Agropecuaristas querem projetos estruturantes do novo governador do RN

Candidatos receberam plano de ações que visa resgatar eficiência da atividade rural no Estado

Foto: José Aldenir
Foto: José Aldenir

Carolina Souza

acw.souza@gmail.com

A presença histórica da agropecuária na construção e consolidação da força econômica do Rio Grande do Norte não deve ser desprezada pelo Governo do Estado. Por entender a força dessa atividade, a Federação da Agricultura e Pecuária do RN (Faern) se dirigiu aos candidatos ao Governo para apresentar um panorama detalhado da situação atual da agropecurária, através de um documento denominado “O que esperamos do próximo Governo do RN”.

Agricultores e pecuaristas do RN, representantes da atividade no Estado, estiveram reunidos na manhã de hoje (4) na Fiern para ouvir as propostas dos três principais nomes à sucessão estadual sobre o setor agropecuário. Na oportunidade, a Faern fez a entrega do documento aos candidatos, elaborado pela entidade depois de ouvir as lideranças do agro potiguar.

Em uma formatação de debate, apresentaram-se aos presentes os candidatos Robério Paulino (PSOL), seguido de Robinson Faria (PSD) e Henrique Alves (PMDB). Mesmo não estando entre os convidados a participarem do debate com os agropecuaristas, o candidato Araken Farias (PSL) também se fez presente e entregou suas propostas de governo ao presidente da Faern, José Álvares Vieira.

“O documento ‘O que esperamos do próximo Governo do RN’ é resultado de um estudo que os técnicos da Federação fizeram durante dois meses, conversando com todas as entidades ligadas à atividade. Nós mostramos o cenário atual e aonde nós pretendemos chegar no que diz respeito à produção agropecuária”, explicou José Vieira.

O material traz propostas e perspectivas a serem trabalhadas pelo novo gestor estadual no próximo quadriênio, com criação de projetos estruturantes e investimentos a serem aplicados na agropecuária potiguar, com impacto na agricultura irrigada, pesca e aquicultura, pecuária, cana-de-açúcar, apicultura, floricultura, mandioca e produção de sequeiro.

“São projetos totalmente exequíveis, que exigem apenas vontade política. O que nós queremos é garantir renda aos produtores rurais para que eles possam permanecer na atividade. Mas não se trata apenas do dinheiro na mão do trabalhador. Necessitamos garantir segurança na área rural, garantir recursos hídricos, educação, saúde de qualidade, um conjunto de ações que precisam ser implementadas para que a atividade agropecuária continue tendo importância na economia”, afirmou José Álvares Vieira.

Se os projetos incluídos no documento forem cumpridos à risca pelo próximo Governador do RN, o presidente da Faern garante que o Rio Grande do Norte voltará a ocupar o posto de maior produtor e exportador de camarão e de castanha, por exemplo, e a pecuária de leite voltará a ter a importância que já teve em anos passados.

“Precisamos de ações que revejam questões de licenciamento ambiental, a burocracia para conseguir dispensa de licenciamento, acessibilidade às novas tecnologias e infraestrutura, para voltarmos a ser competitivos no mercado nacional e internacional”, disse.

 

“Ilha de isolamento”

Esse mesmo procedimento de entregar um plano de ações aos candidatos ao Governo do Estado foi realizado nas eleições de 2010, mas o resultado, segundo a Faern, não foi o esperado pelos agropecuaristas. De acordo com uma análise feita pela Federação, o Rio Grande do Norte permanece sem investir em grandes projetos estruturantes.

“Nós sequer temos um estudo de interligação das bacias hidrográficas. Quando nos comparamos com a Paraíba, Ceará ou Pernambuco, vemos que estamos muito aquém da realidade deles. Na hora que as águas do Rio São Francisco chegarem, eles terão como fazer o manuseio das águas, nós não. Não temos nenhum projeto que nos coloque à frente, que nos torne ‘protagonistas’. Isso acaba nos colocando em uma ilha de isolamento”, afirmou José Vieira.

Com 77 anos de idade e mais de 50 dedicados à atividade rural em Santo Antônio do Salto da Onça, o agropecuarista Edan Bezerra reclamou das políticas públicas que amparam apenas o pequeno agricultor.

“O Governo não dá o amparo que todos os agropecuaristas precisam, independente do ramo de atividade. São garantias de créditos e juros diferenciados, safra diferenciada, que não beneficiam a todos, principalmente na época de seca. Há três anos eu estou sofrendo com um extenso período de seca, sem ter ajuda necessária para crescer minha atividade”, afirmou.

“Eu penso que, antes de trabalhar, o Governo precisa saber como lidar com a atividade rural. Precisa conhecer a terra, o produto, o trabalhador e as carências da atividade, para saber como o deve agir. O próximo governador precisa se preparar, com a cabeça no futuro e os pés no presente”, destacou Edan Bezerra.

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