Alciney e o caminho certo – Rubens Lemos Filho

Alciney jogava tanta bola, mas tanta bola, que Deus preferiu abrir mão de um pastor. Alciney é evangélico. O Fininho,…

Alciney jogava tanta bola, mas tanta bola, que Deus preferiu abrir mão de um pastor. Alciney é evangélico. O Fininho, um dos amigos que quero mais bem na vida, simplesmente flutuava em campo, numa classe de regente austríaco.

Alciney jogava de volante. Cabeça de área uma ova, cabeça de área é chamar para um duelo de pistola. Alciney tirava a bola do adversário numa simplicidade irritante, sem machucá-lo, jogava de cabeça erguida, passos largos, passes medidos, dribles miúdos trazidos na sacola do futebol de salão, do qual teria sido um dos melhores do país.

Foi o melhor e mais sensato de um geração brilhante revelada pelo ABC em 1984 quando havia categoria de base voltada ao futebol e não à criação de lutadores ou maratonistas. Alciney é do tempo em que menino gostava de bola tanto quanto de mulher, até pela fase da puberdade ainda não ter explodido.

Saí muitas vezes a pé e satisfeito, para ver Alciney jogar no Estádio Juvenal Lamartine, a duas quadras da casa onde até hoje vive minha mãe e onde morei minha infância e adolescência, noves fora os intervalos para exílios terríveis. Nunca vou gostar de viajar porque sempre que viajei jovem, viajei obrigado, à força, contrafeito, traumatizado.

É outro papo. Estou escrevendo é sobre Alciney Wanderley, criança ali perto do cabaré de Maria Boa, filho muito bem criado pela saudosa e alegre dona Zélia, estudante do Colégio Imaculada Conceição, território onde sua geração aprendeu a reverenciá-lo como craque acima do normal.

Alciney que conheci por um amigo comum, Derocy Fernandes, Deró que na encarnação passada (se é que existe reencarnação, eu acredito) era um time de futebol de botão, seu vício vesperal de sábado há duzentos anos.

Deró me levou a Alciney e desde os anos 1980 somos três amigos não necessariamente frequentes, mas certamente sólidos e intocáveis. Mexer com um dos dois é virar meu inimigo.

No tempo do Juvenal Lamartine, Alciney lançava longo para o ataque depois de dominar a bola com fleuma chanceler. O gramado, uma buraqueira e ele lá, parecendo passear pelos salões do Palácio de Buckingham.

Sempre observei algo de britânico em Alciney. Mesmo quando estava no ônibus lotado que o levava para casa, do treino em Morro Branco, antiga sede do ABC.

Sempre foi pontual, meticuloso e nunca chamou palavrão, o que era inadmissível para um boca-suja assumido feito eu, que considera o palavrão essencial para a prevenção ao ataque cardíaco.

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Quem viu futebol em Natal nos últimos 10 anos, só viu um volante de futebol assemelhado ao de Alciney no ABC. O fabuloso crioulo Ricardo Oliveira. Ambos técnicos, criativos e desmoralizadores de meio-campistas. Jogavam olhando para o horizonte, sem o menor sinal de incômodo com o barulho da torcida.

Depois que saiu do ABC, Alciney jogou em Minas Gerais, na Ferroviária de Araraquara e plantou sementes firmes em Santa Catarina, ídolo do Joinville e campeão pelo Criciúma. Lá, jogava com a camisa 10. Cheguei a vê-lo por aqui em jogo de Campeonato Brasileiro, marcando, sem pancadas, o esplendoroso Geovani, que passou breve temporada no ABC.

Alciney, durante certo período, jogava futebol profissional, estudava(formou-se em Educação Física) e trabalhava à noite num banco, no setor de compensaçãoo de cheques.

Voltava do antigo Machadão ou do interior, direto para a agência, situada na Avenida Rio Branco, centro de Natal e depois para um colchonete. De manhã, treino. À tarde, mais treino e aula na universidade.

Hoje, aos 48 anos e careca, Alciney está pelos Emirados Árabes, vive em Dubai, onde moram os bacanas lá dos tapetes mágicos. Virou auxiliar-técnico e estudioso sobre futebol.

Quando conversamos, pela internet ou em suas raras visitas a Natal, concordamos muito, discordamos pouco. Ele apenas ri quando reclamo do excesso de computador e planilha e da falta de dribles e gols.

O trabalho de Alciney é com o treinador Paulo Bonamigo, um grande amigo de Alciney, quase irmão. Eles se conheceram no tempo do Joinville, Bonamigo no comando, Alciney de capitão. Depois, formaram uma dobradinha eficiente que passou por Palmeiras, Botafogo, Portuguesa, Paraná Clube e seguiu para milhas distantes do Brasil.

Recebi, por WhatsApp (maracatu chique é outra coisa), uma remessa de fotografias de Alciney. Ele no Bayern de Munique, campeão mundial, base da Alemanha dona do futebol e treinado pelo inalcançável Pep Guardiola.

Alciney aparece com Rummenigge (quem não lembra do monstro alemão dos anos 1980?) e outras feras. Bom sujeito, se deixou fotografar com os zagueiros Dante, aquele cabeludo do fracasso de Felipão e Breno, o que incendiou a própria casa, foi solto e está para voltar ao São Paulo. Alciney tem sangue de barata, às vezes.

O time de Alciney mandou-o com Bonamigo para um estágio onde se joga o melhor futebol do planeta. Para aprender com os superiores. Imagina se Dunga teria essa humildade. Alciney está evoluindo que não é bobo. Na foto, ele aparece com um certo Muller, aquele, da Copa. Uns 20 anos atrás, o Bayern seguraria Alciney por lá. Para jogar.

 

Náutico desfalcado

O Náutico recebe o América em Recife sem três jogadores importantes: os zagueiros William Alves e Renato Chaves e o atacante Crislan. No meio-campo, a briga pela camisa 10 é entre o argentino Canete e Vinicius.

Fernando Henrique

Passe Livre na torcida para que o goleiro Fernando Henrique, do América, se recupere de sua lesão abdominal. Fernando Henrique transmite bom caráter. Impressão passada pelo ídolo alvinegro Danilo Menezes, que o conheceu. E merece todo o crédito.

Morais

Ainda não é certo que comece o jogo. Misericórdia.

No Frasqueirão

Todos os caminhos, prognósticos, palpites de fantasmas apontam para uma invasão ao Frasqueirão para o jogo contra o Vila Nova. O time não pode deixar de fazer da vitória sobre o Ceará, a epopeia de Renato, o recomeço da boa fase. O Vila Nova ganhou do Vasco, mas não quer dizer nada. Vasco é o Olaria com a Cruz de Malta.

Ingressos

Ainda há tempo: o torcedor poderá adquirir o ingresso antecipado de arquibancada por R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia), e para cadeiras R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia), na ABC Store e nos pontos de venda.

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