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Albert diz que está de “mãos dadas” com Carlos Eduardo para fazer Natal crescer

Data: 26 janeiro 2013 - Hora: 18:47 - Por: Portal JH

Médico oftalmologista e auditor fiscal de carreira, o vereador Albert Dickson (PP) assumiu, talvez, o maior desafio da sua vida no último dia 1º de janeiro, quando foi escolhido para presidir a Câmara Municipal de Natal. Em seu segundo mandato, o pepista surge como uma nova liderança no legislativo municipal.

Nesta entrevista a O Jornal de Hoje, Albert aborda os planos para seus dois anos de mandato, promete realizar concurso público ainda em 2013 e iniciar a construção da sede própria da “Casa do Povo”. O vereador também assumiu a responsabilidade de colocar em votação o novo Plano Diretor de Natal, o mesmo que em 2007 gerou toda a polêmica que culminou com a Operação Impacto.

Sobre seu momento político, disse não saber qual será seu futuro, mas enfatizou que a decisão se será candidato em 2014 será do partido, o PP. Sobre a legenda que representa, ressaltou a possibilidade do vereador Rafael Motta ser o novo presidente da sigla e enfatizou o objetivo pepista de eleger um deputado federal e outro estadual no Rio Grande do Norte.

Ao ser questionado sobre sua relação com o prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), mesmo após os últimos quatro anos de apoio incondicional a gestão da ex-prefeita Micarla de Sousa (PV), Albert disse que havia “respeito” entre os poderes. “Nós estamos de mãos dadas para que a cidade entre no ritmo de crescimento. Vamos fazer uma parceria administrativa para melhorar a cidade”, disse. Confira a entrevista completa.

 

O JORNAL DE HOJE – Vereador Albert Dickson, o que o senhor pode destacar neste primeiro mês como presidente da Câmara Municipal?
ALBERT DICKSON – Estes primeiros dias foram de reestruturação da Câmara, tivemos oito vereadores novos e precisamos adaptar os novos gabinetes, a questão dos estacionamentos, a convocação extraordinária. Tudo novo e que ocorreu de forma muito natural. Também tivemos um senso porque sabíamos o número de funcionários da Câmara, mas não sabíamos onde eles estavam lotados. Esse senso acabou esta semana e vai nos mostrar aonde nós iremos colocar esses funcionários, cobrando mais de perto a presença deles na Câmara. Também tivemos o início do processo para a construção da nova sede da Câmara, ir atrás de um novo terreno, analisar os contratos. Neste primeiro mês foi basicamente esse o nosso trabalho.

JH – Presidente, muito tem se falado a respeito da diversidade de opiniões dos novos vereadores de Natal. Como o senhor pretende controlar os entendimentos na Câmara?
AD – Inicialmente, como são muitos novos vereadores, estamos a cada dia que passa nos conhecendo. Cada um tem um determinado perfil e a Câmara é muito plural. Temos sindicalistas, médicos, bancada feminina, bancada da educação, e nós como presidente temos que ouvir a todos e buscar o consenso, apagando os incêndios e buscando uma coalizão na Câmara, para que ela não trabalhe apenas por categorias específicas, mas por toda a população de Natal. Como presidente vamos ter muito diálogo com o pessoal novo e também com os antigos, para evitar conflitos, não de ideias no debate, mas conflitos com relação a convivência que é mais importante. Não podemos ter atritos, confusões. Nas convocações extraordinárias já tivemos uma turbulência entre os vereadores, mas nós vamos contornar para que a Câmara possa trabalhar sem confusão entre vereadores e pensando no bem de Natal.

JH – Vereador, o senhor falou sobre a busca por um terreno para construir a nova sede da Câmara. Qual a importância de se construir essa nova sede?
AD – A Câmara Municipal completou 400 anos em 2012, e muitos presidentes passaram e nunca se chegou a conclusão da necessidade de uma nova Câmara. Nesses meus dois anos como presidente, nós vamos concluir ou pelo menos começar, com certeza, a construção da nova sede da Câmara. Nós vamos buscar a doação de um terreno com o governo federal, já conversamos com o prefeito Carlos Eduardo e ele tem a intenção de doar também. A Secretaria de Meio Ambiente já nos informou os locais que a Prefeitura tem disponível e, iniciando o processo de doação do terreno, seja em nível federal ou municipal, nós vamos atrás de recursos. Nós vamos capitalizar recursos com a renovação do contrato da Conta Única da Câmara com a Caixa Econômica ou com o Banco do Brasil, um recurso inicial em torno de R$ 1,2 milhão, dinheiro que dá para iniciar o processo de construção, já que nesse ano nós não temos no orçamento a previsão para a construção, mas podemos iniciar. No final do ano, nós abriremos o orçamento com esta necessidade para terminar a obra no próximo ano. Então já temos condições de iniciar a construção. Hoje nós vislumbramos a construção na Ribeira ou no Parque da Cidade, um desses locais deverá receber a nova Câmara. Isso vai representar uma economia mensal de quase R$ 75 mil, já que é R$ 62 mil para a UFRN e mais R$ 14 mil para o prédio vizinho que está anexado. Isso vai ser importante para a geração futura, porque representa uma economia de custo ao longo do tempo e vamos montar um patrimônio para a Câmara, que não tem nenhum patrimônio, o que é muito ruim para a cidade.

