Ainda de heróis

Contam que um dia, no café da manhã, dona Rizolete confessou ao marido, Tancredo Neves, que andava muito preocupada com…

Contam que um dia, no café da manhã, dona Rizolete confessou ao marido, Tancredo Neves, que andava muito preocupada com a rebeldia de Aécio, o neto, esse que governou Minas e sonha ser presidente da República. O menino estava metido na política estudantil da faculdade, e de lá vinham notícias de que participava de protestos. Tancredo, velha raposa mineira, ouviu em silencio e tranquilizou a avó de que teria uma conversa séria com ele.

Contam mais. No dia seguinte, Tancredo marcou com o neto tão querido para vê-lo no café da manhã. Aécio veio, tomaram café juntos, e o avô sugeriu que fossem de carro até a Pç Tiradentes. O motorista cumpriu parou exatamente diante da estátua de Tiradentes, o mártir da Inconfidência Mineira. Chamou Aécio e diante da estátua do grande herói, hirto, com a sua carne feita de bronze, teria dito: ‘Este, meu filho, foi o último herói de Minas’.

A lição de Tancredo pode não ser tão saudável a um país necessitado de heróis, mas é, certamente, a síntese mais perfeita da cultura do herói na história do Brasil. São poucos os que, tocados pelo destemor, lutam a qualquer preço por um ideal. Aqui, entre nós, sejamos sinceros, só Miguelinho, o herói humilde da Revolução de 1817, em Recife, que tendo a chance de negar a assinatura, confirmou ser sua sabendo que seria enforcado sem perdão.

Ora, Senhor Redator, é tão grande a nossa pobreza de heróis que até Felipe Camarão não resistiu aos encantos da lisonja. Depois da guerra contra os holandeses no alto do Monte Guarapes, ali onde começa a nação brasileira, segundo a velha empáfia dos pernambucanos, aceitou vaidoso e feliz o título de Governador Geral dos Índios do Brasil e nunca mais lutou. Viveu à sombra e da água fresca do poder, refestelado na doce mordomia do seu heroísmo.

E se puxarmos para mais distante nosso destino, o mui lido senhor João de Barro, a quem foi dada, de mão beijada, esta Capitania, como presente por seu valor intelectual, sem que aqui nunca pusesse os pés, veremos que os invasores eram sempre homenageados sob o triste desprezo da nossa gente. Presenteados como se fossem heróis, tal o vício da rendição nos ademanes dos agrados, o que de resto não mudou muito. Basta olhar as folhas sociais.

Dito isto, e para que não nos enganemos, resta viver a vida neste canto de mundo que um dia, há mais de cem anos, o poeta Henrique Castriciano viu como uma vila calma e boa, aquele vale branco entre coqueiros do poema de Ferreira Itajubá. Do tombadilho do vapor, ao entrar no rio, o poeta de Ruínas lamenta que em lugar tão quieto haja tanta intriga. E olhe Senhor Redator: ele sequer viveu nesta Natal de hoje, neste circo de mágicos e malabaristas.

 

AVISO

O PMDB, a partir dos 30 dias estabelecidos pelo ex-senador Fernando Bezerra, só tem dois caminhos: tê-lo ou não tê-lo como seu único candidato. E não como uma das alternativas.

LIMITE

Pelos cálculos do comando rosalbista a governadora tem até maio para vencer a luta contra a perda do mandato e a inelegibilidade. Junho é o mês das convenções. Prazo é improrrogável.

SINAL

A greve dos professores poderá cair no buraco negro, para não dizer fracasso, se os radicais continuarem comando a estratégia. São visíveis os sinais de uma greve vazia e improvisada.

PAUTA – I

Fontes da Justiça garantem que o julgamento pelo Tribunal de Justiça dos réus da Operação Impacto, aquela dos vereados já julgados e condenados na primeira instância, será este ano.

JÁ- II

É tempo, comentou um magistrado esta semana. Do contrário, levará mais tempo do que o Mensalão, mesmo reunindo em torno da causa os mais consagrados advogados brasileiros.

AGENDA

Dia 20 é o aniversário do ex-senador e empresário Fernando Bezerra. Ele passa aqui, junto à família e aos amigos. Logo a seguir, dia 22, viaja a Portugal e Espanha e retorna 5 de março.

ATHENEU

Será na segunda-feira, às 8h da manhã, o lançamento do livro organizado pela professora Eva Barros com a biografia de alguns professores ao longo dos seus 180 anos de fundação.

MELHOR

O salão Guedes Cabelereiro agora em novas e amplas instalações na Floriano Peixoto, 299. Bem ao lado da UnP. E tudo para manter a boa tradição de Antônio Guedes, seu fundador.

DATA – I

Há exatos setenta anos, num primeiro de fevereiro como este, em 1944, falecia no Rio de Janeiro o governador Alberto Maranhão que nasceu em Macaíba dia 2 de outubro de 1872.

DATA – II

Também em 1914, há um século, falecia José da Penha, líder político, militar, polemista e tribuno. Nasceu em Angicos, em 13 de maio de 1875. Seu como biógrafo é Aluizio Alves.

DATA – III

A professora Gizelda Trigueiro, maior infectologista do Rio Grande do Norte, faria 80 anos em 2014. Cearense de Missão Velha, Ceará, doutora Gizelda faleceu em Natal a 11.05.1986.

PILÃO

No prelo do Sebo Vermelho a reedição do ensaio de Raimundo Nonato sobre o pilão. Velho utensílio doméstico que vem da cozinha indígena brasileira e que se mantém no Brasil rural.

SESSENTA – I

Será dia 5 a reunião de organização das comemorações dos sessenta anos do Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, lançado em 1954, há seis insuperável no seu valor.

HISTÓRIA – II

Não é tão fácil assim como se pensa, em termos de bibliofilia, traçar a trajetória editorial do DFB ao longo dessas seis décadas entre edições, reimpressões, edições de bolso e versões.

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