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Alexandre Zampier traz duas exposições para Natal

Data: 07 janeiro 2013 - Hora: 13:57 - Por: Dani Pacheco

A vida é cheia de ciclos. Tudo ao seu tempo. Uma chegada sempre traz uma partida. Como todo começo tem o seu fim. Tem época que a vida está repleta de cores e em outros momentos poderia ser traduzida numa tela onde o que impera são as nuances de cinza.
O administrador por formação acadêmica, músico e ator da Curitibana Súbita Companhia de Teatro, Alexandre Zampier contou em entrevista para O JORNAL DE HOJE que, “como um todo? Acredito que vivo muito os meus “ciclos” de criação, e tento identificá-los cada vez mais. Depende muito do momento da vida em que estou vivendo”.

Neste verão o curitibano chega à capital potiguar onde apresenta duas exposições que retratam dois ciclos da sua vida. Uma é o “Conde Baltazar” que acontece a partir das 19h, desta terça-feira (8), até 12 de fevereiro, na Galeria de Arte do IFRN Cidade Alta (avenida Rio Branco, 743, Cidade Alta). E, na quinta-feira (10) até 25 de janeiro, Zampier apresenta a mostra “Colorando”, no Sesc Restaurante (Avenida Rio Branco, 375, Cidade Alta).

Aliás, como parece que todo começo tem um fim,  Alexandre Zampier declarou que, “Conde Baltazar é um codinome que usei (e uso) por muito tempo, assinando todos meus trabalhos com música, escrita, dança e teatro. Tempos atrás senti a necessidade e vontade de agarrar meu nome, Alexandre Zampier, como pintor e todo o resto. Mas foi na época do Conde Baltazar que pintei todas as telas desta exposição. Então, esta sendo uma espécie de despedida deste nome artístico e um brinde a essa relação com esse outro eu”.
Confira a entrevista!

 

O JORNAL DE HOJE – Alexandre, fale um pouco sobre a sua trajetória artística?
Alexandre Zampier – Comecei a compor minhas primeiras musicas aos 15 e 16 anos de idade.  Nessa época também comecei a fazer meus primeiros desenhos, que guardo até hoje em cadernos antigos. Aos 23, decidi fazer uma grande reviravolta na minha vida. Eu trabalha num fábrica com meu pai e decidi largar a vida de “bussiness man” para agarrar a vida criativa. Nessa virada, entrei para a Faculdade de Belas Artes, onde estudei violão e pude ter um contato maior com as artes visuais e plásticas, foi onde eu comecei a testar a visualidade das minhas vontades… Como num despertar, nas Belas Artes foi uma época muito criativa musicalmente e visualmente, conheci muita gente de várias partes… Também nesse ano, junto com alguns amigos montamos a Súbita Companhia de Teatro, na qual faço parte até hoje e onde coloco grande parte da minha energia criativa. Na realidade, hoje tenho três lugares que trabalho a criação: Trombone de Frutas que é um coletivo musical, na Súbita Companhia de Teatro e as pinturas, que trabalho em um atelier na minha casa.

O JORNAL DE HOJE – Qual é a proposta do seu trabalho como um todo?
Alexandre Zampier – Como um todo? Acredito que vivo muito os meus “ciclos” de criação, e tento identificá-los cada vez mais. Depende muito do momento da vida em que estou vivendo. Com cada caminho artístico (música, teatro, dança, visuais, entre outros) faço uma relação de diálogo diferente. Em épocas que estou mais introspectivo, percebo que caminho mais musicalmente e há alguns anos, passei a me dedicar mais visualmente, com pintura e desenho. Mas, já tive momentos onde meu sensorial estava mais na pele, por isso, na dança e teatro fiz grandes evoluções. Hoje tento equilibrar coletivo com individual, introspectivo com o aflorado externo.

O JORNAL DE HOJE – E, sobre a exposição Colorando?
Alexandre Zampier – Gosto muito de pintar à noite, quando a frequência da cidade está um pouco mais baixa. Algumas vezes deito na cama e quando estou quase dormindo começo enxergar cores de olhos fechados, levanto e vou pintar. E, foi num desses sonhos lúcidos que vi uma das telas que inclusive está na exposição, que proporcionou o nascimento da ideia da exposição “Colorando” que batiza essa experiência que tive pintando e sonhando cores das duas telas da exposição e as cores que nessa época, virava e mexia, me tomavam de assalto antes de dormir.

O JORNAL DE HOJE – É fácil para você brincar com as cores?
Alexandre Zampier – Se é fácil? Eu não sei, mas que gosto de “tacar” as cores sem muito refletir sobre o ato, gosto… Uma cor vai puxando a outra e assim a tela vai fluindo, mas chega um momento que trava, é aquele momento em que a tela não me conta nada do que ela precisa. Às vezes fico dias olhando pra tela esperando “algo” acontecer, que algo me aconteça. E, por aí, vai…

O JORNAL DE HOJE – O que lhe inspira?
Alexandre Zampier – A vida. O novo. O sensorial. O choro. Um olho cheio. Mexer o corpo. Uma reflexão. Observar. Saber que estou vivo.

O JORNAL DE HOJE – Por que Conde de Baltazar?
Alexandre Zampier – (Risos) Não lembro… Sempre tive codinomes com B, Baltazar, Bartolomeu, Barabrás. Acho que foi algo que veio espontâneo e eu agarrei… Assim como: “como é teu nome?” “Conde Baltazar” e assim ficou!

O JORNAL DE HOJE – Além de artista plástico, você é músico, ator e professor de artes. Como consegue conciliar tudo isso?
Alexandre Zampier – Como disse, vou muito pelo momento da vida que estou em expansão. Mas nesses últimos anos, às tardes me dedico como ator e dou aulas de teatro, a noite e madrugada me dedico a pintura, e tenho encontros semanais pela manhã com Trombone de Frutas. E não vamos esquecer que sou pai de Cecilia que tem 11 meses e um apaixonado pela minha companheira Mari Barros.

O JORNAL DE HOJE – Como foi que surgiu a ideia de vir até a capital potiguar apresentar os seus trabalhos?
Alexandre Zampier – Tenho uma prima aqui de Natal que vira e mexe nos visita em Curitiba, em uma conversa surgiu a ideia de vir para cá com as pinturas. O Sesc surgiu disso, e a o edital da Galeria da IFRN, também foi indicação. Salve esse lindo lugar!

O JORNAL DE HOJE – E, conte pra gente quais são seus próximos projetos?
Alexandre Zampier – Neste começo de ano, quando volto para Curitiba tenho uma exposição de desenhos para fevereiro. Com a Súbita, temos dois projetos aprovados para fazer até o meio do ano, com contos do Ítalo Calvino e outro com uma escritora de São Paulo, Verônica Stigger. O Trombone de Frutas vai começar a gravar seu primeiro disco e temos uns shows marcados para março e abril. No mais, estarei batendo uma bola, observando, brincando com a Cecilia, caminhando com a Mari, pedalando e sentindo uma boa dose diária de vida!

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