Agripino vai pedir ao MP que investigue declarações de Tuma contra Lula e o PT

Alex Viana Repórter de Política    O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, irá pedir à Procuradoria-Geral da…

“Claro que vamos pedir investigação. O Ministério Público tem a obrigação de se manifestar". Disse José Agripino em reportagem ao JH. Foto:Divulgação
“Claro que vamos pedir investigação. O Ministério Público tem a obrigação de se manifestar”. Disse José Agripino em reportagem ao JH.
Foto:Divulgação

Alex Viana

Repórter de Política 

 

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, irá pedir à Procuradoria-Geral da República, em Brasília, investigação para apurar as acusações do livro Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado, escrito pelo ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, que exerceu o cargo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

A obra retoma alguns dos piores momentos do PT, como a morte do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, a criação de dossiês e o mensalão. A oposição vai convidar o autor para dar mais detalhes sobre as denúncias no Congresso.

“Claro que vamos pedir investigação. O Ministério Público tem a obrigação de se manifestar. Até porque isso é um fato que agride a sociedade e o Ministério Público existe para defender a sociedade. E ninguém mais ágil e com mais instrumentos para instalar um processo investigativo do que o Ministério Público”, disse Agripino ao Jornal de Hoje.

Em entrevista à revista Veja, Tuma Júnior disse que recebeu ordens para “produzir e esquentar” dossiês contra adversários do governo no período em que trabalhou no Ministério da Justiça. Disse ainda ter ouvido de Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, a “confissão” de que recursos “arrecadados” em Santo André na gestão Celso Daniel alimentavam campanhas do partido. Por fim, afirmou ter encontrado uma conta nas Ilhas Cayman que teria recebido recursos do mensalão.

Para o senador José Agripino, em relação à suposta fábrica de dossiês, “o que o Romeu Tuma Júnior está colocando é a reiteração de um fato que se reproduz agora com este assunto da Siemens, quando vazam informações seletivas, num entendimento CADE/Ministério da Justiça, envolvendo a Polícia Federal, de modo a comprometer quem o governo quer. E o governo do PT quer comprometer, com ou sem prova, a oposição”, afirmou.

Secretário Nacional do Ministério da Justiça, Tuma Júnior perdeu o cargo no governo do PT em 2010, após gravações telefônicas da Polícia Federal revelarem ligações entre ele e Li Kwok Kwen, apontado como um dos chefes da chamada máfia chinesa em São Paulo. Kwen foi preso e acusado de liderar uma quadrilha especializada em contrabando.

“Quando ele deixou a função de secretário nacional do Ministério da Justiça, ainda no governo Lula, ele disse que saia porque não se dispunha a ser preparador de dossiês encomendados para incriminar a oposição. Ele agora está fazendo uma revelação em cima inclusive de um fato novo que está denunciado”, acrescentou Agripino, numa referência à suposta participação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, em esquema de dossiês. “O CADE com o ministro da Justiça preparando um dossiê e vazando informações seletivas para comprometer os partidos de oposição sem provas, sem fundamento”, observou.

Agripino defendeu a necessidade de aprofundamento das informações. “Porque não são informações nem declarações soltas. São declarações que têm o link claro. Quando saiu da Secretaria Nacional do Ministério da Justiça, ele declarou que não estava à disposição do governo para preparar dossiês e quando chega agora o governo vaza dossiês de forma seletiva, através do Ministério da Justiça, o mesmo Ministério da Justiça onde Romeu Tuma Júnior atuou, o mesmo Ministério da Justiça do governo do PT, onde Romeu Tuma Júnior atuou”, enfatizou o líder oposicionista.

Além de Agripino, outras lideranças nacionais se manifestaram sobre o livro e as declarações de Tuma Júnior. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) cobrou a presença de Tuma Júnior na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. “É importante aprofundar questões colocadas por Tuma Júnior no livro. Ele retirou do armário alguns esqueletos. É preciso ver se ele tem documentos que possam dar credibilidade às denúncias. Ele é um policial experiente, não faria isso (denunciar) sem ter algum material (que comprove as acusações)”, considerou. “Ao ouvir Tuma oficialmente, teremos subsídios para protocolar denúncia na Procuradoria-Geral da República e instaurar inquéritos”.

O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), chamou a entrevista do ex-secretário de “esclarecedora e estarrecedora” por meio de nota. Sampaio vai requerer no início da semana à Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara a realização de audiência pública com a presença de Tuma Júnior para esclarecer as denúncias. “O ex-secretário confirmou tudo aquilo que sempre denunciamos”, disse Sampaio.

OUTRO LADO

O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, divulgou ontem uma nota oficial respondendo às acusações feitas por Romeu Tuma Júnior no livro Assassinato de Reputações. “Repudio as acusações absolutamente falsas do senhor Romeu Tuma Júnior. Vou processá-lo imediatamente, para que ele responda na Justiça pelas calúnias que fez contra mim.” Ex-secretário nacional de Justiça, Tuma Júnior disse ter ouvido de Carvalho a confissão de que recursos arrecadados em Santo André na gestão do prefeito petista Celso Daniel alimentavam campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores.

“Fato suja já a imagem do ex-presidente Lula”

Quanto à informação de que o ex-presidente Lula foi informante do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), órgão dirigido durante a ditadura pelo pai de Tuma Júnior, o delegado da Polícia Federal Romeu Tuma, que também consta do livro, o senador José Agripino diz que se trata de um “fato gravíssimo” que suja a imagem do ex-presidente.

“Aqui é uma coisa pela qual o ex-secretário nacional Romeu Tuma Júnior vai ter que responder, que colocar argumentos sólidos. Não cabe a mim fazer avaliações mais profundas. Cabe a mim pedir que a declaração dada tenha consequência com a apresentação de fatos e circunstâncias”, observa o senador potiguar.

Segundo relata Tuma Júnior, Lula não era denunciante, mas apenas dava informações ao ao seu pai, Romeu Tuma, par evitar choques violentos com a polícia. “O fato em si é gravíssimo porque suja a história de um homem que aparece de forma diferente ao país. Se ele é o que Romeu Tuma Júnior colocou, ele é cuide de apresentar provas que liberem a sua imagem da mancha que está posta”, cobra Agripino.

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