Aliados de Aécio já buscam diálogo com equipe de Marina Silva

Para tucanos, data limite para Aécio reagir é 15 de setembro; encontro de FHC com a ex-senadora já é discutido no PSDB

Se Aécio Neves não crescer até o dia 15, o PSDB vai se aproximar de Marina Silva. Um encontro dela com FHC já é discutido. Foto: Divulgação
Se Aécio Neves não crescer até o dia 15, o PSDB vai se aproximar de Marina Silva. Um encontro dela com FHC já é discutido. Foto: Divulgação

Cientes de que a situação de Aécio Neves (PSDB) na corrida presidencial se complicou com a confirmação, na últimas pesquisas de intenção de voto, do crescimento de Marina Silva (PSB), tucanos admitem construção de pontes com aliados da candidata do PSB. Para isso, uma nova fase na campanha do PSDB apareceu já no segundo debate entre os candidatos, onde Aécio criticou Dilma Rousseff em todas as suas falas, reservando a Marina dois breves comentários em tom sutil.

Segundo tucanos, as pontes estão sendo construídas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já tem feito acenos na direção de Marina e um encontro entre os dois não é descartado. Mas algumas abordagens não são novas e serão reconstruídas sobre alianças firmadas no passado entre as duas legendas.

É o caso, por exemplo, da situação em São Paulo. Lá, Marina foi pessoalmente contra a aliança como o PSDB e se recusa a subir no palanque de Geraldo Alckmin (PSDB). Mas aliados da ex-senadora começam a reatar laços como tucanos paulistas, aproveitando a boa relação do governador com seu vice, o presidente estadual do PSB, Márcio França.

Outros acenos têm sido feitos. Os tucanos pretendem reforçar os laços que mantêm como o PSB no Paraná, em torno da candidatura de Beto Richa, e em Minas Gerais, onde Mário Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, declarou apoio ao tucano Pimenta da Veiga, apesar de seu partido ter candidatura própria no estado.

O namoro dos dois partidos é visto com muita cautela por aliados de Marina. Existe o receio de que movimentos bruscos possam ser vistos como desrespeitosos. A lógica é aproximar, mas sem o risco de que esse movimento possa ser prejudicado por uma visão de presunção das intenções de aliados de Marina, ou seja, não se pode desrespeitar alguém que se pretende convidar para ser aliado. O PSB tem sido muito cuidadoso e quer evitar erros que possam comprometer o crescimento de Marina.

Prazo de validade

Enquanto alguns tucanos, nos bastidores, são mais pessimistas, outros insistem na tese de que Aécio ainda pode ser competitivo se fizer um bom trabalho com o eleitorado. Para esse último grupo, a eleição permanece a missão de Aécio tem prazo de validade. Se não conseguir reagir até o dia 15 de setembro, é o fim. Até lá, o PSDB investirá numa abordagem que prioriza as críticas ao Governo Federal e a Dilma. A relação com Marina, até sob a perspectiva de construção de pontes com o PSB, permanecerá amena, com pequenas críticas e eventuais apontamentos de contradições nas falas da socialista.

O PSDB considera que Marina é um problema para Dilma e acreditam que a missão de tentar desgastá-la é do PT e não dos tucanos. Consideram ainda que bater em Marina agora não renderia frutos ao PSDB, mas acreditam que se o fogo vier de Dilma e conseguir mudar a opinião de parte dos eleitores, poderia herdar alguns desses votos. Parte da lógica de que quem critica acaba se queimando com o eleitor. Na prática, é deixar para o PT o trabalho sujo de confrontar Marina.

Aécio tem ouvido o conselho de correligionários e tem embarcado na tese. Durante o segundo debate com os presidenciáveis realizado nesta segunda-feira, Aécio inaugurou a nova estratégia mirando ataques preferencialmente a Dilma. Os ataques à Marina são cada vez mais raros e sutis. No debate, Aécio fez uma leve menção à candidata do PSB no terceiro e último bloco de perguntas ao dizer, em resposta a Eduardo Jorge que havia lhe perguntado sobre taxa de juros, que ele não se “rende a teses que combatia lá atrás”.

O mesmo argumento voltou a ser explorado no bloco final do debate, quando Aécio fez suas considerações finais, atacou de passagem Marina, sem no entanto, se prender demasiadamente nessa crítica. “Acredito nas boas intenções (de Marina), mas não posso deixar de ver contradições nela”, disse o tucano para emendar na sequência que Marina defende “teses que combatia lá atrás”. No mais, em todas as vezes que Aécio fez uso da palavra, criticou Dilma, e somente a presidente. Nem citou Marina.

Mesmo o recuo de Marina diante das pressões evangélicas a respeito do casamento gay não é visto como algo capaz de comprometer a campanha do PSB. Fontes ligadas à campanha de Aécio calculam que na mais pessimista das projeções, Marina não terá sua imagem arranhada por causa do episódio. Poderia perder, pelos cálculos do comitê de Aécio, cerca 3%, mas consideram que isso não a impedirá de estar no segundo turno.

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