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Água suja invade casas de moradores do bairro Nazaré

Data: 07 fevereiro 2013 - Hora: 17:45 - Por: Portal JH

Moradores da Vila Irmã Freire, travessa que inicia na rua Sampaio Correia, no bairro de Nazaré, vivem uma situação preocupante no âmbito sanitário. São várias residências com refluxo de água suja nos banheiros, na cozinha e na área de serviço. Segundo os mesmos, uma obra de saneamento mal feita pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do N

Dona Luzia Costa de Oliveira, 65 anos, mora no logradouro há oito anos. Ela reclama de abandono da Caern, ao procurá-la. “Eu ligo e eles ficam jogando a gente para vários setores. Depois de tentar por telefone três vezes, fui pessoalmente na semana passada. Eles disseram que iam mandar uma equipe aqui, mas até agora nada. Isso já tem uns vinte dias. Agora a situação está assim, com a água podre batendo no corredor. Não podemos ficar mais que dois minutos no banho que transborda tudo. Tive que improvisar sacos de areia para evitar a invasão total da água”.

Luzia confirma que uma neta de 14 anos apresenta rupturas na epiderme, em virtude da sujeira acumulada no quintal, que atrai ratos, baratas e insetos peçonhentos. “Estou sem poder lavar roupa e cozinhar direito, com a fedentina daqui”. Ela mostra à reportagem o cenário pútrido, com duas caixas de gordura e dejetos transbordantes. “Veja aqui como está  tudo. Não tem como esperar mais, como quer a Caern. Eu soube que eles vieram aqui no começo do mês passado, mas disseram que uma mulher não deixou eles entrarem na casa dela para botar uma mangueira que puxe a sujeira”.

A referida ‘mulher’ é Luciene Maria das Chagas. Com revolta, ela fala sobre as três vezes em que “o pessoal da Caern esteve aqui, abriu a tampa lá atrás, quebrou o chão, e deixou tudo aberto. Da última vez, no ano passado, eu ainda perguntei se eles iam deixar como da outra vez. O homem disse que eu não me preocupasse, que eles fechariam tudo que foi mexido. Resultado: foram embora e nada do que ele disse foi feito. Tive de pagar um pedreiro para fechar a tampa, mas eu não tenho dinheiro para fazer isso toda hora. Agora só deixo entrar aqui se vier um técnico que me garanta que não ficarei com um buraco podre no meu quintal”.

Outra que sofre com a falha no sistema da Caern é Shirley da Silva Aguiar, moradora da Vila Irmã Freire desde os anos 1990. “Sempre tivemos problema aqui. Minha mãe, inclusive, já botou a Caern na Justiça uma vez, pelo mesmo motivo. Eles vêm aqui, dizem que vão resolver, mas isso não acontece nunca. No final de semana passado, eu tive de ir para a casa de minha irmã, porque não aguentava o mal cheiro. Estamos todos aqui na torcida para que não chova no inverno, porque se isso acontecer, vai transbordar tudo”. Lavar louça e tomar banho na vizinha são percalços enfrentados todos os dias. “Se abrir a torneira um pouco mais forte, volta tudo”.

A peregrinação de Shirley por ‘ajuda’ no órgão que cuida das águas e do saneamento no Estado inclui ligações frequentes para vários setores, para o 115 [número oficial para reclamações] e para a Olvidoria. “Digo que temos urgência, como você pode ver. Se você sair por aí, vai ver outros pontos em que acontece o mesmo: água podre dentro da casa das pessoas”. Com uma máquina fotográfica, ela mostra imagens de como pias e banheiros transformaram seu lar em um foco de bactérias, patologias e fedor, no último sábado.
A reportagem entrou em contato com a Caern que, através da assessoria, informou que enviaria uma equipe ao local para averiguar o problema.

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