Ah, o pragmatismo – Walter Gomes

Quanto vale, para a presidente da República, o acréscimo de um minuto e dois segundos no horário eleitoral do rádio…

Quanto vale, para a presidente da República, o acréscimo de um minuto e dois segundos no horário eleitoral do rádio e da televisão?

Resposta objetiva: o Ministério dos Transportes.

Não titubeou na mercantilização da política, apesar de ter o tempo dobrado se compará-lo à soma do que cabe aos dois principais adversários – Aécio Neves e Eduardo Campos.

Em queda nas intenções de voto, parte por causa da reprovação em alta de seu governo, Dilma Rousseff, após dois dias de desmentidos, fez o que o PR (Partido da República) queria. Substituiu um baiano por outro na titularidade da Pasta. Tirou Cesar Borges e devolveu o gabinete ao ministro anterior, Paulo Sérgio Passos. Exatamente, como lhe foi exigido. Prêmio de consolação para Borges: com status de ministro, assume a Secretaria dos Portos.

Também nascido na Bahia de todos os credos, cores e cheiros, o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy, deixou de lado a delicadeza que cultiva. Bravo, disse à imprensa:

“Dilma perdeu a dignidade de conduzir o país ao transformar o governo num balcão de negócios. Chega ao fim do seu mandato de forma melancólica e deprimente.”

Drible de corpo

Sagaz, José Sarney evita a festa dos adversários.

Esse prazer, o senador não permitiu. Antecipou-se ao fato.

Não conseguiria se reeleger no Amapá, estado que lhe adotou após ser rejeitado por aliados no Maranhão, onde nasceu e mandou por muito tempo.

Mudou a tendência na terra maranhense. Na eleição de outubro, seus companheiros do PMDB perdem o governo estadual e não ganham a disputa para o Senado.

É certa, porém, a recondução do filho homônimo, apelidado Zequinha (foto), à Câmara dos Deputados.

Aposentado como político, ele se mantém na ribalta como intelectual.

O seu objetivo imediato é a presidência da Academia Brasileira de Letras.

O estágio final

Um trio transforma-se em dupla.

É assim que fica a opção da escolha da candidatura a vice na chapa puro-sangue do PSDB ao Palácio do Planalto.

Formam-na o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira e a jurista carioca Ellen Gracie, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal.

Tasso Jereissati, ex-governador do Ceará, cotadíssimo para a posição, acertou com Aécio Neves o projeto de voltar ao Senado.

Apoiado por 46% das pessoas entrevistadas pelo Ibope e Datafolha, Jereissati bate os concorrentes Inácio Arruda (PCdoB), em campanha de reeleição, e o deputado José Guimarães (PT).

Dia 30, Neves anuncia a escolha.

– Dilma Rousseff a uma jornalista a quem costuma revelar o que pensa “Sempre achei uma bobagem dizer que ganharíamos no primeiro turno.”

– Média do juro de empréstimo a pessoa física: 42,5% ao ano. É a maior taxa desde maio de 2011. O temor de calote levou os bancos a cortarem várias linhas de crédito.

– Leônidas Cristino (PROS) está com jeito de ser o escolhido de Cid Gomes para suceder-lhe no governo. Mas, ao birô da coluna, o ex-ministro dos Portos disse, sorridente, que é candidato a deputado federal.

– O que era fácil ficou facílimo. Para retornar ao governo do Amazonas, o senador Eduardo Braga (PMDB) amplia aliança partidária. A deputada Rebecca Garcia (PP) desistiu de concorrer contra Braga para ser a vice do favorito pleno.

– Romero Jucá (PMDB-RR) foi líder no Senado dos governos Lula da Silva e Dilma Rousseff. Na presidência Fernando Henrique Cardoso, exerceu a vice-liderança. Uma dica: Aécio Neves é o candidato de Jucá ao Planalto.

– Dois dias consecutivos de rede nacional para propaganda partidária. Hoje, PPS; amanhã, PR. No rádio, das 20h às 20h10; na tevê, das 20h30 às 20h40.

– É renhido o embate mossoroense entre os primos Rosado (Sandra e Betinho) para renovação do mandato de deputado federal. É provável que um deles não volte a Brasília.

– Para refletir: “Para ser original basta imitar os autores que já estão fora de moda” (Jules Renard, escritor e dramaturgo francês).

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