Aldair diz que Segurança avançou, mas sai sem concluir projetos

Ex-secretário mostrou o que fez durante os anos em que foi o titular da pasta e faz, acredite, balanço positivo

Coletiva-com-Aldair-Rocha-HD

Diego Hervani

Repórter

No dia em que foi exonerado da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Rio Grande do Norte (Sesed), o ex-secretário Aldair da Rocha realizou uma coletiva na manhã desta terça-feira (11), no auditório da Emater, no Centro Administrativo, na qual mostrou um total de 11 planos que fazem parte do projeto Comunidade em Paz que ainda estão em processo, ou de licitação ou de captação de recursos. Nada concluído. Além disso, ele afirmou que a situação da segurança no RN, acredite, avançou desde que ele assumiu a pasta em 2011.

“Os projetos estão aí. Muitas coisas foram feitas. São todos projetos bem importantes. Por isso irei me reunir com o novo secretário (General Monteiro) para passar tudo para ele, pois esses projetos precisam de uma continuidade e irão melhorar muito a segurança no Estado. Além disso, várias cidades do interior que antes não tinham policiais civis, agora já contam com alguns. São poucos, mas a realidade já é diferente”, destacou. Apesar do entusiasmo pelos projetos, as estatísticas mostram que o Rio Grande do Norte passa por um momento complicado na segurança.

Em 2013 foram registrados 1.636 homicídios e quase três mil veículos roubados. Sem contar nos cerca de 900 assaltos a ônibus e microônibus do sistema de transporte público ocorridos somente na Região Metropolitana de Natal e nos 46 ataques a agências bancárias, sendo 19 com o uso de explosivos, registrados em todo o Estado. Sobre isso, Aldair destacou que a defasagem de profissionais para a segurança pública é muito grande e um dos motivos é a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede novas contratações.

“Somente na Polícia Militar nós temos uma defasagem de 1600 pessoas. Durante esses três anos nós fizemos vários pedidos para concursos públicos e também para a convocação de novo pessoal. Infelizmente isso não foi possível. Certa vez chamamos alguns, mas o Tribunal de Contas já veio falar que não poderia vir mais ninguém. Existem profissionais que ganham muito bem e que são muito bons, mas que estão fazendo trabalhos administrativos enquanto deveriam estar nas ruas. Todos os anos várias pessoas se aposentam. Então fica complicado. Não adianta ter projeto se não temos pessoal”.

Agora que deixou a Sesed, Aldair conta que irá voltar a trabalhar pela Polícia Federal. Porém, desde o ano passado que o ex-secretário assumiu a presidência do PTB-RN e a definição se ele participará ou não das eleições 2014, motivo pelo qual ele alega ter sido exonerado, ainda será definida. “Desde janeiro que a governadora Rosalba Ciarlini queria mudar o secretariado e eu iria sair exatamente por não poder continuar no cargo se fosse me candidatar, o que ainda não está definido”.

Informatização e Divisão de Homicídios

Uma das principais preocupações que Aldair da Rocha deixa na Sesed é de não ter conseguido colocar em prática a criação da Divisão de Homicídios (DH) e a Informatização do sistema de segurança como um todo. Em relação ao DH, Aldair frisou que apenas 5% dos casos de homicídio são solucionados. “Isso é um número muito baixo que não pode continuar assim. A Divisão de Homicídios é um projeto que tem que ser concluído imediatamente. A sede física não será problema, mas a questão principal é a falta de pessoal. Seriam necessários uns 80 homens e hoje o RN não tem isso”.

A chegada da Copa do Mundo também é motivo de preocupação, principalmente pela repercussão dos crimes cometidos contra estrangeiros. “No último fim de semana dois estrangeiros morreram em Natal e teve uma repercussão muito grande. Saio frustrado e chateado por isso (não ter posto em prática a Divisão de Homicídios), mas acredito que até a Copa a divisão esteja pronta”, comentou Aldair. Um dos motivos para Aldair acreditar na conclusão do projeto da DH é o investimento que a União fez no Rio Grande do Norte para o mundial, que ultrapassa os R$ 85 milhões.

Referente a informatização do sistema público de segurança, o ex-secretário afirmou que o RN está bastante atrasado. “Para vocês terem uma idéia, hoje se um perito acha a digital de um suspeito em uma cena do crime, ele pode levar meses para descobrir de quem é, pois não é nada digitalizado. Hoje em dia já existem programas que você joga a digital de um suspeito no computador e ele rapidamente identifica a quem pertence. Em relação a informatização o RN está bem atrasado”.

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