JH – Presidente, uma decisão da Justiça mandou a Câmara Municipal e a Assembleia Legislativa divulgar a lista de seus servidores com os respectivos salários. O senhor vai cumprir a determinação?
AD – Sou a favor de total transparência. Nós exoneramos todos os servidores como manda a lei e estamos nomeando aos poucos, ao longo do tempo. Ainda não nomeamos nem o diretor geral da Casa. Nós lutamos e somos a favor da verba indenizatória, sou a favor dela por causa da transparência. Hoje nós pagamos ao vereador para ele gastar. Com a verba indenizatória vai ser ao contrário, ele vai gastar e trazer a nota para a Câmara pagar. Isso vai facilitar a nossa vida com relação ao portal da transparência, porque a população vai saber com o que o vereador está gastando. É dessa forma que acontece na Câmara Federal, como sugere o Ministério Público. A Assembleia Legislativa também faz isso. Nós queremos a maior transparência possível, mas sabemos que isso também é uma adequação que leva um tempo. Desde o início sou totalmente favorável a transparência. A TV Câmara é uma transparência também, porque todos podem ver quem está trabalhando ou não, e a TV a partir de abril ou maio deve ser em canal aberto para toda a Natal.

JH – Presidente, o que o senhor tem a dizer sobre a polêmica dos novos cargos que foram criados na Câmara?
AD – Essa questão é porque tínhamos orçamento para os cargos, mas não tínhamos espaços para eles. Cada vereador tem direito a dez cargos, mas não havia essa configuração na nossa grade. Então precisamos criar o espaço, mas não representou gastos a mais para a cidade.

JH – E sobre a possibilidade da Câmara realizar concurso público? O projeto foi aprovado. Há chances de ser feito ainda este ano?
AD – Eu fui a favor do concurso público desde o início. Eu acho que o gestor deve montar patrimônio e estimular a carreira pública, do servidor, dando estímulo e fazendo com que ele cresça no trabalho. Para isso é preciso de concurso público. A Câmara só teve um concurso público para procuradores e depois não teve mais. Eu acredito que será muito importante essa seleção não para inchar a Câmara, mas porque precisamos ter efetivos pessoas da área jornalística para a TV, porque essa televisão é muito ligada ao presidente e, quando chega um gestor novo nomeia pessoas ligadas a ele, o que vai impedir a montagem de um perfil técnico, padrão para a TV. O segundo item são as assessorias técnicas das comissões. Por exemplo, na comissão de saúde as vezes um vereador não entende muito do tema, então nós precisamos de um assessor técnico sempre ao lado, seja quem for, do presidente da comissão. Seja agora ou daqui a quatro anos e para isso é preciso de concurso público. O que tem acontecido é que o cargo é nomeado de acordo com o presidente. Então o servidor fica mais próximo do presidente da comissão do que do tema específico. Outro problema é com relação a ASG’s. Nós temos muitos servidores terceirizados nessas áreas de limpeza e precisamos colocar pessoas fixas. Nossa previsão é fazer o concurso ainda esse ano. Já marque reunião com a Comperve, que já fez concurso público da Câmara Municipal de Caicó, que precisava de cargos parecidos com o que temos aqui, e devemos nos encontrar com a presidente da Comperve na próxima semana.

