As Aldeias de Ariston

Heródoto ensinou que a “História existe para impedir que o tempo apague a memória das coisas”. Mesmo sendo distintas, as…

Heródoto ensinou que a “História existe para impedir que o tempo apague a memória das coisas”. Mesmo sendo distintas, as coisas e a História nunca deixaram de se misturar na constituição das grandes narrativas ou dos pequenos registros da trajetória humana.

O advogado e escritor Augusto Ariston narra neste livro, com a perspicácia e sensibilidade do bom observador de humanidades, as coisas que viu e ouviu ao longo da sua própria história pessoal. São narrativas de uma experiência particular, mas com a riqueza literária da universalidade.

Na memorização de tudo que soube observar, ele conta pelas linhas das crônicas ou pelos parágrafos de pequenos ensaios os acontecimentos que ganharam contorno de historiografia urbana nas três cidades da sua existência: Caicó, o berço potiguar; Natal, a capital da sua juventude; e Rio de Janeiro, a pátria definitiva.

Leon Tolstoi, um entre tantos intelectuais russos que o augusto estudante de Direito consumiu, sacralizou o conceito “se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”. E é exatamente isso que faz o autor. Ao pincelar os registros provincianos, carrega nas tintas do fato global, ascende suas aldeias ao patamar da História.

Porque não há a História sem a figura do observador das coisas, como não vale qualquer teoria de tempo e espaço sem o olhar humano sobre a vida. Ariston faz da percepção do seu próprio tempo um portal para inserir seus registros literários nos compêndios históricos, como já havia feito em livro anterior abordando a “Operação Condor”.

Nas suas aldeias, encontrou a universalidade das coisas humanas, dos fatos políticos. Navegador de três águas, deu a elas aquela importância que Fernando Pessoa, travestido de Alberto Caeiro, deu ao velho Tejo lusitano.

As histórias contadas aqui são banhadas pelo açude Itans, pelo Rio Potengi e pelas ondas de Copacabana, na atemporalidade da boa memória do cronista.

Os fatos seguem num ritmo de roteiro enquanto ele próprio, Augusto Ariston, navega dentro, como que compondo em pedaços de memória sua autobiografia. É fácil detectar sua trajetória pessoal nos detalhes dos cenários que ele monta para narrar as pequenas histórias. O observador inserido na paisagem inesquecível.

Viajado como poucos, no sentido estrito das locomoções geográficas, ele incorpora na narrativa toda a sua percepção do momento histórico em que o fato ocorreu. É o narrador em viagem de retorno, lembrando seu papel de observador dos fatos, ou na visão “drummondiana” ciente que tem apenas duas mãos e o sentimento do mundo.

A leitura de O Charuto Mágico nos atira num entra e sai constante dos diferentes tempos e espaços dos fatos. Entre o rural e o urbano das suas três aldeias, vemos personagens instigantes, célebres ou anônimos, dignos da literatura universal. Alguns casos até são conhecidos na cena doméstica, mas ganham um sabor especial no saber contar de Ariston.

É uma bela literatura com gosto de História, posso garantir ao leitor. As observações de décadas costuradas ao tecido biográfico do autor. Como na poética de Carlos Drummond, “as lembranças escorrem” pelos rios das três aldeias e ganham os mares do vasto mundo.

Leiam o livro da proa à popa, pois ele é um barco que navega por águas de ontem e de hoje, onde Augusto Ariston mergulhou para resgatar seu tesouro de lembranças. (AM)

 

Rosalba fora
Um dia, dois dias, um mês, um ano. Para a grande maioria das lideranças políticas do estado, não importa quanto tempo o vice-governador Robinson Faria assuma o governo. O importante para todos é que Rosalba Ciarlini suje a ficha e fique inelegível.

Apoio
Minutos após a decisão do TRE cassando Rosalba, o vice se reuniu com seu grupo político no escritório da advogada Tatiana Mendes Cunha, no Tirol. Por telefone, recebeu solidariedade de lideranças do interior e de entidades civis e até militares.

Liminar
Rosalba foi rápida na reação e ontem à noite mesmo contratou os préstimos do famoso escritório de Fernando Neves, em Brasília, para buscar a liminar que anularia o afastamento do TRE. Alguns juristas entendem que o direito da governadora é bom.

Suspeitas
Ainda na sexta-feira, 6, o repórter Dinarte Assunção, que vinha cobrindo o TRE para o Portal No Ar, publicou matéria indicando que um terremoto político poderia abalar o RN no início da semana. Todos esperavam apenas a inelegibilidade da governadora.

Confidências
Sabendo que um colega também havia recebido as mesmas revelações, postei ontem no Twitter, às 10h, para Tertuliano Pinheiro: “Duas semanas sem tsunamis, mas com muitos prédios caindo”. Resposta dele: “Cenários novos. Que venha 2014!”.

Wilma e a mídia
Não é todo ano que uma vice-prefeita organiza um almoço de confraternização com a imprensa, como decidiu fazer Wilma de Faria, nesta quinta-feira, no espaço Renata Motta. Nem é preciso pegar no pulso da guerreira para sentir que aí tem coisa grande.

Livro-bomba
Com 3,5 mil exemplares vendidos antes do lançamento, o livro de Romeu Tuma Jr. está provocando relinchos histéricos na esgotosfera. O autor diz que só fez a obra por conselho dos jornalistas Mino Carta e Paulo Henrique Amorim. Ave Maria, oxente!

Isso aí, bicho
A “operação forró” da PF interferindo na contravenção do velho jogo do bicho ocorre num instante em que grupos de outros estados entraram no mercado local, que há décadas conseguiu praticar a jogatina sem misturar com drogas e outros crimes.

Rapel na ponte
Gente com espírito de aventura e adepta dos esportes radicais realizará no domingo, a partir das 8h da manhã, o “Rapel Solidário”, na Ponte Newton Navarro. Interessados devem levar 1 kg de alimento não perecível e brinquedos para doação natalina.

The Voice
A cantora Khrystal está pronta para disputar a semifinal do programa da TV Globo com amplas chances de passar à final do dia 26. Do hotel em que está no Rio, já alertou marido e filhos que é provável passar a noite de Natal longe de todos. Tomara.

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