A governadora, pelo que a gente sabe, está inelegível”, disse o líder do PMDB, que foi o responsável pelo anúncio oficial do rompimento do PMDB com o governo Rosalba, em setembro do ano passado. “Foi uma decisão do diretório favorável ao partido defender a ampliação da sua bancada na Assembleia e na Câmara dos Deputados”.

Sobre a possibilidade de aliança com o DEM, já que a legenda não deverá lançar Rosalba à reeleição, Walter confirmou que o partido está em negociação com o senador José Agripino, presidente dos diretórios nacional e estadual do Democratas.

Entretanto, o assunto encontra-se sendo discutido internamente no DEM e o PMDB só terá uma conversa definitiva com a legenda de Agripino quando houver uma posição final do Democratas, no dia 15 de junho, data da convenção da sigla. “O PMDB está conversando com o senador José Agripino e quando for resolvido o problema interno do partido deverá haver essa conversa definitiva”, explicou Walter Alves.

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