JH – Este ano também deve haver a votação do novo Plano Diretor de Natal. Após a polêmica em que se transformou o último projeto, em 2007, o senhor está preparado para colocar a proposta em análise esse ano?
AD – Eu estive com o prefeito e ele já mostrou a intenção de enviar o projeto. Hoje nós temos a Marina de Natal, que o Ministério Público vislumbra que seja uma área de interesse especial, que não tenha nenhuma construção. Então há um debate neste tema. Porque o prefeito tem o objetivo de construir uma marina, que será importante para Natal por trazer o turista de primeira categoria, o turismo de traz muitos recursos para a cidade e eu sou totalmente a favor. Mas precisa haver o debate para se respeitar as opiniões da sociedade e do Ministério Público, e, se depender de mim, vai haver a votação de todas as zonas que ainda estão pendentes. Nós vemos Natal de outra forma, principalmente após a Copa de 2014. Precisamos pensar em Natal não apenas agora, mas com relação ao futuro. Imagine se na época da construção da Via Costeira, se tivesse todo o processo que acontece hoje, talvez não tivesse sido construída. Então precisamos pensar na cidade em alguns momentos, e hoje precisamos pensar no futuro de Natal.

JH – Vereador, levando em conta os últimos quatro anos em que o senhor fez parte da bancada de apoio da prefeita Micarla de Sousa, como está o seu relacionamento com o prefeito Carlos Eduardo?
AD – Já tive três conversas com o prefeito Carlos Eduardo e nós estamos respeitando os poderes, eu respeito o poder Executivo e ele o Legislativo, há independência. No entanto nós estamos de mãos dadas para que a cidade entre no ritmo de crescimento e pensando no futuro de Natal. Nós estamos pensando na cidade. Vamos fazer uma parceria administrativa para melhorar a cidade, que é o que a população mais quer. A população não quer saber quem apoiou quem, essa questão de partido ou de ideologia é questão de campanha. A campanha ficou para trás e agora é pensar na cidade. A partir de agora é de mãos dadas. O que depender de mim para que os processos avancem na Câmara vai acontecer.

JH – Vereador, como está a situação interna do PP? O que o senhor defende para o partido?
AD – O PP tem uma história muito turbulenta desde a morte do deputado Nélio Dias, que foi presidente nacional do partido e deu notoriedade a legenda no RN. Mas depois dele o partido passou de mão em mão. Hoje, fazendo uma leitura pontual, é que o PP diminuiu em nível estadual, perdemos dez prefeitos, só temos seis gestores. Mas na capital nós crescemos. Tínhamos dois vereadores e o vice-prefeito, hoje temos cinco vereadores e o presidente da Câmara, um crescimento importante, isso com o segundo, terceiro e quarto vereador mais votado. O PP cresceu muito em número de votos. Mas isso foi na capital, no interior diminuiu. O ex-vereador Sérgio Andrade é o presidente estadual, que perdeu a eleição em Parnamirim, e vamos tentar fazer uma composição para saber se ele vai continuar ou se será outro nome.

JH – Recentemente surgiu a notícia de que Rafael Motta pode assumir o partido. Há essa possibilidade?
AD – Existe possibilidade sim de Rafael ser o novo presidente. É um nome novo na política, que leva a tradição do pai, presidente da Assembleia Legislativa (Deputado Ricardo Motta), deverá fazer um bom mandato na Câmara Municipal de Natal, e tem a possibilidade sim de ser Rafael. Mas tem a possibilidade de ser o prefeito de Assu (Ivan Júnior), tem a possibilidade de ser Paulinho Freire, tem a chance de ser qualquer nome. Mas precisamos pensar nisso. Inclusive Sérgio Andrade pode continuar. Nós precisamos de um projeto, nosso objetivo é termos um deputado federal e outro estadual, nós não temos isso ainda. Esse é o objetivo número um do partido, que é o crescimento a nível de deputado federal e estadual. Essa é a meta para 2014.

JH – Por falar em 2014 vereador, qual o seu futuro político? O senhor vai ser candidato no próximo ano?
AD – Eu um mês antes da eleição para presidente da Câmara não era nem candidato ao cargo. Então, a política é igual às nuvens, uma hora está numa posição depois em outra, como dizia Dinarte Mariz. Hoje não sei se sou candidato a absolutamente nada, talvez nem mais a vereador. Mas eu acredito que no futuro, depende do trabalho e do que vai fazer. Hoje o mandato é do partido e a legenda vai dizer qual será a necessidade. O PP quer fazer um deputado federal e estadual no Rio Grande do Norte. Isso vai depender do partido. Hoje não sou candidato a nada, mas isso quem vai decidir é o partido, não vai partir de mim.

JH – O senhor pretende se candidatar a presidência da Fecam?
AD – Eu ainda não tive nenhuma conversa com os demais presidentes, mas eu acho que é importante principalmente para Natal, que é o maior município do RN, participar da direção da Fecam, não sei se presidência ou não. Mas vai se iniciar o diálogo agora. A Câmara Municipal de Natal tem muita coisa para se resolver, mas se os presidentes resolverem solicitar minha presença assumirei com o maior prazer a presidência da Fecam.

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